Escolas particulares propõem retomada das aulas a partir de 27 de julho em Fortaleza

O retorno, que deve acontecer gradualmente, ainda precisa ser aprovado pelo Governo do Estado

Presidente do Sinepe
Legenda: Andréa Nogueira (foto), presidente do Sinepe, acredita que as escolas privadas estão preparadas para receber os alunos. "Todos os protocólos de saúde estão sendo seguidos", diz
Foto: Arnaldo Araújo

As discussões sobre retorno pedagógico continuam na rede privada de ensino. O Sindicato de Educação da Livre Iniciativa do Ceará (Sinepe) diz que apresentou ao Governo do Ceará, na última quarta-feira (15), uma proposta para volta letiva a partir do dia 27 de julho. A retomada está prevista para acontecer em três etapas, com uma semana de intervalo entre elas. A reportagem do Sistema Verdes Mares entrou em contato com o Governo do Estado para saber se a proposta já está em análise e aguarda retorno. 

De acordo com Andréa Nogueira, atual presidente do Sinepe, a nova proposta de data para o retorno presencial é uma alternativa para comportar a nova realidades dos responsáveis. “Pelo boletim epidemiológico, é certeza que Fortaleza avance para fase 4. Nós temos depoimentos de pais que são de setores que já voltaram ao trabalho e não estão conseguindo deixar os filhos em outro local”, indica Andréa. Além disso, o lado financeiro também pesou para a medida. 

“Pode minimizar os cancelamentos e rescisão de contrato. A escola privada está preparada para retomada. Desde 15 de maio, estamos trabalhando os protocolos sanitários para retorno seguro”, aponta a presidente.

Na última quarta-feira (15), o governador Camilo Santana retirou a permissão de atividades letivas presenciais do plano de retomada da Capital. A medida impactou a rede privada de ensino, que já articulava retorno na próxima semana. “É uma opinião bastante válida”, avalia Andréa. “Nosso setor se reuniu com o Governo com a nova data e pretendemos adiar em uma semana. Estamos bastante confiantes”, conclui.

Etapas

A pretensão do ensino particular da Capital é retornar gradativamente, em três etapas. A primeira, que iniciaria no dia 27, conta com o retorno da educação infantil, dos alunos do 1° e 2° ano do ensino fundamental I e do 9° ano do ensino fundamental II. Nesta fase, devem voltar ainda os alunos do 3° ano do ensino médio e as atividades extracurriculares, como música e robótica. 

Uma semana depois, retornam as outras séries do ensino fundamental I e ensino fundamental II, além das aulas preparatórias para concursos e as atividades profissionalizantes. Por fim, a fase 3 proposta pelo Sinepe comporta a volta das turmas de 1° e 2° ano do Ensino Médio e o Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

“Nós estamos nos preparando para esse retorno desde maio. As escolas já tomaram todas as providências. No caso da educação básica, vamos trabalhar com rodízio de recreio e fazer rotação também de entrada e saída dos alunos”, completa Andréa.

Ensino híbrido

As instituições representadas pelo Sinepe já articulavam um retorno aos estudos a partir do dia 3 de agosto, em modalidade híbrida de ensino. Dessa maneira, os responsáveis poderiam escolher entre duas opções: que o estudante permaneça em aulas remotas ou que se adeque ao ensino presencial oferecido pela escola. Segundo o Sindicato, todas as medidas sanitárias devem ser seguidas. 

Entre os protocolos de adequação está o rodízio presencial de alunos, no qual os estudantes frequentarão a sala de aula somente em dias pré-determinados pela administração. "As propostas têm duas bases: o cuidado com a higienização pessoal e dos espaços; e o distanciamento físico", pontua Andréa Nogueira. "As escolas da rede privada estão preparadas para a retomada das aulas presenciais no dia 20, mas estão enviando questionários para saber a opinião dos pais", revela.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) discute o retorno presencial pedagógico desde o mês passado. O Ceará é um dos 13 estados a integrarem a comissão. O grupo elaborou uma cartilha com orientações, onde três fatores são considerados adequados para as aulas: infraestrutura e recursos, continuidade da aprendizagem e capacidade de análise da crise sanitária. 

"A escola que crianças e adolescentes vão encontrar, infelizmente, não será muito diferente da que se tem hoje, pois mudanças em educação demandam tempo e investimentos em recursos humanos, materiais e infraestrutura", opina Rui Aguiar, coordenador do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Ceará.

A entidade foi uma das consultadas para a elaboração da cartilha. Ele explica que o documento é uma diretriz e que a adoção das orientações depende da legislação e política educacional de cada região.

 

 

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