Profissionais da educação fazem protesto simbólico contra retorno das aulas presenciais em Fortaleza

Os manifestantes colocaram ‘totens’ de papelão para representar professores e caixões. A Secretaria Municipal da Educação informa que não data ainda para retorno das aulas presenciais na rede de ensino

Protesto de professores no Paço Municipal
Legenda: Ato foi instalado no Paço Municipal, no Centro de Fortaleza
Foto: José Leomar

Para protestar contra o retorno das aulas presenciais na Capital, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute) organizou, na manhã desta sexta-feira (25), uma manifestação simbólica. ‘Totens’ de papelão com fotos dos profissionais foram colocados nos arredores do Paço Municipal, no Centro de Fortaleza, sede da gestão. Além da representação dos profissionais, caixões com faixas "morte anunciada" também compõem o ato. De acordo com organização, estruturas simbolizam "as vidas perdidas" em decorrência da Covid-19 em caso de retomada. 

O protesto silencioso foi a alternativa encontrada pelo Sindicato para evitar aglomeração e segue instalado até o fim do dia. Welington Soares, diretor do Sindiute, informa que caso o pedido de suspensão de retorno não seja aceito pela Prefeitura de Fortaleza, a categoria poderá entrar em greve. "Nós pedimos a suspensão desse decreto. Nós não aceitamos isso, a categoria vem realizando assembleias. Hoje está caminhando para uma greve geral caso esse decreto seja mantido". 

Entre os outros motivos para o ato está o pedido para revogar a determinação e a falta de transparência sobre o retorno das atividades presenciais na Capital, explica Ana Cristina Fonseca, atual presidente do Sindiute. “Não sabemos se voltamos no dia 1° de outubro ou não. Não há nenhum plano, nenhuma preparação”, completa a presidente. 

Protesto professores no Paço Municipal
Legenda: De acordo com organização, caixões representam as possíveis vidas perdidas com o retorno.
Foto: José Leomar

Além da incerteza sobre o retorno, os profissionais não sentem segurança no modelo de ensino proposto, na modalidade híbrida. “Presencialmente nós teríamos 30 dias de aula. É muito risco para pouco resultado de aprendizado. O aluno vai passar uma semana em casa, uma semana na aula. Vemos que com essa organização é muita exposição para pouco aproveitamento”, completa a presidente. 

Em nota, a Secretaria Municipal da Educação (SME) informou que ainda não há uma data definida para o retorno presencial das aulas na rede municipal de ensino de Fortaleza. A pasta adiciona ainda que "ao tempo em que houver esse indicativo de data, a SME convocará o Comitê Municipal, composto por representantes da categoria de profissionais da educação, comunidade escolar e pais de alunos, para discutir as estratégias de retomada".

Transição

No último sábado (19), o governador Camilo Santana anunciou que o retorno das aulas presenciais, tanto na rede pública quanto na rede privada, deve acontecer a partir do dia 1° de outubro.  O Governo do Ceará lançou, no último domingo (20), um conjunto de medidas de biossegurança específicas para o retorno das aulas presenciais. 

O Protocolo das Atividades Educacionais foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE). Entre as recomendações estão a organização de um escalonamento dos horários de entrada, saída, intervalo, lanche e almoço das turmas para evitar aglomerações. O Ensino remoto também será mantido. 

Todos os profissionais da escola serão convidados a fazer um teste de Covid-19 antes do retorno para sala de aula. Alunos e profissionais com temperaturas a partir de 37.5°C, ou que apresentem sintomas gripais, devem permanecer em casa. O uso de máscara será obrigatório. 

 

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Redação 29 de Outubro de 2020