Projeto Avisa vai investigar evolução do novo coronavírus em 90 famílias de Fortaleza por 18 meses
Pesquisares buscam entender impacto da doença em pessoas assintomáticas para aprofundar conhecimento sobre o coronavírus
Qual o impacto na saúde pública das pessoas assintomáticas ao novo coronavírus? Existe reinfecção? Por quanto tempo o paciente fica imunizado? São muitas as questões sobre a Covid-19 que exigem mais tempo à Ciência e, em Fortaleza, tem suas respostas buscadas por grupo de pesquisadores e profissionais da saúde que vão acompanhar 90 famílias durante um ano e meio. Serão feitos exames e entrevistas mensais, na iniciativa organizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com o Instituto Butantan, no Projeto Avisa (Avaliação de Incidência de Infecção por SARS-CoV-2 e de Covid-19 no Brasil).
Como apoio ao projeto, agentes de 30 postos de saúde da Capital, geridos pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), farão visitas domiciliares e contatos por telefone para auxiliar o grupo com cerca de 28 pesquisadores da Universidade. Os participantes foram escolhidos com critérios estatísticos, considerando indíces populacionais e de renda, de modo a representar com efetividade à população de Fortaleza. As atividades do Projeto Avisa iniciam nesta semana.
Um dos diferenciais do projeto está em considerar as pessoas assintomáticas, ou com manifestações leves da doença, para dar maior profundidade ao entendimento de como o novo coronavírus se comporta no longo prazo. A possibilidade de reinfecção e o tempo de imunidade à Covid-19 são estudados pelos pesquisadores.
O médico infectologista Ivo Castelo Branco, professor da Faculdade de Medicina da UFC e representante do projeto, destaca a relevância da abrangência do estudo. “O conhecimento que se tem da Covid baseia-se muito nas pessoas que têm sintomas e elas não correspondem à maioria de quem tem a doença. A gente sabe das pessoas que procuram atendimento por sintomas mais graves, mas a grande maioria sequer vai ter sintomas ou serão auto limitados”.
“Essas pessoas que pegaram vão pegar de novo? Se pegarem, vão ter formas mais ou menos graves? Ou vão ser assintomáticos? É uma oportunidade ímpar e a Universidade Federal vai trabalhar nisso para que a gente possa ter esse conhecimento”
Uso das informações
O impacto das atividades escolares e do funcionamento do comércio na propagação da doença também pode ser monitorado por meio do trabalho. “Todo mês nós vamos visitar essas famílias e saber, primeiro, se alguém já teve ou não Covid, fazer sorologia nessas pessoas, ver quem são as pessoas que adoecem, as que têm anticorpos, mas que não tiveram sintomas. Entre as que tiveram sintomas, ver o que elas fazem da vida”, detalha Ivo.
A reunião desses dados contribui na formulação de estratégias de atendimento de saúde, na definição dos grupos e comportamentos de risco ao vírus, além do conhecimento de fatores importantes para a futura aplicação da vacina contra o coronavírus. “Primeiro, a família vai ficar sendo assistida durante um ano e, segundo, é um conhecimento e um benefício à sociedade como um todo".
"É uma doença pouco conhecida que, por diversas circunstâncias, está voltando, principalmente em pessoas mais jovens, e quem nem sempre vão entrar para as estatísticas porque nem sempre procuram hospital. Acaba que a gente fica sem saber a magnitude de tudo isso”, conclui o cientista.
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