Reconhecimento a uma trajetória rica em ações
Morte do chanceler Airton Queiroz, no último dia 2, teve ampla repercussão local e nacional. Sua atuação plural foi destacada
A morte do chanceler Airton Queiroz será lembrada na Missa de 7º Dia a ser realizada na Igreja do Cristo-Rei, nesta terça-feira (11), às 19h30. O falecimento do empresário, no dia 2 de julho, foi seguido de uma série de homenagens. Uma constante nos tributos foi o elogio à sua capacidade de se destacar em muitas frentes, em especial à educação superior e o incentivo às artes. O Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza declararam luto oficial de três dias.
O falecimento do chanceler Airton Queiroz foi abordado em discursos na Assembleia Legislativa do Estado. O presidente da Casa, o deputado Zezinho Albuquerque, lamentou a "perda irreparável para a Cultura, Educação e Arte cearenses". "O Estado perde um de seus grandes homens, grande liderança e grande pai de família. Homem que lutou muito pela Educação, portanto o que se falar sobre o chanceler Airton Queiroz na Cultura, na Educação, nas Artes, no compromisso com o povo do Ceará, será pouco", disse o parlamentar. O deputado Fernando Hugo lembrou que a "Assembleia em várias ocasiões teve a sensibilidade e a presença espirituosa de homenageá-lo em vida", citando a Medalha do Mérito Parlamentar 13 de Maio, recebida pelo empresário em 2012.
> Chanceler deixou realizações duradouras em todas as atividades que exerceu
Na sessão, a deputada Fernanda Pessoa apresentou um projeto de indicação instituindo a Medalha Airton Queiroz, para homenagear cearenses que se destaquem nas artes e na cultura do Estado do Ceará.
Repercussão
A morte do chanceler Airton Queiroz repercutiu nos grandes jornais do País. A Folha de S. Paulo falou da perda de "um dos maiores mecenas e colecionadores de arte do Nordeste (...), dono de uma das maiores coleções de arte moderna e contemporânea do País". O Estado de São Paulo também destacou sua dedicação às artes e à qualidade e abrangência da Coleção Airton Queiroz. O jornal citou seus feitos como mecenas. "O chanceler se notabilizou por sua generosidade, abrindo não só sua coleção particular à exposição pública, como comprando obras para doar a instituições e museus públicos. (...) Seu papel como mecenas vai além: a Fundação Edson Queiroz acaba de patrocinar a publicação do catálogo raisonné do artista cearense Leonilson, um dos grandes nomes da chamada Geração 80".
No obituário publicado pelo jornal carioca O Globo, é relembrado o empenho de Airton Queiroz colecionador de obras de arte, apaixonado desde jovem pelas expressões da criatividade, que construiu uma das maiores coleções privadas da América Latina, referência na reunião de peças modernas. O jornal lembra que o investimento em arte se dava como particular e à frente da Fundação Edson Queiroz. A atuação como mecenas e o patrocínio do primeiro catálogo raisonné de um artista contemporâneo brasileiro são destacados. A reportagem chama atenção para a dedicação à educação superior e o reconhecimento que o chanceler recebeu em vida. "Airton Queiroz recebeu, em 2011, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Havre, na França, em razão de 'trabalhos voltados à difusão da arte e de educação aliados a projetos de responsabilidade social'".
Trajetória
Chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor), ele transformou a instituição em polo cultural de referência, com ações que vão além dos limites do campus. A sintonia e ousadia dos projetos acadêmicos de ensino, pesquisa e extensão levaram a Unifor a ser considerada a melhor universidade privada do Norte/Nordeste. Sob sua administração, o campus da Unifor foi expandido, com a criação do Parque Esportivo, Teatro Celina Queiroz, Espaço Cultural, Biblioteca Acervos Especiais, Núcleo de Atenção Médica Integrada, Biblioteca Central, Centro de Convivência, Escritório de Práticas Jurídicas, entre outros.
Airton Queiroz também deixou um legado de empreendedorismo. Ele assumiu a direção executiva do Grupo Edson Queiroz (GEQ) aos 36 anos, em 1982, após a morte prematura de seu pai, o industrial Edson Queiroz. Com o apoio de sua mãe, D. Yolanda Queiroz, o chanceler consolidou e multiplicou os negócios do conglomerado empresarial fundado pelo pai, um dos 100 maiores grupos do País. Suas empresas atuam em diversas áreas, como energia, alimentos, eletrodomésticos, educação e comunicação.
Durante a sua gestão à frente do Grupo, Airton Queiroz deu continuidade ao trabalho empreendedor do pai. Sob o comando do chanceler, o Grupo Edson Queiroz abriu mais empresas e passou a atuar em novos mercados, o que inclui a exportação de produtos para outros países.
A visão para a inovação nos negócios do chanceler ficou marcada nas empresas do Grupo Edson Queiroz, em segmentos do agronegócio; da produção de água mineral; da metalurgia; e no mercado de tintas, com a marca Tintas Hipercor; além da criação de novos veículos de comunicação no Sistema Verdes Mares (SVM).