Prédio que desabou tem 40 anos, e primeiro registro de reforma é desta segunda-feira

A tragédia poderia ter sido evitada com uma simples inspeção predial, diz presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE)

Após o desabamento do prédio de sete andares no Bairro Dionísio Torres, na manhã desta terça-feira (15), o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Emamoel Mota, afirmou que só depois de 40 anos de existência do edifício, houve uma emissão de início de obras. Ela foi registrada nesta segunda-feira (14), dia anterior à queda do prédio. Na avaliação dele, uma simples inspeção poderia ter evitado a tragédia.  Levantamento do órgão aponta registros de manutenção de elevadores, mas nenhum de obras estruturais do prédio

“Em nosso levantamento vimos que já foi realizado alguns registros de manutenção de elevadores, mas de reforma mesmo só foi feito ontem. O prédio poderia ter a chance de obras acontecendo. Não tem registro de construção, porque na época não era obrigatório”, aponta.  

Questionado sobre a falta de fiscalização das condições estruturais do prédio, Mota afirma que no registro não há como saber se foi realizado algum projeto que apontasse possíveis danos ou se as obras já tinham sido iniciadas.  “A gente não tinha como dimensionar se foi feito algum projeto. Sabemos que tinha um engenheiro responsável sim, mas não sabemos o que foi feito. Ele não deu detalhes no documento sobre as condições da obra, quando começou ou se já começou. Não temos como dizer se foi feito algum projeto, apenas da execução do serviço”, diz.  

Responsabilidade 

Além disso, Mota também enfatiza que a responsabilidade das fiscalizações faz parte de um conjunto de atuações: da Prefeitura, dos síndicos e engenheiros. “Isso poderia ter sido evitado com uma simples inspeção predial. O poder legislativo está aí para colocar leis e evitar tragédias como essa. O poder público tem que fiscalizar sim. Quando ocorre algo assim, veja a comoção que acontece: muda a rotina de todos.  Tanto a Prefeitura deve fiscalizar, bem como os profissionais de engenharia devem emitir laudos transparentes e os síndicos devem estar cientes da responsabilidade que é administrar uma série de vidas”, acrescenta. 

Cidade está envelhecendo

De um modo geral, Mota pondera que Fortaleza é uma cidade que está envelhecendo em relação ao tempo de vida de edifícios comerciais e residenciais, por isso a importância de inspeções periódicas. “É notório que a cidade de Fortaleza está envelhecendo. Temos casos recentes de desabamentos de prédios e outras estruturas acontecendo, junto com essa última do prédio. Muitos empreendedores pensam em construir, mas não pensam na vida útil das edificações. Nesse momento, além de você contratar profissionais para a construção, também tem que contratar profissionais de engenharia para realizar os planos de manutenção. Todos esses planos são fundamentais para diagnosticar os problemas que existem nas edificações”, salienta.  

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Redação 22 de Novembro de 2020