Com menos exames realizados, positividade de testes para Covid-19 cai no Ceará

Dos 79,7 mil testes feitos nos primeiros quinze dias de junho para detectar a infecção, 47,2% resultaram positivos. 15 dias antes, quando foram feitos 119,7 mil testes, a taxa de positividade estava em 50,39%

Em Fortaleza, a taxa de positividade para a Covid-19 na primeira quinzena de junho é a menor desde a segunda quinzena de fevereiro.
Legenda: Em Fortaleza, a taxa de positividade para a Covid-19 na primeira quinzena de junho é a menor desde a segunda quinzena de fevereiro.
Foto: José Leomar

Nos últimos 15 dias, entre 1º e 15 de junho, foram feitos 79,7 mil exames para detecção da Covid-19 no Ceará. Destes, 47,2% (37,6 mil) resultaram positivos. Comparando a quinzenas anteriores, a taxa de positividade atualmente é a menor desde março, pico da segunda onda da pandemia no Estado. Mas isso porque, só na segunda quinzena daquele mês, foram feitos 139,4 mil exames, quase o dobro de agora, tendo sido 45,6% (63,7 mil) desses positivos.

15 dias antes, na segunda quinzena de maio, quando foram feitos 119,7 mil testes, a taxa de positividade no Ceará estava em 50,39%.

A diminuição da positividade, bem como da demanda por testes, mostrada na plataforma IntegraSUS, pode já ser resultado da aceleração do ritmo de vacinação contra a doença. “15 dias atrás, a gente ainda estava muito alto na curva da segunda onda e também já aparecia uma tendência de aumentar casos em relação a uma terceira onda. Mas foi justamente quando a vacinação tomou fôlego, principalmente em Fortaleza”, observa a epidemiologista, pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Thereza Magalhães.

Na Capital, conforme o IntegraSUS, a taxa de positividade nos primeiros 15 dias de junho — 32,26% de 22,1 mil exames — é a mais baixa desde a segunda quinzena de fevereiro, quando, dos 42,1 mil testes feitos, 36,09% (15,2 mil) deram positivo.

Segundo Magalhães, a vacinação tem forçado para baixo tanto casos de Covid-19 como internações, sobretudo em enfermaria, “que são aqueles pacientes não tão graves assim”. “Porque os pacientes mais graves mesmo”, ela continua, “a recuperação é muito lenta e é mais difícil perceber uma mudança em pouco tempo”.

Se a campanha de imunização não for interrompida, é provável que a situação de estabilidade permaneça. “A gente ainda corre o risco de uma terceira onda, só que, hoje, a gente visualiza essa onda bem menor. A gente tem uma aceleração de duas, três semanas e já é uma grande resposta. Então, se a gente continua com essa aceleração, a tendência é que o nível de [pessoas] suscetíveis diminua bastante e praticamente segure essa probabilidade”, analisa a epidemiologista.

Manutenção do isolamento

Apesar da redução do número de casos confirmados, Magalhães ressalta que não é momento de relaxar medidas de controle. “O relaxamento da população contribui para que o vírus possa circular mais e, quando o vírus circula mais, eu corro mais o risco [do surgimento] de variantes, o que seria muito ruim porque a gente poderia ter o surgimento de uma variante que não sofresse com a ação da vacina, aí teríamos uma preocupação imensa”, alerta.

Além disso, a especialista explica que a situação se assemelha a uma balança: “De um lado, as pessoas que morrem ou que morreram de Covid-19, as pessoas vacinadas e as pessoas que tiveram a doença recente e que formaram imunoglobulinas para se defender de uma nova infecção numa data próxima. Do outro, os suscetíveis, pessoas que não estiveram em nenhuma dessas condições, ou seja, que hoje ainda poderiam adoecer de Covid-19 grave, que é a grande preocupação”. Contudo, ela diz que cada vez mais esse outro lado tem diminuído.

Demanda por testes

Desde o início do ano, as taxas de negatividade para a Covid-19 eram sempre maiores que as de positividade. Essa situação mudou entre a segunda quinzena de abril e o fim de maio, quando os números positivos se sobrepuseram. Contudo, agora, na primeira quinzena de junho, foram 41,6 mil exames negativos e 37,6 mil positivos dentre os 79,7 mil feitos.

O estudante de publicidade e propaganda Yago Oliveira, 21, foi um dos que fizeram o teste recentemente e negativaram para a doença. Ele conta que buscou o exame numa farmácia porque estava com sintomas de alerta como dor de cabeça, mal estar e secreção nasal. 

“Comecei a sentir sintomas no domingo [6 de junho] da semana passada, sem ter tido contato com alguém infectado, ou não que eu saiba. E aí fiquei com muito medo, porque a minha mãe ia se vacinar no outro final de semana e eu estava com muito receio de estar infectado, ter contato com ela e isso acabar invalidando a vacina dela ou prejudicando. Então, a primeira coisa que tentei fazer foi logo o teste, aquele Swab”, relata.

Com o resultado negativo em mãos, diz que tratou a gripe e, dois dias depois, estava melhor. “Fiquei mais despreocupado porque fiquei com medo de o exame ter dado falso negativo”. 

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