Projeto "Ser Ponte Fortaleza" beneficia famílias vulneráveis

Alvo são núcleos familiares chefiados por mulheres na Capital cearense

Como tempestade que chega sem avisar, a pandemia do novo coronavírus atingiu a vida dos cearenses, modificando rotinas, trabalhos e sonhos. Em meio às águas turbulentas, nem todos têm a mesma condição de lidar com os impactos econômicos e sociais da doença. "Estamos todos em uma mesma tempestade, mas em barcos diferentes. Uns em navios, outros em canoas, outras em boias, e alguns nem barco tem", afirma Liduina Luzia do Nascimento, de 39 anos, uma das beneficiárias do Projeto "Ser Ponte Fortaleza".

A iniciativa surgiu ainda no mês de março, quando amigos da pesquisadora do Laboratório de Estudos da Habitação (LEHAB) e atuante da Frente de Luta por Moradia Digna, Valéria Pinheiro, buscaram-na para ajudar famílias de periferias e comunidades mais vulneráveis de Fortaleza. "Amigos foram atrás de amigos, que foram atrás de amigos. Então, eu decidi que era preciso criar uma ação organizada para isso. Assim nasceu o Ser Ponte Fortaleza".

O projeto busca alcançar famílias que não estão recebendo auxílio governamental ou de movimentos sociais, e distribuir uma renda básica de maneira descomplicada, com a preocupação de procurar núcleos familiares chefiados por mulheres. Inicialmente, a ação assumiu o compromisso de repassar um apoio de 180 reais para 20 famílias em quatro territórios da cidade. Com o crescimento das doações, foi possível ampliar essa meta.

Em abril, foram apoiadas 75 famílias. "Já em maio foram 145. Com os recursos que continuam chegando, a gente vai conseguir ajudar 160 famílias, garantir o apoio em 14 territórios de Fortaleza", aponta Valéria. Há muitas comunidades beneficiadas, como o Lagamar, Praça do Omega, Jangurussu, Conjunto Orgulho do Ceará, Residencial Cidade Jardim I e II, Marrocos, Planalto Pici, dentre outros.

Confiança

O projeto conta com a atuação de agentes territoriais e as famílias são indicadas pelas lideranças comunitárias. Em abril, 81% das famílias assistidas possuíam renda per capita abaixo da linha da extrema pobreza, recebendo menos de 145 reais mensais. E considerando o grupo de 422 pessoas assistidas no total, no mesmo mês, a renda mensal média é de R$ 56,24.