Defesa Civil registra 88 chamados por risco de desabamento durante janeiro em Fortaleza

O maior número de ocorrências foi registrado na Regional V da Capital

Presidente do Crea-CE reforça que medidas de prevenção devem ser tomadas
Legenda: Presidente do Crea-CE reforça que medidas de prevenção devem ser tomadas
Foto: Nilton Alves

Do total de 107 ocorrências registradas pela Defesa Civil em Fortaleza durante este primeiro mês de 2021, até esta segunda-feira (25), 88 foram de risco de desabamento. Outros 16 chamados foram para incêndios e desabamentos em si, ambas as ocorrências com oito registros na Capital. Os números foram obtidos a partir do relatório da Defesa Civil.

Conforme o relatório, ainda, três registros foram classificados como “outros” e pode ser caracterizado como vistoria, trote, monitoramento, crateras em via pública, asfalto cedendo, vulnerabilidade social, entre outras ocorrências.

Regionais com mais registros de ocorrências

Do total de registros de risco de desabamento, os maiores números foram registrados na Regional V, que abrange bairros como Siqueira e Bom Jardim, com 20 ocorrências; 18 foram na Regional II; 17 chamados foram atendidos na VI e 13 na IV. 

Já em relação aos incêndios, quatro foram registrados na Regional V, dois ocorreram na IV, um chamado na II e outro na Regional III.  Os desabamentos aconteceram, em sua maioria, nas Regionais II, III e VI, com dois registros cada. Os outros dois chamados de desabamento foram atendidos pela Defesa Civil na Regional I e no Centro.

Sinais de que o imóvel está com risco de desabamento

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (CREA-CE), Emanuel Mota, os primeiros sinais de alerta para riscos de desabamento de uma edificação são os surgimentos de fissuras ou rachaduras na estrutura.

“Esse número já acende um alerta. Existem diversos motivos para o desabamento. Em geral, eles são causados por problemas na estrutura de concreto e aço das edificações. Quando isso ocorrer, um engenheiro deve ser procurado para que ele possa orientar se aquilo gera algum risco, se precisa apenas de uma manutenção preventiva ou algo mais grave, que precise de uma recuperação da estrutura”, aponta.

Segundo o profissional, a maioria dos problemas estruturais estão associados à umidade ao longo dos anos.  “No Edifício Andréa, por exemplo, acontecia uma oxidação das armaduras de concreto, que poderiam ter sido salvas através de manutenções rotineiras, evitando contato direto com a água”, diz Emanuel.

Envelhecimento da cidade

Outra questão levantada pelo presidente do CREA é o envelhecimento da cidade. “A gente teve uma grande verticalização nos últimos anos e isso chegou a uma idade mais madura, o que requer uma atenção maior”. Já nas periferias, o problema é mais enraizado, conforme Emanuel. “Não estão acostumados a contratar serviços de engenharia, por acharem que é caro, e acaba que o serviço é feito por pedreiros e mestres de obras que não têm a técnica, apenas operacionalizam o serviço. Na realidade, o serviço de engenharia poderia ser considerado caro quando não havia oferta de profissionais, há alguns anos, mas hoje a situação é outra”, detalha. 

“Para que uma estrutura seja trabalhada, é necessário o serviço do engenheiro, com o objetivo de não haver uma perda daquele imóvel em um desabamento ou apresentar falhas nas estruturas”, coloca.

 

 

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