Pesquisa com maracujá-alho apresenta resultados voltados para o tratamento de Parkinson

Até o momento, a pesquisa está em fase inicial, sendo testada apenas em ratos de laboratório

foto maracujá
Legenda: A vitória da primeira etapa de testes proporciona novas esperanças para além do tratamento
Foto: Ana Maria Costa

Um grupo de pesquisadores da Embrapa, Universidade de Fortaleza e Universidade Federal do Ceará (UFC) concluiu que o maracujá-alho apresenta características que podem ser favoráveis ao tratamento do mal de Parkinson e de outros distúrbios relacionados à coordenação motora. O projeto, que ainda está em fase inicial, mostra que o vegetal ajuda na redução de tremores.  

De acordo com o engenheiro de alimentos e pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Nedio Jair Wurlitzer, a ideia de testar o maracujá-alho surgiu a partir de conhecimentos populares originários da região do cerrado. “Desse material, nós começamos a fazer experiencias com base em chás e sopas. Algumas pessoas acabam relatando que é bom pra controlar tremores”, relata. 

Até o momento, a pesquisa está em fase inicial, sendo testada apenas em laboratório. Segundo a Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Fortaleza, Adriana Rolim, nessa etapa já foi possível observar as demais particularidades do maracujá-alho. "Os resultados obtidos nessa pesquisa agregam valor a essa espécie pouco conhecida de maracujá. Ressalta-se que além dos efeitos obtidos, como ansiolítico, sedativo, anticonvulsivante e neuroprotetor, também foi detectada ausência de toxicidade, tornando a espécie Passiflora tenuifila uma fonte promissora de compostos funcionais com efeitos no sistema nervoso central".

Desenvolvimento  

Casca, polpa e sementes desidratadas do fruto foram usados na experiência. Os animais utilizados nos testes foram tratados com doses diárias da fruta por 21 dias.  

Na avaliação do efeito antitremor, os testes comportamentais indicaram que o consumo de maracujá-alho causou uma melhoria e possível efeito de recuperação dos danos. Além disso, a fruta provocou um aumento no nível de dopamina no cérebro dos animais, similar ao apresentado pelos animais que receberam carbidopa/L-dopa, substância que normalmente é utilizada no tratamento da doença. 

Para Nedio, os próximos passos da pesquisa já estão estabelecidos. “Como são experimentos inicias, a gente inicia com determinadas doses. Deram resultados promissores, os próximos passos seriam fazer testes para ampliar a funcionalidade, determinar as doses e testar em pessoas”, afirma. 

Ele argumenta ainda que a comprovação do estudo tem potencial para abrir novas possibilidades. “É um campo bastante aberto, como existe uma centena de maracujás, muitos deles já são utilizados como ansiolíticos. Ele permite abrir campos para diversas outras perspectivas”, conta. 

Uma dessas perspectivas seria o investimento da plantação desse vegetal para o ramo da alimentação e da saúde. Como ainda não existe uma estrutura de plantio desenvolvida no Brasil, haveria necessidade de estudar todo o processo dos cuidados com o maracujá-alho e o interesse comercial.  

A vitória da primeira etapa de testes proporciona novas esperanças para além do tratamento. “A nossa expectativa é o desenvolvimento de produtos na condição de alimentos, que tragam essa funcionalidade e que ele venha a auxiliar em outros tratamentos que já existem”, conclui Nedio. 

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Redação 29 de Outubro de 2020