Maré alta atrai admiradores e deixa marcas no calçadão
A estimativa é que as ondas tenham atingido 2,7 m. O movimento intenso arrastou pedras e terra para a orla
Banhistas, surfistas e frequentadores da Praia de Iracema, em Fortaleza, desde o último domingo têm se deparado com um processo oceanográfico que, apesar de belo, é motivo de alerta: a ocorrência de maré alta. Ontem, conforme a tábua de maré - ferramenta de medições - da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a estimativa é que as ondas atingiram 2,7 metros. O intenso movimento do mar deixou marcas e arrastou pedras e terra para o calçadão da orla.
Para os admiradores, os dias têm sido de apreciação das águas que chocam-se contra as pedras. A intensidade das ondas é também atrativo para os surfistas, que ontem à tarde lotavam a Praia de Iracema. Já para os banhistas, o período é de receio. "Venho quase todos os dias para cá e sempre entro no mar. Mas quando está assim é muito complicado porque fica muito forte e tenho medo de ser jogado nas pedras", relata o lojista Haji Airs.
O temor é semelhante ao do motoboy Leondenis Valetin, que costuma nadar na Praia de Iracema. "Eu nunca tinha visto a maré alta desse jeito. É muito bonito, mas é um risco. Melhor apreciar de fora", relatou.
Enquanto os banhistas apreciavam o choque das ondas nas rochas, na tarde de ontem, trabalhadores da Ecofor - empresa privada que atua na limpeza urbana de Fortaleza - usavam duas escavadeiras para retirar as pedras e a areia espalhada no calçadão. O trabalho, segundo a Regional II, é feito com base em um monitoramento das marés.
A previsão para os próximos dias é que a maré alta continuará ocorrendo. Segundo as medições do site da Funceme, hoje, às 15h08, com a Lua Crescente, a maré atingirá 2,9m, no Porto do Mucuripe. Já no Terminal Portuário do Pecém, o maior registro deverá acontecer às 15h, com 2,8m. A tábua de maré disponibilizada pela Funceme aponta também que haverá ressacas - onda de 3,0m ou mais - no Porto do Mucuripe, nas tardes dos dias 24, 25 e 26.
O encarregado da Divisão de Inspeção Naval e vistoria da Capitania dos Portos, tenente Francisco do Horizonte, diz que a recomendação é para evitar adentrar no mar durante as ressacas, e não permitir que as crianças fiquem sós. "Qualquer área em Fortaleza é considerada área desabrigada, que é onde as ondas batem com força na praia. Para os navegantes, emitimos um aviso para que evitem sair com jangada", explica. Conforme o tenente, o intervalo entre agosto e fevereiro é mais propício a ressacas. Neste período, as ondas podem atingir de 4,5 a 5 metros, a depender das condições meteorológicas.
Relações
A diretora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ozilea Bezerra, explica que há dois tipos de maré, e elas estão diretamente relacionadas às fases da Lua. Nas luas Nova e Cheia a maré é de sizígia e é mais alta que a maré de quadratura, que ocorre durante as luas Minguante e Crescente.
A maré de quadratura, segundo a professora, chega a ser até 30% mais fraca do que a maré de sizígia. Apesar do movimento, a atual maré é de quadratura (mais fraca) com a ocorrência de Lua Crescente. Mas, a partir do dia 25, será de sizígia. Outro fato que ocorre neste período e pode motivar a maré alta é a entrada das chamadas ondas de swell, que vêm do Atlântico Norte, devido à intensificação dos ventos. (Colaborou Emanoela Campelo)