HGF acompanha mais de 50 pacientes com sequelas neurológicas pós Covid-19

A assistência do Serviço de Neurologia do hospital é gratuita e orienta por consultas presenciais ou teleatendimentos

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Legenda: É necessário buscar um encaminhamento prévio da Secretaria da Saúde para ter acesso ao atendimento.
Foto: Divulgação/HGF

Devido à persistência de sintomas neurológicos em muitos pacientes pós-Covid, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) tem disponibilizado, desde o ano passado, um acompanhamento gratuito e especializado para atender queixas da população com complicações relacionadas à Sars-Cov-2. O Serviço de Neurologia da unidade, atualmente, fornece assistência a mais de 50 pacientes por meio de consultas presenciais ou teleatendimentos.

O serviço ambulatorial acontece toda sexta-feira pela manhã, de 8h às 12h, onde será realizada a avaliação da parte neurológica dos pacientes. A partir desse resultado, o tratamento inicia com indicações de medicamentos, exames, consultas periódicas ou internações, a depender de cada caso.

De acordo com a médica e chefe do Serviço de Neurologia do HGF, Fernanda Maia, é necessário buscar um encaminhamento prévio da Secretaria da Saúde (Sesa) para ter acesso ao atendimento. Além disso, os próprios profissionais do hospital acionam à equipe especialista caso hajam pacientes internados no local com suspeitas de problemas neurológicos ocasionados pelo coronavírus.

Segundo o neurologista André Borges, que também atua no HGF, um dos diferenciais do suporte ambulatorial são as consultas por teleatendimento, visto que há a diminuição do número de pessoas circulando pelas dependências do hospital, garantindo maior segurança a todos. 

Temos tido uma adesão surpreendemente boa à telemedicina, principalmente entre pacientes procedentes do interior, que apresentam maior dificuldade de locomoção”
André Borges
Neurologista

Os principais sintomas

Conforme explica a chefe do Serviço de Neurologia, Fernanda Maia, os principais sintomas relatados pelos pacientes pós-Covid são a perda do olfato e do paladar, “que acontecem pelo acometimento dos nervos responsáveis por fornecer essa informação para o cérebro”.

Além de dores de cabeça, algumas sequelas motoras e queixas cognitivas, as quais englobam a capacidade de raciocínio, a memória e a tomada de decisões, por exemplo. “A grande maioria deles tem mostrado sinais de reversibilidade com o tempo”, pontua a médica.

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Legenda: É importante que a população seja devidamente encaminhada para o tratamento, a fim de que hajam intervenções rápidas voltadas para a melhoria da qualidade de vida e dos sintomas desses pacientes.
Foto: Divulgação/HGF

Já as causas dessas complicações no organismo ainda não foram totalmente delimitadas. “Acredita-se que tanto pode haver alterações relacionadas a uma lesão direta do vírus, como podem ser também relacionadas a substâncias inflamatórias que existem no nosso corpo para combater a Covid-19, mas que acabam causando disfunção das células nervosas”, retrata Fernanda.

“Outra hipótese que tem ganhado muita atenção no meio científico é a alteração de coagulação relacionada ao coronavírus. Os pacientes têm apresentado uma incidência maior de fenômenos trombóticos, como o acidente vascular cerebral (AVC)”, continua.

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Legenda: Os principais sintomas relatados pelos pacientes pós-Covid são a perda do olfato e do paladar, além de dores de cabeça, algumas sequelas motoras e queixas cognitivas.
Foto: Divulgação/HGF

Segundo a especialista, o acometimento neurológico pode acontecer tanto na fase aguda quanto na fase crônica da Covid-19, não sendo estabelecido, assim, um momento específico para surgir. 

“Temos alguns pacientes que tiveram durante a doença, alguns outros nos primeiros 15 dias após a recuperação - chamada fase subaguda - e temos também relatos de pacientes depois de seis meses”, explana a chefe do Serviço de Neurologia do HGF.

O tratamento é crucial

Nesse cenário, a médica relata que é muito importante que a população seja devidamente encaminhada para o tratamento, caso os médicos suspeitem dessas complicações relacionadas ao coronavírus, a fim de que hajam intervenções rápidas voltadas para a melhoria da qualidade de vida e dos sintomas desses pacientes.

Ainda não entendemos totalmente como esse tipo de acometimento neurológico vai evoluir, então é muito importante que a gente consiga ver o maior número possível de pacientes”
Fernanda Maia
Chefe do Serviço de Neurologia do HGF

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