Chuvas fortes fazem Rio Cocó transbordar e inundam casas

Acúmulo de água, entre as 7h da segunda-feira e as 7h de ontem, foi de 60 mm, segundo dados da Funceme

Legenda: Na Av. Raul Barbosa, as crianças fizeram dos pontos de alagamentos piscinas, enquanto adultos tentavam retirar a água de dentro de casa
Foto: FOTO: ÉRIKA FONSECA

Chuva em Fortaleza é sinônimo de transtornos em toda a cidade. Ontem não foi diferente. Mas, as precipitações que atingiram a Capital durante o dia causaram problemas ainda maiores do que os já registrados neste ano. No Lagamar, moradores tiveram as casas invadidas pela água do Rio Cocó, que transbordou. Ao todo, a Defesa Civil registrou 76 ocorrências. Destas, 36,8% foram inundações, como a que afligiu os residentes do Lagamar.

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Além do transbordo do Cocó, o acúmulo de água das chuvas, que entre as 7h da segunda-feira e as 7h de ontem foi de 60 milímetros, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), ainda contribuiu para a abertura de crateras nas vias, aumentando o risco de acidentes. A Capital registrou a terceira maior precipitação do Estado no período, ficando atrás apenas de Paracuru (70 mm) e Tururu (65 mm).

Das ocorrências atendidas pela Defesa Civil, 47 foram na Regional VI, área que concentrou o maior número. Do total de chamados, 28 foram por inundações, 26 por alagamentos, 16 por risco de desabamento, cinco por desabamentos e uma por motivo não especificado.

No Lagamar, a aposentada Maria Ferreira, afetada pelas águas do Cocó lamentou "Não sei mais nem o que fazer. Mas é sempre assim, já estou acostumada", disse a idosa, que contou com a ajuda de vizinhos para erguer os móveis e eletrodomésticos já atingidos pela chuva.

Residências

Na comunidade, várias residências passaram pela mesma situação. O fato gerou reações opostas entre os moradores e, enquanto alguns jovens arriscavam-se pulando no Rio Cocó, outros se revoltaram e quebraram parte do asfalto na via que liga a Avenida Raul Barbosa à Avenida Borges de Melo. Devido à ação, o tráfego foi bloqueado no local.

Os temores que afetam os moradores do Lagamar são compartilhados em outra grande área de risco da Capital. No Antônio Bezerra, nas proximidades do Rio Maranguapinho, as chuvas mais intensas trazem as mesmas angústias. "A cada chuva, a água sobe mais, e a terra do quintal desliza", explica a estudante Erislene Gomes, moradora da Rua que leva o mesmo nome do rio.

Às margens do Maranguapinho, no ponto que ainda aguarda a desapropriação por parte do Governo Estadual para eliminação da área de risco, a estudante segue sobrevivendo junto à família. A situação dos vizinhos é semelhante.

"A água chega no joelho quando chove forte, mas não temos para onde ir e ficamos por aqui", diz o mecânico Anselmo Junior, também morador da área. O casebre que divide com a esposa e um filho recém-nascido, durante a quadra chuvosa, fica completamente comprometido, já que a água do Maranguapinho entra e afeta os cômodos da residência.

Na Aerolândia, a água invadiu residências e interrompeu o tráfego. Na Maraponga, a fossa desativada de um condomínio na Av. Godofredo Maciel cedeu, abrindo uma cratera. O problema seria consequência de vazamento na tubulação, mas a erosão agravou o fato, causando o desabamento.

Buracos

No bairro Guararapes, um grande buraco surgiu quando o asfalto no cruzamento das ruas Atiliano de Moura e Jacinto Botelho cedeu. No Cocó, a chuva alagou um condomínio na Rua Vilebaldo Aguiar, impedindo os moradores de sair dos apartamentos e transitar com os veículos.

Em nota, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou que o órgão está realiza a recuperação da ligação de rede de água do prédio, afetada pelo rompimento da calçada na Av. Godofredo Maciel. A Cagece comunicou que o motivo "está sendo analisado, uma vez que se trata de construção antiga". Conforme o órgão, será emitido um laudo sobre as causas da ocorrência, para esclarecer se o que provocou o vazamento.

Confira o momento em que uma cratera se abriu na Godofredo Maciel:

 

Sobre a situação do Lagamar, a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos afirmou, por meio da Coordenadoria de Vias Públicas, afirmou que os trabalhos de recuperação do pavimento só poderão ser iniciados quando a água baixar. "Assim que a chuva der uma trégua, a Coordenadoria vai recuperar o asfalto", garantiu, em nota.

Dia de transtornos tem 37 colisões e sinais apagados

Se os congestionamentos já são comuns em Fortaleza, em dias de chuva esses problemas são fortemente agravados. Ontem, das 8h às 16h, segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), foram registradas 37 colisões, sendo 12 com feridos e 25 sem vítimas.

Uma queda de árvore também foi notificada e em cinco pontos - Alberto Craveiro, Raul Barbosa, Humberto Monte, Santos Dumont e nas ruas Joaquim Lima com Batista de Oliveira - a AMC registrou engarrafamento, sendo necessária a intervenção de agentes para efetuar o controle de tráfego.

Confira mais alagamentos registrados em vídeo:

 

Na Av. Raul Barbosa, os dois sentidos da via ficaram engarrafados durante parte do dia, principalmente no cruzamento com a Av. Murilo Borges. Como o Rio Cocó também transbordou na região do Dias Macedo, a água inundou a Av. Alberto Craveiro, afetando o trânsito desde o cruzamento com a Rua Pedro Dantas até as alças do viaduto sobre a BR-116.

Na Av. José Bastos, próximo ao Terminal da Lagoa, o alagamento comum em dias de chuva estava ainda pior. Carros e motocicletas apresentaram problemas e não conseguiram passar pela água. Na Av. João Pessoa, o engarrafamento durante a manhã ia do Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos (Imparh) até a Avenida da Universidade.

Durante o dia, oito semáforos apresentaram problemas. De acordo com a AMC, essas falhas ocorreram em decorrência de oscilações na rede de energia agravadas pela chuva. Conforme a AMC, enquanto as equipes de manutenção do órgão e da Companhia de Energia do Ceará (Coelce) realizavam os reparos, os cruzamentos eram operados por orientadores de tráfego do Via Livre. O órgão informou que até o início da noite todos os problemas foram solucionados e toda a rede semafórica passou a operar normalmente.


Redação 08 de Julho de 2020