Clínicas particulares de Fortaleza esgotam vacinas contra gripe

Estabelecimentos alegam dificuldades no transporte aéreo das doses importadas durante a pandemia da Covid-19. Dessa forma, a fila de espera chega a 600 pacientes em alguns dos locais procurados pela reportagem

Legenda: Importadas de laboratórios estrangeiros, as doses chegam ao Ceará por distribuidores do Sudeste do País
Foto: FOTO: FABIANE DE PAULA

A instabilidade na malha aérea causada pela circulação do coronavírus Sars-CoV-2 vem obstruindo o repasse de vacinas contra a gripe em clínicas particulares de Fortaleza. Importadas de laboratórios estrangeiros, as doses chegam ao Ceará por distribuidores do Sudeste do País. A diminuição dos voos, porém, dificulta a entrega das mercadorias e, como efeito, nas unidades de imunização, a resposta a quem procura vacina é uma só: "não temos, estamos aguardando".

Na Clínica Núbia Jacó, na Aldeota, o primeiro lote até chegou na data prevista, em 13 de março, mas depois que as quatro mil doses iniciais esgotaram em apenas dois dias, a logística começou a mudar. Desde então, os fornecedores que ficam em São Paulo e no Rio de Janeiro passaram a mandar quantidades menores. Duas remessas com 500 doses foram enviadas separadamente e ajudaram a atender parte das pendências.

"A gente não está conseguindo receber as vacinas de forma adequada. Elas estão vindo em uma quantidade muito menor do que a gente pediu ou do que esperava receber, e com muito atraso. Mandam menos doses para ver se conseguem o embarque, porque uma carga maior fica difícil colocar na aeronave", alega o diretor médico do estabelecimento, João Cláudio Jacó.

Outras duas mil doses são esperadas, mas a incerteza na distribuição fez a direção da clínica parar de dar previsão aos clientes sobre o recebimento dos lotes. "Inicialmente, a gente até dizia quando poderia chegar, mesmo sendo uma data informada pelo laboratório. Mas, infelizmente, não se tem mais essa condição, porque eu não tenho como resolver, já que o material não está sendo enviado", afirma Cláudio Jacó.

Para tentar suprir a demanda, que cresce a cada dia, a Previne Vacinas organizou fila de espera priorizando o público-alvo de crianças, idosos e pacientes em tratamento de saúde. Em torno de 600 pessoas de diferentes faixas etárias aguardam a chegada de mais doses. "A gente vê as pessoas que deram o nome, bebês, idosos, pacientes que vão começar quimioterapia e querem se proteger", explica a pediatra e diretora da clínica Vanuza Chagas.

Mudança

Com o avanço das confirmações da Covid-19 no Ceará, a forma de aplicação das doses também mudou. A partir da necessidade de reclusão e distanciamento social, medida para evitar a disseminação do vírus, os clientes solicitaram vacinas domiciliares. "Síndicos tomam a iniciativa de organizar grupos de famílias para fazer a vacinação. Mesmo sendo do condomínio, descendo cada família de uma vez, esse processo deve ser feito de uma forma cuidadosa. A gente pede que seja feita em área aberta, a equipe vai com máscara, gorro, avental de manga comprida para proteger a todos", detalha Vanuza Chagas.

No caso da Oto Vacinas, 400 clientes que procuraram a clínica ainda aguardam as doses. De acordo com a diretora, Juliana Moreira, ainda no mês passado, quase duas mil vacinas foram solicitadas e até agora, nenhuma chegou por causa de problemas com o serviço de companhias aéreas. Enquanto isso, ela vê aumentar a procura pela imunização sem poder incluir mais pessoas na fila de espera. "Recebemos muita ligação, muita mensagem, mas a gente não está fazendo mais a fila para não gerar frustração, porque não sabe se as doses vão ser entregues", revela Juliana, lamentando a situação.

Um novo lote com vacinas que havia sido pedido pela Clínica Imunize foi cancelado nesta semana por falta de transporte, segundo a enfermeira Mônica Teixeira. "Estamos na mão deles para que as vacinas cheguem. O problema é geral". O que já chegou, no entanto, não foi suficiente para atender o público. "Foram muitas doses, mas acabam muito rápido".

Ao consultar a disponibilidade da vacina em uma clínica privada para a mãe e os sogros idosos, a autônoma Kamilla Cabral foi informada de que o lote já havia esgotado. "Disseram que não estavam mais passando previsões", pondera. Apesar de não ter data concreta para imunizar os parentes, ela justifica que não irá procurar a rede pública "por medo de aglomerações. Nesse caso, eles preferem aguardar".


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Redação Há 2 horas