Fortaleza tem predominância de imóveis construídos nos anos 1990

As construções realizadas entre os anos de 1991 e 2000 representam 23,8% do total de imóveis cadastrados na Prefeitura. Portanto, boa parte das edificações é de um período em que a cidade passava pela criação de novas centralidades

Legenda: Os imóveis dos anos 1990 têm modelos simples e homogêneos, segundo arquiteto
Foto: Foto: Fabiane de Paula

Uma capital de 293 anos, com 121 bairros e uma população estimada em 2.669.342 habitantes. Fortaleza é uma cidade-metrópole que carrega nas edificações traços de sua diversidade: dos prédios coloniais aos modernos padronizados. Mas, em qual período histórico houve movimento mais intenso de construção de imóveis na Capital?

Dados do cadastro imobiliário oficial de Fortaleza, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), apontam que dos 871.689 imóveis registrados, 208.252 foram construídos entre os anos 1991 e 2000. O equivalente a 23,8% do total cadastrados. Isto evidencia a predominância de edificações da década de 1990. Nesse tempo, 1995, é o ano com o maior número de construções. Ao todo, são 52 mil edificações.

Se avaliada a forma de expansão da Cidade, a partir dos dados do cadastro, nota-se que há um movimento histórico de ocupação partindo do Centro rumo à área Oeste (com imóveis em bairros como Cristo Redentor, Carlito Pamplona, Farias Brito) e em seguida à Leste (com imóveis na Aldeota e Meireles). Posteriormente, o registro indica que as edificações seguem na direção dos bairros que constituem as regionais IV, V e VI.

CRESCIMENTO REFLETE CICLOS DE OCUPAÇÃO DA CIDADE

O arquiteto e urbanista, mestre em Geografia, Frederico Augusto Nunes, explica que a história dos imóveis evidencia justamente os ciclos de ocupação que a cidade experimenta ao longo dos anos. Ele enumera: a época de presença concentrada no Centro; a estruturação de bairros residenciais como Benfica e Jacarecanga com grandes casarões; o desenvolvimento da Aldeota, por volta da década de 1940, a criação de grandes núcleos comerciais nos anos de 1970 com inauguração de shoppings e descentralização política-administrativa da cidade na década de 1990.

Nesse último período, relata o professor, há o desenvolvimento de novas centralidades na Capital e a arquitetura reflete o contexto histórico, político e social da época vivida. "O patrimônio cristaliza e engessa nas suas tendências o momento", reforça o professor.

"Os anos 1990 têm muitas característica dos edifícios verticalizados porque Fortaleza passava por esse processo de expansão de construção urbana. Reprodução de cerâmicas pastilhas no revestimento de edifícios, uma produção de prédios verticalizados com basicamente o mesmo layout nos apartamentos típicos. Edifícios com caixas de elevadores localizadas ao Centro, edifícios simples, mas pobres nas suas variações", garante.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea), Emanuel Mota, avalia que "Fortaleza é uma cidade nova que está envelhecendo agora". Isto porque os "booms imobiliários" ocorreram no fim de 1970 e voltaram a acontecer nos anos 2000.

Garantir informações atualizadas sobre a idade dos imóveis, reitera ele, auxilia nas ações de conservação. "Tem muitos prédios dos anos 30 e 40 que estão de pé, mas todos têm uma rotina muito séria de manutenção ou já passaram por restauração. É a forma de prolongar essa vida útil".

 

 

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