Estudantes do Ceará criam sistema para detectar incêndios

Desenvolvido em parceria entre estudantes do IFCE e da Uece, projeto EVA ajuda a mapear situações de risco

Um grupo de alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Limoeiro do Norte, desenvolveram um equipamento de baixo custo capaz de detectar incêndios florestais e invasões a áreas indígenas no Estado. O aparelho consegue operar em qualquer bioma onde houver cobertura telefônica e, depois de instalado, monitora a temperatura ambiente e notifica sobre as condições climáticas do espaço.

O projeto foi iniciado em julho deste ano, motivado pelo aumento das queimadas, mais comuns no segundo semestre do ano por conta das condições climáticas. “Decidimos fazer algo a respeito. Houveram reuniões estratégicas e, no mês de julho, tínhamos criado um plano de ação ágil e prático, unificando as áreas da Biologia e Engenharia”, explica Paulo José, 22, do curso de Eletrotécnica do campus de Limoeiro do Norte e um dos integrantes da equipe.

A partir da ideia, surgiu a Estação de Valorização Ambiental (EVA), nome que faz referência a personagem da animação de 2008, Wall-E, produzida pela Pixar Animation Studios.

“O nome faz referência ao personagem do filme Wall-E, que vem à Terra buscar por vida após a humanidade ter inundado o planeta com lixo e poluído com gases tóxicos”, explica Paulo.

Além dele, também conduzem a pesquisa os estudantes Fábio da Costa, 26, do curso de Mecatrônica do IFCE, além da estudante Amanda Riziane, 18, que cursa Ciências Biológicas, na Faculdade Dom Aureliano Matos, da Uece.

Legenda: O protótipo do EVA custou cerca de R$ 250, recurso que saiu do bolso dos próprios estudantes.
Foto: Arquivo Pessoal

Funcionamento

O modelo de comunicação inteligente é capaz de notificar casos de incêndios, invasões a terras indígenas, além de conseguir mapear espécies da fauna e flora nos ecossistemas brasileiros.

O sistema está sendo desenvolvido com financiamento dos próprios alunos e tem um custo médio de R$ 450 - com matéria-prima nacional. Porém, como os desenvolvedores trabalharam com insumos importados, o custo do protótipo, a ser finalizado até o fim de setembro, caiu para R$ 250. “O modelo utiliza peças específicas para prototipagem e o código foi programado pela gente”, explica Paulo. “Se fossem muitas peças, o custo cairia ainda mais”, explica.

Produzido com recursos próprios, Amanda destaca a necessidade de investimento. "As ideias se perdem com o tempo, devido à desvalorização dos pesquisadores. A descrença faz com que tenhamos desmotivação e bloqueio criativo". A opinião é compartilhada por Fábio, que também participa da equipe. "É muito difícil criar, obter patente e empreender no Brasil, por conta da burocratização e custos", destaca.

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Os estudantes explicam que o modelo pode monitorar a temperatura do ambiente e notificar sobre as condições climáticas, seja pelo calor dos focos de incêndio ou pelo frio da chuva. “Ele também mapeia a fauna e a flora, busca registar espécies de plantas, insetos e animais, obter informações da saúde e contabilizar dados. Tudo isso ocorre devido a sensores e câmera que podem medir e fotografar em tempo real, enviando mensagem a um smartphone cadastrado”, pontua Paulo.

“O equipamento possui acesso à internet e pode operar 24 horas por dia, fazendo autocarga via energia solar. A ideia central é proteger os ecossistemas brasileiros dos ataques, acidentes, invasões, etc”.

Legenda: O sistema conta com sensores e câmera que podem medir e fotografar, em tempo real, as condições do ambiente. Após isso, EVA envia mensagem a um smartphone cadastrado no sistema.
Foto: Arquivo Pessoal

Investimento

O projeto está na última fase de conclusão e o protótipo da EVA deve ser finalizado até o fim deste mês para que, no início de outubro, comecem os testes práticos. “Estamos buscando parcerias junto às operadoras de telefonia para obter melhores planos de internet. Na nossa visão, o projeto contribui ativamente para a sociedade. Seu impacto é global, direto e indireto”, expõe Paulo, ressaltando que a tecnologia segue sendo atualizada.

“Além da instalação nos biomas, o modelo também pode ser adaptado para operação em locais públicos e privados, instituições e afins, inúmeros setores serão beneficiados, desde a fauna, flora e seres humanos. A vida será preservada”.

Para começar a utilizar o equipamento, os estudantes também mapearam as denúncias para saber onde está a maior incidência. “A gente ainda depende de uma tecnologia. No compasso que a tecnologia evolui, a gente também evolui. Esperamos, por exemplo, inserir localização no produto. Caso ele seja roubado, por exemplo, a gente pode recuperá-lo”, destaca o estudante. 

O protótipo ainda receberá alguns acabamentos para a testagem em campo, que deve ser feita no município de Limoeiro do Norte, um dos mais atingidos pelas queimadas no Ceará. “Primeiro vamos testar onde temos alcance, no Vale do Jaguaribe”, explica Paulo.

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