Especialistas esclarecem cinco dúvidas sobre as vacinas contra a Covid-19

Campanha de vacinação continua a imunizar população brasileira. No Ceará, mais de 4.9 milhões de doses já foram aplicadas

Legenda: Adesão de brasileiros à vacinação chegou a 94% da população
Foto: Shutterstock

Em meio ao volume de informações produzidas diariamente sobre a Covid-19, diversos boatos e notícias falsas também passaram a compor o cotidiano da população. Tais práticas podem acabar prejudicando campanhas importantes, como a atual vacinação contra a doença, medida fundamental para retomar todas as atividades econômicas e trazer normalidade para as relações sociais.  

Mesmo com todo o trabalho de desinformação promovido em canais como Whatsapp, Facebook e Youtube, a adesão dos brasileiros à vacinação chegou a 94% da população, segundo levantamento realizado pelo Datafolha e divulgado na última terça-feira (13). Atualmente, mais de 40% da população brasileira já tomou a primeira dose de uma das vacinas. Somente no Ceará, mais de 4.9 milhões de doses foram aplicadas. 

 Como forma de reduzir eventuais dúvidas da população, conversamos com Luciano Pamplona, docente da Pós-graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Edson Teixeira, imunologista e docente do Departamento de Patologia e Medicina Legal da UFC, sobre cinco dúvidas relacionadas a vacinação contra a Covid-19.  

A pessoa está totalmente imune após as duas doses da vacina? 

Edson Teixeira: “A pessoa, ao tomar a vacina e completar o esquema vacinal, está protegida dentro daquela eficácia encontrada nos estudos para o desenvolvimento da vacina. Isso não quer dizer que a pessoa não possa, especialmente agora com a alta circulação viral pelo país, contrair o vírus e até mesmo adoecer e ficar em estado grave.” 

Para estar imunizado, é melhor pegar a Covid-19 do que tomar a vacina? 

Edson Teixeira: “Não. Pegar Covid-19 tem uma taxa de letalidade. A vacina é fundamental e é óbvio que ela é mais segura do que você contrair a doença, ou seja, não se tem imunidade de rebanho e nunca se falou nisso com relação a imunidade natural, sempre em relação a cobertura de vacinas.” 

Desde o ano passado, informações sobre uma eventual imunidade ao vírus, obtida após o contágio, passaram a circular. Como novos estudos sobre a doença ainda estão sendo realizados ao redor do mundo, não se sabe com precisão o grau de imunização que o indivíduo atinge após a infecção. Ou seja, atualmente, somente com a vacina o organismo estará preparado para lidar com um possível agravamento da doença.  

Existem vacinas melhores que outras? 

Luciano Pamplona: “É provável que daqui a cinco, dez anos, com a evolução das vacinas, com o caminhar da ciência nesse processo, a gente identifique vacinas que poderão surtir efeito melhor a longo prazo. Nesse momento, a melhor vacina para Covid que existe é a vacina que está disponível pra você no posto de saúde hoje. Esperar por uma vacina daqui uma semana, daqui a um mês ou daqui a um ano melhor, é uma grande bobagem, e na perspectiva da saúde coletiva, é uma irresponsabilidade.

Será preciso tomar a vacina contra a Covid-19 todos os anos? 

Edson Teixeira: “Nós não sabemos ainda se será necessário, mas devido à alta taxa de mutação que nós temos observado nesse vírus, há realmente essa perspectiva de que seja necessário vacinar anualmente contra as cepas que forem aparecendo, ou seja, atualizar a vacina e revacinar.” 

Luciano Pamplona: “Todos os estudos estão sendo feitos nesse momento agora, servem, entre outras coisas, exatamente pra isso, para monitorar o efeito vacinal. Então, precisamos monitorar e essa é a última etapa que a gente precisa fazer. (...) São os estudos de fase quatro, é monitorar essas populações que foram vacinadas pra ver por quanto tempo e até quanto tempo elas vão continuar sendo protegidas pela vacina.” 

Vacinas são capazes de alterar o DNA dos indivíduos? 

Edson Teixeira: “Isso é uma falácia. (...) Para nós imunologistas, é um absurdo completo de imaginar que isso seja possível. As vacinas são extremamente seguras, nós já conhecemos a vacina há mais de um século e sem dúvida nenhuma foi um avanço na medicina como nenhum outro.” 

Luciano Pamplona: “Nenhuma vacina é capaz de alterar o DNA de ninguém. Então, infelizmente são fake news que circularam. Mas as vacinas não têm essa capacidade.”

Confira as listas de vacinação divulgadas pela Prefeitura de Fortaleza

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