Mesmo com ordem judicial, pacientes não conseguem leitos e aguardam atendimento em UPAs

Familiares relaram dificuldades para garantir vagas a pacientes, no sistema púbico de Saúde na capital cearense

Legenda: Em meio ao agravamento da crise sanitária, a busca por vagas de UTI para pacientes tem se tornado mais difícil
Foto: José Leomar

A demanda de pacientes que necessitam de um leito de enfermaria ou UTI nos hospitais de Fortaleza para tratar a Covid-19 já é maior que a disponibilidade de atendimento. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), mesmo pacientes com ordem judicial para conseguir internamento não recebem prazo para o fim da espera.

Manoel Gomes Rocha, 80 anos, está na segunda internação na UPA do bairro Edson Queiroz. Com diversas comorbidades, o caso grave de Covid-19 que ele apresenta precisa ser tratado em um leito de enfermaria. A filha de Manoel, Tereza Serra, conta que conseguiu a ordem judicial para a transferência, mas o caráter de urgência do mandado não foi cumprido.

“Ele passou, desta segunda internação, três dias sentado numa cadeira de medicação. Ele usa fralda, ele tem incontinência urinária. Eu tive que ir nesses três dias trocar a fralda do meu pai”. A primeira internação na UPA, segundo Tereza, melhorou o quadro do pai e ele recebeu alta. Porém, o período em casa só durou dois dias, sendo necessário voltar ao pronto atendimento e para a fila do leito.

“Eu não estou condenando, eu entendo a situação, só que meu pai já sofre há mais de 20 dias. Ele merece a chance como qualquer pessoa. A UPA não tem condições de oferecer o tratamento que ele precisa”, afirma.

“Eu já pedi a Deus que dê força pro meu pai porque acho que ele já aguentou muito. Uma pessoa de 80 anos ficar sentado três dias numa cadeira é humilhante demais. É dolorido pra gente, principalmente pra ele”, diz Gracineta Serra, também filha de Manoel.

Sem informações

A mãe de Regilane da Costa Pereira Barros (35) foi internada com Covid-19 no último fim de semana de fevereiro. Ela, também sentindo sintomas da doença, foi mandada procurar atendimento em um posto de saúde. Como os sintomas não melhoraram, Regilane passou uma noite inteira procurando vaga em uma UPA para ser internada. Desde o dia 2 de março, ela espera ser transferida para um leito de enfermaria.

De acordo com sua prima, Régia Gomes, mesmo com a determinação da Justiça do Ceará concedida nesta quinta-feira (4), Regilane ainda espera um leito, sem informações de quando poderá conseguir. “A gente entra em contato com ela e não vê melhora de nada. Eles não resolvem nada, não falam nada pra gente. A gente quer uma posição, ou então ela vai morrer lá”, diz Régia.

Respostas

Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que o paciente Manoel Gomes Rocha está "regulado na Central de Regulação de Leitos de Fortaleza, para internação em um leito de enfermaria, de acordo com a necessidade do seu quadro clínico". A secretaria ainda ressaltou o boletim médico do paciente foi informado aos familiares, na sexta-feira (5).

A Secretaria  da Saúde do Ceará, também por nota, informa que a Central de Regulação do Estado recebeu a notificação nesta sexta-feira, 5 de março, e está em busca de leito de UTI para Regilane da Costa Pereira Barros.

Ocupação de UTIs e enfermarias

Em Fortaleza, de acordo com o sistema IntegraSus, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), 87,81% das vagas de UTI estão ocupadas. Já as enfermarias têm taxa de ocupação de 91,53%. Os dados foram colhidos às 17h50min deste sábado (6).

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