“É o maior incêndio que já vi em 7 anos no Cocó”, diz secretário do Meio Ambiente do Ceará

O local afetado, segundo o secretário Artur Bruno, apesar de ter muito capim seco, é uma área de muita lama e difícil acesso por máquinas

Escrito por Thatiany Nascimento , metro@svm.com.br

Metro
parque do cocó
Legenda: Um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) carrega água e joga na área afetada.
Foto: Fabiane de Paula

O incêndio que atinge o Parque do Cocó, maior parque natural em Fortaleza, desde a noite de quarta-feira (17) não foi debelado ainda, e, por ocorrer em uma zona de muita lama e difícil acesso por máquinas, o trabalho é mais complicado.

Não é possível dimensionar, até o momento, precisamente a área afetada pelas chamas, mas, segundo o titular da  Secretaria do Meio Ambiente (Sema), em entrevista ao Diário do Nordeste, Artur Bruno, a ocorrência é a de maior proporção acompanhada por ele, que está à frente da pasta desde 2015. 

“É uma área muito grande na beira do Rio Cocó. Não é o primeiro incêndio que acontece nessa área, não tem residências próximas, é uma área pouco ocupada e é muito difícil de fiscalizar. Mas é o maior incêndio que eu já vi nesses 7 anos que estou à frente da Secretaria de Meio Ambiente”, disse em entrevista ao Diário do Nordeste

parque do cocó
Legenda: Localização estimada da ocorrência do incêndio no Parque Cocó

No momento, brigadistas executam o chamado aceiro que é uma espécie de “raspagem” da área da vegetação de forma que haja uma zona de isolamento entre o capinzal incendiado e as demais vegetações do Parque. 

“Eles estão com enxadas e pás de forma manual para evitar que o fogo se alastre. Estou tentando ver se consigo uma máquina, uma escavadeira, com outros órgãos, para ajudar também”. 
Artur Bruno
Titular da Secretaria do Meio Ambiente (Sema)

De acordo com o secretário, os bombeiros foram acionados na noite de quarta-feira, e na manhã desta quinta-feira os brigadistas da Sema foram ao local. No momento, segundo ele, 18 brigadistas da Secretaria atuam dentro do Parque e três viaturas do Corpo de Bombeiros. Além disso, um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) carrega água e joga na área afetada. 

“Aqui é uma área que não dá para entrar viatura. Área de muito lamaçal. É na beira do Rio e não tem como entrar carro. Por isso é difícil combater o incêndio”.
Artur Bruno
Titular da Secretaria do Meio Ambiente (Sema)

Conforme o secretário, o incêndio afetou uma área à margem direita do Rio Cocó entre a Avenida Murilo Borges e a Rogaciano Leite. Esse território, no primeiro semestre, geralmente fica alagado. No segundo semestre é uma espécie de capinzal seco, que, em casos de incêndio contribuem para a ampla propagação do fogo. 

Trabalho dentro do Parque

Artur Bruno destacou que a concentração dos trabalhos agora é para debelar o fogo, e que as causas ainda serão investigadas. O secretário listou alguns possíveis motivos, mas enfatizou que não se pode ainda precisar o que, de fato, provocou o fogo no Parque.

fogo no parque do Cocó
Legenda: Aeronave da Ciopaer realiza sobrevoo em área devastada pelas chamas
Foto: Fabiane de Paula

“Pode ter sido em comemorações do jogo de ontem, alguém pode ter jogado fogos para dentro da área, pode ter sido um pescador pescando de madrugada. Um incêndio criminoso, um acidente. No segundo semestre é mais complicado porque tem baixa umidade, com temperatura elevada e ventos fortes, tudo isso junto é fácil gerar incêndio”, completou. 

Impactos ambientais e para a saúde

O impacto direto ao meio ambiente ainda não foi dimensionado, pois, emboja já se saiba que árvores foram perdidas, não se tem ainda estimativa de quantas precisamente, nem o número de animais afetados na área de proteção, diz Artur Bruno. “Assim que a gente controlar, uma equipe nossa vai fazer esse levantamento”. 

“O Parque Estadual do Cocó atravessa Fortaleza. São 1.580 hectares. Qualquer incêndio que acontece no Parque sempre gera prejuízo ambiental. Tanto para a flora, como para a fauna. Não dá ainda pra vislumbrar se houve morte de animais, porque a gente não consegue visualizar isso. Vamos debelar. Mas, é uma perda importante. Essa fumaça gera problema respiratório para as pessoas e para os animais”, ressalta.