Prática de terapias alternativas auxilia na recuperação de bebês prematuros

Técnica é fundamental para o desenvolvimento do cérebro, dos músculos e da respiração da criança

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Legenda: A fisioterapeuta da unidade, Cristina Soares, informa que a técnica não substitui o tratamento convencional, mas serve como aliada para que a recuperação do prematuro seja mais rápida
Foto: Arquivo pessoal

Para complementar os tratamentos oferecidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo), as terapias alternativas vêm sendo usadas para auxiliar o desenvolvimento de bebês prematuros. A prática consiste em técnicas como toque terapêutico, ofurô, musicoterapia, massoterapia e redeterapia que estimulam o cérebro, os músculos e a respiração correta, além de promover relaxamento. 

No Ceará, o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara investe neste tipo de terapia há 10 anos, com acréscimo da ofuroterapia há cerca de 2 anos. A fisioterapeuta da unidade, Cristina Soares, informa que a técnica não substitui o tratamento convencional, mas serve como aliada para que a recuperação do prematuro seja mais rápida. “A gente associou essas terapias sensoriais motoras ao nosso tratamento. Desde a hora que a criança chega na UTI, nós avaliamos o posicionamento terapêutico favorecendo o desenvolvimento dela. O bebê, que é estimulado, ele consegue ter uma resposta mais rápida, ele ganha peso, fica com a atividade motora melhor, se organiza mais, consegue sair da ventilação mecânica mais cedo e vai para o berçário”, detalha. 

A indicação também vale para bebês que nasceram no tempo correto ou não possuem problemas de saúde porque também favorece o relaxamento, mas os prematuros acabam tendo mais benefícios. “Minimiza danos que o bebê possa vir a ter, porque o bebê prematuro tem muita dificuldade de se movimentar contra a gravidade. Favorece o relaxamento, alivia o estresse e dores, porque a gente não tem como mensurar a dor dele. Favorece o movimento das mãos para a linha média e o controle psicomotor”, lista a profissional. 

Esse é o caso da pequena Dafne, de 1 mês e 13 dias de idade, filha de Aurilene Mesquita, 23 anos. Logo no início da gravidez, a mãe teve um sangramento que a deixou apavorada com a possibilidade de perder a filha. No dia 21 de outubro, ainda com 7 meses de gestação, Aurilene conta que começou a sentir fortes contrações. “Cheguei ao hospital de Amontada e me falaram que eu estava em trabalho de parto por conta de não ter suporte técnico para a minha bebê. Mesmo sem vaga, o hospital de Amontada me transferiu para o hospital de Itapipoca”.  Foi naquele dia que Dafne nasceu, com 980g. 

A bebê foi transferida para Fortaleza, onde recebe, além do tratamento convencional, as terapias alternativas. “As terapias que ela está fazendo ajudaram muita ela a se recuperar. Vejo muita diferença de quando ela nasceu para a Dafne de agora, pois ela hoje está com 1.520kg, está mais animada e sorridente”, expressa a mãe. Nesta sexta-feira (4), a criança foi transferida da UTI Neo para o leito de médio risco e respira sem ajuda de aparelhos.

Apesar das variadas possibilidades, cada criança tem uma necessidade diferente e não deve realizar muitas técnicas em um único dia. “A gente recebe o bebê e avalia a situação dele a gente vai selecionando de acordo com o perfil do bebê. O cérebro dele está sendo moldado com o tempo, os sistemas deles são imaturos. O bebê não pode receber todos os estímulos ao mesmo tempo. Um dia ele pode fazer rede terapia, no outro dia o ofurô”, relata Cristina Soares.  

Após a recuperação, o bebê pode continuar praticando as terapias em casa com auxílio dos pais. “A gente estimula sempre a família a fazer massagem, a estimulação visual, como ela deve brincar com o bebê. Conversamos com a mãe sobre a importância de posturar corretamente para evitar morte súbita, mas que ele deve experimentar outras posições durante o dia. Para a cólica, é maravilhoso o ofurô. A gente ensina a fazer a shantala e, quando é uma mãe muito orientada, gente ensina o ofurô. Cantar para o bebê também é muito bom porque acalma quando ele escuta a voz materna. Indicamos conversar com o bebê e chamar sempre pelo nome”, finaliza.

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Redação 22 de Janeiro de 2021