Conselho do Parque do Cocó vota a favor da proibição de animais domésticos em trilhas ecológicas

A aplicação da medida foi colocada em discussão nesta quarta-feira (14) durante reunião do Conselho Gestor do Parque Estadual do Cocó

Cachorros na trilha do Cocó
Legenda: A limitação valerá apenas para áreas internas do Parque do Cocó, como a trilha ecológica
Foto: Natinho Rodrigues

O Conselho Gestor Consultivo do Parque Estadual do Cocó se posicionou a favor da proibição de animais domésticos nas trilhas ecológicas do Parque. A votação foi realizada na manhã desta quarta-feira (14) durante reunião da equipe consultiva. Duas propostas foram apresentadas no encontro: a primeira, vitoriosa, favorável à limitação, recebeu seis votos dos conselheiros. Já a segunda alternativa acumulou três votos e propôs a criação de uma câmara técnica para nova discussão sobre a entrada de animais.

Representantes do movimento Cachorros nas Trilhas do Cocó, grupo de tutores de animais domésticos contrários à proibição, participaram da reunião do Conselho. Durante a apreciação integrantes do movimento tiveram espaço para mostrar os contrapontos da proposta. À frente do grupo, o professor universitário Ismar Capistrano informa que deve solicitar mediação do Ministério Público do Ceará (MPCE). "Vamos entrar em contato com o Ministério Público e continuar a sensibilização. Pouca gente ainda tem conhecimento dessa situação", conta.

Cachorros no Parque do Cocó
Legenda: Integrantes do movimento Cachorros na Trilha do Cocó acompanharam a reunião do Conselho
Foto: Natinho Rodrigues

Falta de transparência sobre a decisão também está por trás do posicionamento do grupo. “Essa é uma luta social que precisa de engajamento e negociação”, argumenta Ismar. “É uma discussão que acontece há tempos e nós, tutores, não fomos convidados a participar. A gente questiona essa falta de diálogo”, adiciona o professor.

O secretário do meio ambiente, Artur Bruno, que esteve presente no encontro desta quarta, relembra que o Conselho é uma entidade consultiva e que a discussão foi levada para a reunião para estabelecer diálogo. “O Conselho Gestor é consultivo, não deliberativo. Nos pediram uma oportunidade para apresentar seu ponto de vista e as propostas foram colocadas em discussão”, comenta Artur, e adiciona que o debate sobre a entrada de animais é antigo. 

“Essa discussão acontece há três anos em uma câmara técnica do Conselho. A entrada é inconveniente tanto para os animais silvestres como para animais domésticos nas trilhas nas áreas de florestas. Biólogos nos alertaram sobre isso. Além disso, há problemas de aves que foram mortas por gatos. Alguns animais do Parque ficam estressados com cachorros nas trilhas”, coloca.

Sobre a redução de alternativas de lazer, Artur Bruno adiciona que as áreas externas permanecem liberadas para passeio. “Os pets podem continuar transitando nas áreas do calçadão, no gramado e nas áreas de uso intensivo do Parque. São espaços onde as pessoas fazem piquenique, esporte, caminhada. Inclusive, criamos dois cachorródromos porque achamos que é importante usufruir desses espaços verdes”, frisa o Secretário. 

Novas regras

As limitações sobre animais domésticos no Parque do Cocó integram a discussão sobre o 1º Plano de Manejo do Parque, previsto para ser finalizado ainda em 2020. O documento deve proibir a circulação de cachorros e outros bichos de estimação em locais do Parque em contato direto com a vida selvagem. As recomendações seguem o decreto federal Nº 6.514, publicado em 2008, que define as penalidades em Unidades de Conservação (UCs) do país e vale apenas para as áreas internas do Parque. Dessa forma, a circulação nos calçadões permanece liberada. 

Além do encaminhamento sobre bichos de estimação em trilhas, a votação desta quarta também abordou outros pontos do Plano de Manejo. Entre as determinações do documento, ainda sem data para publicação, estão mudanças no funcionamento interno do Parque, como o fechamento das trilhas ecológicas às segundas para manutenção e a interdição definitiva de campos de futebol no interior da reserva.

"Vamos aguardar a finalização do Plano de Manejo mas estamos há dois meses fazendo trabalho de educação ambiental para as pessoas já irem se acostumando com a ideia. Todas as medidas devem ser implantadas até o fim deste ano", garante o secretário Artur Bruno.

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Redação 30 de Novembro de 2020