Perigos afetam orla leste e oeste

Com 17 postos de guarda-vidas, as praias têm características que devem ser motivos de maior atenção

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Redação producaodiario@svm.com.br

Se nos 25 Km da orla de Fortaleza sobram banhistas, principalmente em períodos de férias, não faltam também distintos motivos para manter-se atento ao aproveitar o mar. As praias da Capital, com 17 postos de guarda-vidas, apresentam diferentes características que, em alguns trechos, devem ser motivos de maior atenção. As grandes valas na Praia do Futuro, as "ondas de repuxo" na Praia de Iracema e as fortes correntes provocadas pelo encontro dos rios - Ceará e Cocó - com o mar na Barra do Ceará e Caça e Pesca, respectivamente, são os principais perigos.

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Em toda a extensão da Praia do Futuro, trecho do litoral leste da Capital que concentra o maior número de banhistas, não é possível apontar áreas específicas mais perigosas, segundo a capitã do Corpo de Bombeiros, Juliane Freire, pois, de acordo com ela, o trecho inteiro é marcado pela existência natural de valas - canais escavados pela força das ondas - que potencializam o risco de afogamentos. O Corpo de Bombeiros é responsável pelo monitoramento da área que vai do Mucuripe ao Caça e Pesca. Neste ano, durante a Operação Férias, iniciada no primeiro fim de semana de julho com prazo de conclusão na primeira quinzena de agosto, há 32 guarda-vidas atuando no local, distribuídos em 11 postos de serviço.

Os guarda-vidas trabalham das 9h as 17h, durante todos os dias. O raio de operação é de 300 metros, conforme informou a capitã, e uma das orientação é para o banhistas tentar adentrar ao mar da Praia do Futuro somente nos trechos que tenham esse monitoramento. "Quando os guarda-vidas chegam aos postos, eles fazem o reconhecimento do mar e do trecho, justamente para fazer a avaliação", diz. Ela acrescenta que o encontro do Rio Cocó com o mar, no Caça e Pesca, também gera vulnerabilidade, devido ao movimento gerado pelo forte deságue.

Resgate

Entre janeiro e junho de 2014, foram registrados 250 resgates de pessoas com vida no trecho monitorado pelo Corpo de Bombeiros. Já neste ano, até junho, foram 165, uma queda de 34%. Porém, a capitã destaca que este índice é atribuído ao intenso volume de banhistas durante a Copa de 2014. Neste mesmo período, em 2014, foram contabilizados seis afogamentos fatais. Nos seis primeiros meses de 2015, foram três ocorrências fatais.

Além dos perigos provocados pelas características do mar nestes trechos, Juliane reforça que a Praia do Futuro concentra grande índices de crianças perdidas dos responsáveis. Para tentar reduzir as perdas, os Bombeiros distribuem pulseira para identificação. Neste ano, os guarda-vidas encontraram 17 crianças perdidas. Em 2014, foram 25.

No trecho oeste da orla, que vai da Barra do Ceará ao Mucuripe, os perigos são distintos. Conforme o inspetor chefe da Inspetoria de Salvamento Aquático da Guarda Municipal, Antônio José Vieira, a área que vai do Aterro da Praia de Iracema ao Náutico é a mais preocupante, além do encontro do Rio Ceará com o mar, na Barra do Ceará.

No lado oeste, em 2014, os guarda-vidas realizaram 157 salvamentos. Em 2015, de janeiro a junho, foram 84. Distribuídos em postos na Barra do Ceará (dois), no Aterro da Praia de Iracema, nas proximidades do Ponta Mar Hotel, do Luzeiros e do Náutico, os guarda-vidas municipais atuam divididos em grupos de quatro.

"Com a posse de novos guardas municipais, iremos reforçar o efetivo e teremos mais quatro postos", acrescentou.

A doutora em oceanografia e vice-diretora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lidriana Piheiro, reitera os perigos da Praia do Futuro e garante que as valas sempre foram características deste trecho da orla. "Isso não significa que a praia não pode ser usada. Mas é necessário muita atenção. E o aconselhável é a utilização quando a maré está baixa. Porque, inclusive, essas 'piscinas naturais' são visualizadas", ressalta.

A professora explica ainda que a Praia de Iracema é caracterizada por inclinações físicas e que a maré sobe pela influência da gravidade, por isso "quanto mais inclinada a praia, mais forte é a corrente retornando para o mar". Ela alerta que as praias são ambientes muito dinâmicos e que é fundamental que banhistas busquem a orientação de guarda-vidas.

Thatiany Nascimento
Repórter