Outubro Rosa: o que você precisa saber para evitar o câncer de mama

O autocuidado e o diagnóstico precoce são fundamentais nesta luta; saiba onde realizar exames gratuitos em Fortaleza

Escrito por Bruna Damasceno, bruna.damasceno

Metro
Mulher fazendo exame
Legenda: Especialista afirma que a mamografia é indicada para todas as mulheres saudáveis, incluindo as que não notaram anormalidades nas mamas
Foto: Nah Jereissati

Falar sobre câncer de mama ainda é tabu para muitos por envolver, dentre outras questões, o corpo feminino. Além do temor de encarar a doença, a erotização dos seios da mulher pode ser o motivo para se evitar essa conversa ou um toque íntimo.

No entanto, romper esse silêncio salva vidas: segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), as chances de cura são superiores a 90% quando a descoberta ocorre nos estágios iniciais.

O acesso ao diagnóstico e o tratamento adequado são cruciais na luta contra o câncer de mama. Dentre as doenças oncológicas, essa é que mais mata as mulheres no Brasil, conforme o Inca. Somente em 2020, foram 66,2 mil novos casos no País. Os dados mais recentes de óbitos são de 2019, totalizando 18 mil vidas perdidas naquele ano. 

>> Leia cartilha sobre o câncer de mama

Há décadas, as campanhas do “Outubro Rosa” atuam na conscientização sobre o papel da prevenção para evitar que milhares de mulheres entrem para essas estatísticas. 

Conhecer o corpo é um ato de cuidado 

De acordo com o professor de Oncologia da Universidade Federal do Ceará  (UFC), Markus Gifoni, as mulheres devem desenvolver o hábito de tocar os seios como cuidado essencial para a saúde.

Além disso, explica, a mamografia — radiografia feita exclusivamente nas mamas — deve ser feita anualmente para identificar lesões não detectáveis.  

“Em sua fase inicial, quando as chances de cura são muito boas, o câncer de mama não é perceptível. Ele passa a ser palpável ou visível como um nódulo ou caroço endurecido no seio quando seu tamanho passa de 2 cm”, observa.

“Por isso a mamografia é indicada para todas as mulheres saudáveis, mesmo as que não notaram nenhuma anormalidade”, enfatiza.  

O que é o câncer de mama

Segundo Markus Gifoni, o câncer de mama é uma doença de origem genética em que as células de um dos órgãos, devido a alterações nos genes, passam a crescer sem controle. Isso faz com que invadam tecidos vizinhos e possam se espalhar para outras regiões do corpo.  

Como observar os sinais da doença

Como nódulos só ficam palpáveis quando ultrapassam os dois centímetros, na fase inicial, é difícil identificar a doença sem exames. Mas, quando aparecem, os sinais podem ser a retração da pele da mama ou do mamilo, gânglios palpáveis (conhecidas como ínguas) na axila ou a presença de uma secreção clara/transparente no mamilo. 

Quando a mulher deve começar o autoexame

Markus Gifoni esclarece ser sempre recomendado que mulheres de todas as idades acompanhem a saúde com um ginecologista e que, também, desenvolvam o hábito de palpar as próprias mamas. Isso, aponta, é um cuidado que deve fazer parte da vida das mulheres desde a puberdade  

Como e quando fazer o autoexame

Ele recomenda que a mulher se dedique à palpação das mamas uma vez por mês. “Conhecendo o próprio corpo, a paciente vai poder reconhecer eventuais alterações com mais facilidade”, frisa.  

Só o autoexame já previne o câncer de mama?

De acordo com o médico, o autoexame não substitui a mamografia, mas ajuda a identificar nódulos e deve motivar uma consulta imediata com o ginecologista ou mastologista.    

Quando realizar a mamografia 

Conforme o especialista, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento preventivo com mamografia (exame de rotina indicado para pessoas saudáveis) a partir dos 50 anos e deve ser repetido a cada dois anos (caso o exame esteja normal).

Para as pacientes com acesso à saúde suplementar, pode-se iniciar aos 40 anos e com a frequência anual. 

Como a mamografia é feita 

Na prática, é uma radiografia feita nos seios. No exame, explica o médico, a mulher interpõe cada mama entre duas superfícies para observar se há alteração de densidade ou calcificações sugestivas de que as células estão se proliferando em velocidade maior que o normal, podendo levantar suspeitas de um câncer.  

O que ocorre se a mamografia apontar algo

Caso a mamografia aponte alguma situação suspeita, um fragmento daquela área (biópsia) deve ser retirado para ter a confirmação ou não da presença de um câncer. 

A mamografia não é dolorosa e salva vidas

A mamografia salva vidas. Não se deve deixar de fazê-la por temor. Segundo o médico, o exame não é considerado doloroso, mas pode causar algum desconforto em mulheres mais sensíveis, a depender também da época do ciclo menstrual.

Por isso, embora o exame possa ser feito em qualquer período, recomenda-se realizá-lo de 5 a 10 dias após o início do ciclo para evitar a sensibilidade que antecede a menstruação. 

