Casos de dengue em Fortaleza estão concentrados em oito bairros; veja lista

Apesar de redução no número de casos da doença em Fortaleza, cuidados no período chuvoso devem continuar

Escrito por Redação,

Metro
homem segurando ampola com água contendo ovos do mosquito aedes aegypti
Legenda: População deve vistoriar pontos de água parada uma vez por semana, diz especialista
Foto: Arquivo

Oito bairros de Fortaleza concentram a maior parte dos 497 casos de dengue registrados na Capital em 2021. Entre os bairros estão a Barra do Ceará, Pirambu e Álvaro Weyne, segundo boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O número de pessoas que tiveram a doença nos três primeiros meses deste ano é 73,5% menor do que a quantidade observada no mesmo período de 2020, quando 1.874 pessoas foram infectadas pelo vírus. 

Mesmo com a redução, a chegada do período de chuva ainda impõe a necessidade de cuidados com os focos do vetor do vírus, o mosquito Aedes aegypti. De acordo com o coordenador de vigilância e saúde da SMS, Nélio Morais, os meses de abril e maio são considerados os mais críticos para a proliferação da doença. 

“É um desafio imenso que nós temos. Não poderemos ter duas epidemias concomitantes em nenhuma capital brasileira, porque o sistema de saúde poderá entrar em colapso”, explica Nélio, lembrando que os hospitais já têm alta demanda de atendimento de pacientes com Covid-19

Bairros que concentram casos de dengue em Fortaleza

  • Barra do Ceará
  • Cristo Redentor
  • Pirambu
  • Álvaro Weyne
  • Carlito Pamplona
  • Pan Americano
  • Bom Sucesso
  • Parangaba

Mapa da concentração de casos mudou

Ainda de acordo com o boletim da secretaria, no período de janeiro a março de 2020, os bairros que mais concentravam notificações de dengue em Fortaleza eram o Cais do Porto e o Vicente Pinzón. Esse cenário não se repetiu em 2021. Neste ano, a Regional II registrou apenas 6,8% dos casos.

A a Regional IV se destaca com 188 casos confirmados de dengue, o que corresponde a 37,8% do total. A Regional I tem o segundo maior número de infectados, com 17,1% da quantidade de casos da cidade.

Responsabilidade ainda maior durante pandemia

Para Nélio, existem áreas que são mais vulneráveis à doença. Por isso, ele pede para que os moradores desses bairros reservem um tempo para revisar a casa pelo menos uma vez por semana e acabar com possíveis pontos de água parada, ambientes propícios para a proliferação do mosquito.

Devido à pandemia do coronavírus, os agentes de combate a endemias não podem entrar nas casas para checar os focos do mosquito. Com isso, a responsabilidade da população aumenta.

A dona de casa Vilma Silva Peixoto recebeu a visita de agentes de combate a endemias nesta terça-feira (30). Os profissionais tiveram de dar todas as recomendações sobre como evitar focos de dengue na frente do portão da casa. “Eu sempre lembro [de vistoriar a casa]. Não quero besouro da dengue aqui não, porque minha mãe já teve e eu sei o que ela sofreu e ainda sofre”, diz.

Casos leves são maioria

Quando começou a sentir febre, o social media Christofer de Sousa Costa (22) temeu estar com Covid-19. No entanto, o aparecimento de manchas vermelhas na pele logo lembrou que o diagnóstico de dengue também era possível.

Após exame clínico no hospital, o morador do bairro Coaçu recebeu a confirmação da doença. Ele se questionou sobre a probabilidade de haver focos do mosquito transmissor do vírus na região onde mora. “Acho que não fui o único, outras pessoas apresentaram sintomas parecidos”.

O caso de Christofer foi leve, tratado apenas com hidratação e repouso em casa. No entanto, Nélio alerta para a chance de evolução para quadros mais graves de dengue. “Muitos são recuperados em casa com hidratação, mas há casos que você tem que ter atendimento, internamento e até UTI para poder salvar as vidas das pessoas”.

Até este mês de março, apenas três notificações de dengue com sinais de alerta foram registrados em Fortaleza. Um óbito suspeito de dengue está em investigação, segundo o boletim da secretaria. 

Chikungunya e Zika

O boletim também registra o cenário epidemiológico da chikungunya e da zika, doenças também transmitidas pelo Aedes aegypti.

O documento relata baixa incidência de chikungunya, com 57 casos suspeitos, sendo 19 deles confirmados.

A zika segue sem casos confirmados com apenas nove registros suspeitos, sendo seis deles descartados e três ainda em investigação.  

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