Uma árvore da Praça Luiza Távora, na Aldeota, testemunhou a construção de uma declaração de amor de um grupo de mulheres para Fortaleza. Embaixo dela, cerca de 20 bordadeiras se encontraram mensalmente, durante um ano, para reproduzir em pano e linha lugares marcantes da cidade.
Do trabalho surgiram telas com ricos detalhes de monumentos como a estátua Iracema Guardiã, a Coluna da Hora, da Praça do Ferreira, e os prédios do Estoril, Mercado Central e colégio Imaculada Conceição. As 19 obras produzidas foram expostas neste sábado (4), na mesma praça que abrigou toda a trajetória das artesãs.
"A escolha do que iria fazer ficou a critério da afetividade de cada uma, o que trazia uma recordação boa da cidade", detalha Iara Reis, uma das integrantes do grupo de bordado Entrelaçadas. Nascida no Maranhão, ela se mudou para Fortaleza há duas décadas e se revela uma apaixonada pela "Terra da Luz"."Quem conhece aqui não quer morar em outro lugar do mundo", derrete-se. O reflexo de tanta admiração foi estampada em uma obra que reúne mais de 10 cartões-poistais como o estádio Castelão e a Ponte Metálica.
A cearense Paula Monteiro herdou o talento para bordar de uma tia, mas se distanciou da arte ao longo da vida. Agora, a professora aposentada se reencontrou com o artesanato e faz parte do grupo há três anos.
Ela escolheu a estátua de Iracema para marcar o afeto pelo Messejana, bairro onde nasceu. "Meu pai levava a gente ainda criança para tomar banho lá e até hoje eu continuo a ir para a feira aos domingos", conta.
A psicóloga Carla Nogueira visitou a exposição na praça e elogiou o tema. "Estou achando tudo lindo. Principalmente por ser lugares que a gente está acostumado a ver e tem uma relação afetiva".
A mostra será exposta no Cineteatro São Luiz, no Centro, no próximo sábado (11), a partir das 10h. Na programação, ela passará ainda pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, na Jacarecanga, e, em seguida, no Shopping Benfica.