O que mais precisa ser feito para prevenir a doença

Além de exames periódicos, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Inca recomendam uma rotina de hábitos saudáveis. São eles: 

  • Alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer. Priorize os alimentos naturais e evite os industrializados;
  • Evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos e outros;
  • Procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras;
  • Faça exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de atividades moderadas entre os cinco dias ou 75 minutos de exercícios vigorosos divididos pelos dias da semana;
  • Evite fumar e consumir álcool em excesso.

Amamentação previne o câncer de mama 

De acordo com o Inca, amamentar diminui o risco de câncer de mama. Durante o período de aleitamento, caem as taxas de hormônios favoráveis ao desenvolvimento deste tipo de câncer na mulher.

Outro fator é que processos durante a amamentação promovem a eliminação e renovação de células que poderiam ter lesões no material genético.

Acompanhamento de quem tem histórico familiar é necessário

Também é muito importante, aponta o médico, ficar atento ao histórico familiar. “Mulheres e homens de famílias em que ocorrem muitos casos de câncer (não só de mama) devem informar isso aos seus médicos e ter rotinas de acompanhamento mais rigoroso”, observa Markus.  

O câncer é hereditário?

Segundo o Inca, em geral, o câncer não é hereditário. Existem apenas alguns raros casos que são herdados. No entanto, há alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis à ação dos agentes ambientais causadores do câncer, o que explica por que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a uma mesma substância cancerígena. 

O que é o "Outubro Rosa"

É um movimento internacional para incentivar as mulheres à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama. Conforme o Inca, o objetivo da campanha é compartilhar informações e promover a conscientização para reduzir os óbitos ocasionados pela doença.  

Como surgiu o "Outubro Rosa"

Segundo o Inca, o movimento começou no início da década de 1990, nos Estados Unidos. A mobilização foi encabeçada pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, que distribuiu laços da cor rosa aos participantes da 1ª Corrida pela Cura, realizada em Nova York. Depois, foi difundido mundialmente.  

Quando começou o "Outubro Rosa" no Brasil

No Brasil, a primeira iniciativa aqui ocorreu só em 2002, com a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista - conhecido como Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo. No entanto, o movimento ganhou força em 2008, quando várias cidades foram iluminadas como uma forma de chamar a atenção para a causa.  

Pandemia de Covid-19 reduziu o número de mamografias 

O professor de Oncologia da UFC, Markus Gifoni, aponta que, em 2020, o Sistema Único de Saúde (SUS) fez 1,1 milhão de mamografias ante 1,9 milhão em 2019. Os dados são da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). 

"A pandemia trouxe um grande prejuízo à cobertura dos exames preventivos contra o câncer. Muitas mulheres deixaram de fazer suas mamografias de rotina e diagnosticaram mais tardiamente os tumores", avalia. 

"O recomendado para quem adiou seus exames é retomar a rotina de prevenção assim que for possível. Neste momento, não há nenhuma razão para deixar de realizar os exames preventivos", alerta. 

Vacinas contra Covid-19 não causam câncer de mama 

Em nota técnica, a SBM informa que os imunizantes contra Covid-19 não causam câncer ou quaisquer outras doenças na mama.

"As vacinas contra Covid-19 algumas vezes causam inchaço passageiro de gânglios embaixo do braço que podem aparecer nos exames de mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética das mamas", destaca o texto.

A entidade orienta: "Por isso, quando fizer seus exames de mama informe se foi vacinada, quando e em qual braço tomou a vacina para evitar equívocos de interpretação por parte do médico".

Onde realizar mamografia gratuita em Fortaleza

As Secretarias do Estado (Sesa) e do Município de Fortaleza (SMS) dispõem do serviço nas unidades citadas abaixo, no entanto, é necessário passar pela triagem e receber o encaminhamento. 

Unidades da SMS

A Prefeitura de Fortaleza oferta exame de mamografia em 14 estabelecimentos entre unidades da rede própria ou contratualizadas, incluindo as policlínicas do Passaré e do Bonsucesso.

As mulheres podem solicitar o exame após consulta nos 116 postos de saúde da Capital, onde são referenciadas por meio da Central de Regulação e agendadas para um dos prestadores da rede.

>> Veja a lista de endereços e telefones de postos de saúde em Fortaleza

Unidades da Sesa 

As pessoas que receberam encaminhamento poderão realizar a mamografia nas seguintes unidades da pasta:

  • Instituto de Prevenção do Câncer (IPC) - Rua Walter Bezerra de Sá, 58, Aldeota
  • Grupo de Educação e Estudos Oncológicos (GEEON) - Rua Papi Júnior, 1511, Bela Vista
  • Hospital César Cals - Avenida Imperador, 545, Centro
  • Hospital José Martiniano de Alencar -  Rua Princesa Isabel, 1526, Centro
     

*Markus Gifoni é formado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em Cancerologia pela Fundação Antonio Prudente. Atualmente, é professor de Oncologia na UFC, atende no Hospital São Carlos e no Fujiday Oncologia D’Or.

Assuntos Relacionados