Colar e relógio fazem família acreditar que corpo encontrado é de pescador desaparecido em lancha

Filho de Wilson dos Santos recebeu foto que mostra os acessórios do pai. Imagem foi encaminhada por uma das esposas dos tripulantes durante o reconhecimento dos corpos

wilson pescador
Legenda: Wilson comemorou a chegada dos 57 anos ao lado da família, no último dia 12 de janeiro
Foto: Arquivo pessoal

A família de Wilson dos Santos, um dos tripulantes da embarcação O Maestro, que sumiu nas proximidades do Farol de São Tomé, no Rio de Janeiro, enquanto voltava ao Ceará, acredita que um dos dois corpos já encontrados pela Marinha do Brasil é do pescador de 57 anos, completados no último dia 12 de janeiro.  

A suspeita veio após o recebimento de uma foto tirada por uma das esposas dos outros desaparecidos durante o reconhecimento dos corpos, no Porto de Macaé, na noite dessa sexta-feira (5). No registro enviado, aparecem os objetos usados por ele, um relógio e um colar de prata.

Em entrevista ao Diário do Nordeste na manhã deste sábado (6), Flor dos Santos, filha do pescador, detalhou que a imagem não mostra o cadáver, apenas os adornos. Para a família, a foto veio como uma confirmação da morte do pescador. 

“Elas foram fazer o reconhecimento, e pelas características, viram que era ele. Para tirar a dúvida, tirou a foto do cordão e do relógio somente. Quando a gente viu, não teve dúvidas. Eram exatamente iguais. Ele nunca tirava o cordão e o relógio nem quando ele ia pescar aqui”, revela.

O filho de Wilson, Renato dos Santos, já estava com a passagem aérea comprada para ir ao estado fluminense quando recebeu a informação por intermédio de uma das esposas. Foi ele, então, o responsável por repassar a notícia para a família. “Na hora, foi muito difícil porque estava todo mundo confiante. Deixou a gente arrasado”, lamenta Flor. 

Renato saiu do município de Trairi, no Litoral Oeste, por volta de 1h em direção a Fortaleza. Embarcou às 5h30 para o Rio de Janeiro com uma escala em Brasília, de onde gravou um vídeo afirmando que estava indo fazer o “translado do corpo do meu pai”. Ele aproveitou para agradecer a ajuda financeira e as palavras de apoio de “todo o Brasil”. A previsão é de que ele chegue ao meio-dia. 

'Realização de um sonho'

Além de Wilson, estavam na embarcação Guilherme Ambrósio (comandante), Cláudio de Souza (operador de máquina), e os donos da embarcação Ricardo Kirts e Domingos de Souza. O grupo estava a bordo de uma lancha no último dia 29 de janeiro, quando desapareceu em alto mar. As buscas começaram dois dias depois, mas somente na quinta-feira (4) dois corpos foram encontrados a 50 km leste do Farol de Cabo Frio pelas aeronaves.

Oficialmente, o 1º Comando Naval da Marinha do Brasil não confirma a identificação nominal dos corpos. Nessa sexta-feira, o Navio Macaé fez o translado dos corpos da Enseada do Forno, em Arraial do Cabo, para o Porto. 

Ainda no relato de Flor dos Santos,  a ida do pai ao Rio de Janeiro foi carregada de simbolismos, já que seria a primeira viagem de avião do pescador. Wilson foi convidado pessoalmente pelos proprietários da embarcação para fazer a jornada. "Na mesma hora, ele disse 'sim' e perguntou 'já é para ir amanhã?'. O Sr. Ricardo até falou assim: 'Domingos, bem que você falou que o Wilson gosta mesmo'. E ele respondeu: 'Tô te falando que o homem é dos bons'", lembra. 

Os dias que antecederam a viagem foram tomados de ansiedade. "Foi a realização de um sonho. Ele estava muito empolgado. Tinha medo, mas estava tão empolgado que queria ir". Ao desembarcar no aeroporto do Rio, Flor chegou a perguntar o que o pescador havia achado da experiência no ar, ao que ele respondeu: "É bom demais, minha filha". 

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