Mondubim é o mais populoso; Dendê foi o que mais cresceu

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Mulheres concentram-se mais nos bairros de maior poder aquisitivo e com infraestrutura

Qual o bairro com maior índice de envelhecimento de Fortaleza? E o mais jovem? O mais populoso? E o que possui mais mulheres? Após a divulgação dos dados da Malha Municipal Digital de Setores Censitários do Censo 2010, feita ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é possível responder a todas estas perguntas.

As informações possibilitam saber a população de cada bairro de Fortaleza, a média de moradores por domicílio, a razão de sexo que é o número de pessoas idosas (com 65 anos ou mais de idade) para cada 100 pessoas jovens (de 0 a 14 anos). O que a torna de fundamental importância para o planejamento de ações institucionais e políticas públicas na Capital.

Em Fortaleza, o bairro mais populoso é o Mondubim, com 76.044 habitantes. Já o que alcançou o maior crescimento populacional, nos últimos dez anos, foi o Dendê, com uma variação de 165%. Já que no último Censo de 2000 ele possuia 2.120 habitantes, e em 2010 já somava-se 5.637.

Nas estreitas ruas do Dendê mal cabem o mundo de gente. A presidente da Associação das Mulheres do Dendê, Cilene Souza da Silva, 58, observou este "boom" populacional.

Residindo há mais de 30 anos no local, ela comenta as mudanças e aponta as maiores provas deste crescimento: as casas de dois, três andares e o fortalecimento do comércio. "É tanta gente que o povo se aperta nas moradas. As lojas faturam com o monte de pessoas comprando. Criamos até um banco, com moeda própria para impulsionar a economia", ressalta.

Bairros

Diferente de dez anos atrás, quando possuia 116 bairros, hoje Fortaleza tem 121. Isso porque foram criados os: De Lourdes, Gentilândia, Conjunto Palmeiras, São Bento e Planalto Airton Senna. O surgimento destes locais fez com que alguns bairros perdessem tanto o território, quanto a população.

Como exemplo, podemos citar o Papicu, que antes tinha uma população de 20.292 pessoas, e atualmente possui 18.370. Fato explicado pela criação do bairro De Lourdes. Outro exemplo é o Paupina que sofreu a mesma perda devido a criação do bairro São Bento. O Jangurussu também teve redução de habitantes com a criação do Conjunto Palmeiras. O Benfica foi o bairro com maior decréscimo populacional, 30,64%. Antes possuia 12.932 habitantes, agora tem 8.970. Fato explicado pela criação do Gentilândia.

Apesar de, em números absolutos, o Mondubim ser o bairro com maior número de habitantes, ele sofreu também perda de território e população, devido o surgimento do Planalto Airton Senna.

Mulheres

Fortaleza é uma cidade feminina, pois possui mais habitantes do sexo feminino do que do masculino.

Mas onde estão localizadas estas mulheres? Segundo o IBGE, nos bairros de maior poder aquisitivo, como Dionísio Torres, Aldeota e Benfica. Já em bairros como Dendê, Pedras Presidente Vargas, os homens estão em maior proporção, mais ainda em menor quantidade.

Para se ter uma ideia, no Dionísio Torres existem 15.634 residentes, destes 57,63% são mulheres (9.010). Já no bairro Pedras essa situação é menos desproporcional, isso porque se hoje a quantidade de habitantes daquele lugar é 1.342, destes 672 são do sexo feminino e os 670 restantes são homens.

Nova Dinâmica

Para Renato Pequeno, professor do Departamento de Arquitetura d a Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do Observatório das Metrópoles, os dados do IBGE mostram uma nova composição familiar, onde as mulheres demoram mais a casar, e um avanço econômico.

Ele explica que nas áreas, onde existe infraestrutura melhor, observa-se tanto um envelhecimento da população como um maior número de mulheres. "As pessoas vivem mais. O fato do percentual maior de mulheres em bairros de alta renda, significa um a evolução da sociedade", revela. Um das comparações feitas por Pequeno foi com relação aos bairros com a presença de narcotráfico no Rio de Janeiro. "Lá eles possuem um maior número de mulheres devido a morte precoce dos homens jovens. Já em Fortaleza temos uma evolução devido o poder aquisitivo e a cultural social".

Com relação ao crescimento de áreas como Dendê, Salinas e Praia do Futuro 1, ele associou esse fato ao aumento das áreas de ocupação irregular e também a uma expansão do mercado imobiliário formal. "Isso mostra que a Cidade está cada vez mais desigual, falta controle urbano e política pública"

ANÁLISE
Áreas periféricas concentram mais pessoas por domicílio

Bairros das áreas mais periféricas de Fortaleza, como o Conjunto Palmeiras, o Autran Nunes, o Edson Queiroz, a Lagoa da Sapiranga e o Parque Manibura, concentram o maior número de pessoas por domicílio.

Para se ter uma ideia, no Conjunto Palmeiras, a média é de 4,02 moradores por domicílio particular. Enquanto que, na Praia de Iracema, Meireles e Centro, esse índice cai para 2,8 moradores por residência.

Conforme o pesquisador do ´Observatório das Metrópoles´, Renato Pequeno, este cenário mostra uma composição familiar diferente dos bairros mais centrais, onde a unidade doméstica não se resume a família nucleada, ou seja, pai, mãe e dois filhos. "Além destes eu vou ter outros agregados, o que demonstra uma prática solidária entre os mais pobres", explica.

Outro dado importante, apresentado na pesquisa, é em relação aos imóveis vagos. Na Capital, eles estão concentrados no Meireles, Passaré e Mondubim, com exatos 1.985, 1.422 e 1.261 imóveis vagos, respectivamente. Enquanto que o Cambeba e o bairro Floresta possuem o menor número de imóveis desocupados em Fortaleza.

O que demonstra, para o especialista do Observatório das Metrópoles, a grande especulação imobiliária dessas áreas. "Nós temos a atração de pessoas para essas áreas e daí o crescimento. No Mondubim e no Passaré, há uma proliferação enorme de condomínios", comenta.

Novas pesquisas

Até o momento, as divulgações do Censo 2010 já retrataram diversos aspectos da realidade nacional. Já foram divulgados resultados, como condição de parentesco no domicílio, cor ou raça e alfabetização.

Está prevista para este mês a divulgação das características urbanísticas do entorno dos domicílios pesquisados.

Em outubro, serão publicados os resultados definitivos do Universo, inclusive por setor censitário, além de informações sobre aglomerados subnormais e indicadores sociais municipais básicos.

SOB RESPONSABILIDADE
Granja Lisboa tem menos dependentes

Crianças e idosos, com limitações por conta da idade ou devido à situação financeira, têm dificuldades em viver de modo autônomo, precisando de um adulto para exercer determinados cuidados. O IBGE pesquisou o índice de dependências de pessoas por cada bairro.

A Granja Lisboa, por exemplo, ficou em primeiro lugar. Este é o local que possui menor razão de dependência, 47,26%. O critério foi estabelecido por conta da idade, ignorando o estado de saúde e demais aspectos limitantes.

O bairro do Siqueira foi o que apresentou maior razão de dependência, 51,59%. Atrás dele, tem-se, conforme a pesquisa do IBGE, Parque Presidente Vargas (51,57%), Granja Portugal (50,23%), Praia do Futuro I (49,86%), Pirambu (49,62%), Praia do Futuro II (48,74%), Arraial Moura Brasil (48,23%), Castelão (47,62%) e Barroso (47,38%).

THAYS LAVOR/IVNA GIRÃO
REPÓRTERES