Número de casos de afogamento registrados em Fortaleza em 2020 é 60% menor que em 2019

Uma das justificativas para esta redução seria o período de isolamento social, medida de proteção ao novo coronavírus

Apesar do resgate de quatro pessoas no último fim de semana, até o momento, em 2020, foram registradas 85 ocorrências por afogamento nas praias de Fortaleza, o que corresponde a uma diminuição de 60%, tendo em vista que, em 2019, foram contabilizados 213 incidentes. Em ambos anos, nenhuma morte foi registrada. Uma das justificativas para esta redução seria o período de isolamento social, medida de proteção ao novo coronavírus. Segundo os dados da Guarda Municipal de Fortaleza, é possível notar que os números de afogamentos voltaram a crescer com o retorno do funcionamento das barracas de praia, a partir de julho.   

O major Chailton Fonteles, comandante da 1ª Companhia de Salvamento Marítimo, conta que o registro de ocorrências sempre aumenta de dezembro a fevereiro por conta dos turistas, mas outro fenômeno é responsável por causar afogamentos na orla de Fortaleza de agosto a dezembro. “Na questão do mar, ele tem uma característica que é formada pelos ventos. Quanto mais fortes os ventos, de agosto até dezembro, com certeza o mar fica mais revolto e desloca mais massa de ar para praia, e assim que forma a corrente de retorno, criando valas”, informa. “É justamente nessas valas que acontecem os afogamentos. É como se a pessoa corresse em uma esteira. Ela corre, corre e nada”. 

A orientação é observar as características do mar, que podem muitas vezes confundir. “Você olha para o mar e nas laterais você vê a onda quebrando com espuma.Você vai ver que nas laterais as ondas quebram em forma de espuma, mas no meio fica calmo. É ali que é a corrente. Muitos pais mandam os filhos tomar banho no local calmo achando que é seguro, mas é o pior local. Por que a onda não quebra? Porque é fundo. Essa corrente puxa a pessoa para dentro do oceano” ressalta o major. 

“Tem local que aparece muito ‘buraco’, muito canal. Esses buracos surgem de acordo com a natureza. Não é sempre no mesmo local. De acordo com que eles vão surgindo, vamos reforçando no local”. Geralmente, nessas áreas, há muito fluxo de banhistas, o que para o major Fonteles é o “casamento perfeito para afogamento”. A atenção maior vai para os jovens que, na intenção de se aventurar nas ondas, são as maiores vítimas desses fenômenos naturais. 

Segurança 

Os servidores da Inspetoria de Salvamento Aquático (ISA) da Guarda Municipal de Fortaleza estão distribuídos em seis pontos da orla da Capital: Barra do Ceará, Carapebas, Ponta Mar, Luzeiros, Praia de Iracema e Náutico. Os guarda-vidas podem ser procurados e acionados nos postos, que funcionam todos os dias, de 8h às 17h. 

A Inspetoria também desenvolve o projeto “Vidas Seguras”, em que crianças abaixo de 12 anos recebem pulseiras para identificar os pais ou responsáveis presentes no local. Além disso, rotineiramente, os guarda-vidas realizam abordagens preventivas a banhistas, com dicas para o banho de mar seguro. 

Segundo o major Chailton Fonteles, todos os postos terão apoio reforçado - de 150 profissionais para 200. A Praia do Futuro, ponto muito visitado por moradores e turistas, conta com postos fixos e móveis. “Entre os postos, são 500 metros de um para o outro. Que fazem esse link entre um posto e outro. Tem dois guarda-vidas no posto dois. E fica um quadriciclo neste setor”, explica. 

Cuidados  

Geralmente, as equipes de salvadores deixam especificado os locais seguros para banho. Caso não tenha certeza, o ideal é perguntar aos guarda-vidas os melhores espaços. 

Pais e responsáveis devem ficar em alerta ao levar os pequenos para banho. “O primeiro guarda-vida da criança são os pais. Não é porque ele está com colete que ele vai baixar a guarda, não”, recomenda. Ainda de acordo com Fonteles, a equipe do Corpo de Bombeiros monitora as áreas com frequência e está disponível para auxiliar os banhistas. “É importante sempre procurar profissionais guarda-vidas. Temos as nossas pulseirinhas de identificação e sempre respeitar a sinalização dos Bombeiros”, frisa o militar.  

E não nadar contra a corrente, explica Fonteles. Por conta da formação dos buracos, com a areia adotando formato de ‘esteira’, o mais indicado é evitar movimentos bruscos. “Forçar demais o nado pode causar cãibras”, alerta. O mais indicado é comunicar que está em perigo a pessoas próximas. “Identificar se existe algum guarda-vida próximo. Levantar os braços para informar que está se afogando”, recomenda o Major.  

Para evitar o afogamento, a orientação é não andar em direção à praia para evitar as espumas. “O ideal é fazer uma diagonal em direção a areia. Ou em formato de L, nadando alguns metros em paralelo à praia e depois em direção à praia”, conclui.  

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Redação 25 de Janeiro de 2021