Com 6,9 mil registros a mais, casos de Covid na segunda onda em Fortaleza superam total da primeira

Levantamento feito pelo Diário do Nordeste, com base em dados do Integrasus, aponta que no primeiro ciclo foram 59,5 mil casos da doença. No segundo, até agora, já são 66,4 mil contaminações

testes covid
Foto: José Leomar

O registro é de 2020: aumento de casos de Covid em Fortaleza, pessoas conhecidas contaminadas, familiares também. A doença chegava cada vez mais perto. Nas unidades de saúde, eram numerosas as demandas por internações. UTIs lotadas e mortes. Maio foi o mês do pico na Capital. 

O registro agora é de 2021: a quantidade de infecções que, em meses anteriores, já era crescente, aumenta a velocidade. Conhecidos e parentes adoecem. A gravidade da situação requer mais rigor. O cenário que parece se repetir, traz um agravante. O total de casos da segunda onda já supera o da primeira. Na Capital, são 6,9 mil confirmações a mais.

Não há um dia preciso no qual pode-se dizer que ali teve início a segunda onda da Covid, mas em Fortaleza, conforme avaliação oficial da Prefeitura, o aumento de casos iniciado no mês de outubro evidenciam a  segunda fase do ciclo epidêmico. Hoje, a Capital é novamente o epicentro da Covid no Ceará.

Levantamento feito pelo Diário do Nordeste, considerando o parâmetro de a primeira onda na Capital ter ocorrido de março (registro oficial dos primeiros casos) até o final de setembro, e a segunda começado em outubro de 2020 e perdura até o atual momento, aponta que no primeiro ciclo foram 59,5 mil casos da doença. 

Na segunda, até agora, 66,4 mil. No acumulado são 125,9 mil infecções confirmadas. A análise utilizou dados do Integrasus, plataforma da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) atualizados até as 14h desta sexta-feira (5).  

Na avaliação mês a mês, na Capital, os registros de fevereiro de 2021 também superam os de maio, pico da primeira onda. Em maio, Fortaleza teve 20.189 casos da doença. Esse ano, em fevereiro, 21.211 novos testes positivos foram registrados nas redes de saúde.

Repetições e alertas

Legenda: Apesar do crescimento de casos de Covid-19 e das restrições impostas pelo Poder Público, muitas aglomerações têm sido flagradas em festas clandestinas na Capital e no Interior
Foto: VC Repórter

No começo da pandemia, a sensação era de total desconhecimento sobre o novo vírus. Dentre outros aspectos, pouco se sabia sobre os procedimentos de prevenção. Hoje, há bem mais esclarecimento quanto ao que é possível fazer para prevenir a doença. Mas, no dia a dia, múltiplos fatores têm convergido e tornado a incidência da segunda onda mais crítica.

Em relação aos óbitos, nesse segundo momento, os índices têm sido menos elevados, se comparado ao primeiro, quando 3.963 moradores de Fortaleza perderam a vida. Apesar do recuo, de outubro até agora, ainda assim, foram 942 óbitos. Lutos que têm se multiplicado, sobretudo, de dezembro em diante.  

O incremento acelerado das novas infecções por Covid na Capital pode ter diversos fatores: maior transmissibilidade das novas variantes do coronavírus em circulação na Capital, relaxamento no cumprimento das medidas sanitárias e impacto dos eventos disseminadores como as festas e aglomerações. 

A combinação desses fatores, diz o médico infectologista, Keny Colares, e consultor em infectologia da Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), pode explicar a velocidade de transmissão desse segundo momento.
 
"Desde o final do ano passado, estamos observando um crescimento importante. Crescimento de todos indicadores. Os motivos que poderiam estar associados a isso é a parte comportamental, por conta de melhoria no segundo semestre, foram rebaixando os cuidados. Tanto as medidas oficiais foram flexibilizadas, como as pessoas foram descumprindo mais. Essa falta de proteção pode ter favorecido o crescimento do vírus. Além disso, houve dificuldade de fiscalização no fim de ano", destaca.

Mutações do vírus

Outra possibilidade, acrescenta, é a circulação das novas variantes. "São trabalhos limitados. Ainda estamos tentando entender. Falta a gente ver até que ponto essas variantes vão conseguir, na prática, driblar a proteção imunológica".

Questionado sobre a influência da maior capacidade de testagem, nesse momento, no total de registro de novos casos, o médico reconhece que, atualmente, há mais estrutura.

"Temos um sistema de notificação de teste certamente melhor do que tínhamos há um ano. Estamos conseguindo documentar um pouco melhor. Mas não dá pra creditar só a esse aspecto. Porque na prática o nível de atendimento e pressão no sistema de saúde também aumentam".

Portanto, diante dessa situação crítica, Fortaleza vive desde esta sexta-feira (5) um novo lockdown que deve durar até o dia 18 de março. O anúncio do retorno de medidas mais rígidas foi feito quarta-feira (3) e publicado, quinta, no Diário Oficial do Estado (DOE).  O decreto fecha múltiplas atividades e proíbe a circulação para fins recreativos.

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