Caso "Laurinha" completa dois anos

Com processos penais e cíveis abertos na justiça, pai, tios, avó e demais parentes da criança aguardam andamento e clamam por justiça

Escrito por
Karine Zaranza producaodiario@svm.com.br

Desde o dia 6 de fevereiro de 2014, há dois anos, a família de Paula Praciano vive o luto por sua morte, e luta diariamente pelos cuidados da menina Laura Praciano Cruz, da campanha "Acorda Laurinha", bebê que continua em estado de coma. Com processos penais e cíveis abertos na justiça, pai, tios, avó e demais parentes da criança aguardam andamento e clamam por justiça, tornando o caso deles conhecido como um modo de prevenção para outros casos semelhantes. 

Uma audiência de conciliação do caso, com oitivas de testemunhas está marcada para o próximo dia 16 de fevereiro, na 33ª Vara Cível. A família realiza, ainda, uma missa em razão dos dois anos de morte de Paula, que acontece no dia 6, às 20h, na sede do Lar Amigos de Jesus (Rua Ildefonso Albano, 3052).

Para Ádamo Cruz, pai de Laurinha e viúvo de Paula, não existirá conciliação na audiência do dia 16. "Em maio desse ano faz dois anos que a gente entrou com o processo, que ainda está na fase de apuração. O inquérito ainda está em conclusão, ainda tem gente sendo ouvida. Não faço ideia do teor dessa audiência, mas para mim não há conciliação. Nada vai trazer a minha mulher de volta".

Desde 2014, a família movimenta-se para juntar provas contra o obstetra do caso, tanto na instância civil como na criminal. Emocionado, o tio de Laurinha, Romeu Praciano, fala sobre o período que a família passa. "Todo dia a gente tem que lembrar do que aconteceu. Há dois anos eu durmo e acordo achando que é um pesadelo", descreve.

Paula faleceu no hospital no dia do nascimento de Laurinha, quando sofreu um choque anafilático após ter tomado uma injeção de um antibiótico chamado Kefazol, comumente administrado para a prevenção de infecção hospitalar. Ela passou mal e precisou ser encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O parto precisou ser realizado às pressas. Por conta da falta de oxigênio, Laurinha ficou com paralisia cerebral. 

A advogada da família de Laurinha no processo cível, Joyceane Bezerra de Menezes, fala pela primeira vez que tenta provar na justiça a quebra de uma série de protocolos médicos, referendados em hospitais universitários como a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo 

Joyceane, essas quebras vão desde a administração do antibiótico Kefazol, que causou o choque anafilático e ocasionou, conforme laudo pericial, a morte de Paula, até uma demora no atendimento emergencial, o que pode ter causado o sofrimento fetal e deixado as graves sequelas na menina. 

Dois anos depois do ocorrido, a menina Laurinha ainda respira com ajuda de aparelhos, se alimenta por sonda de 3 em 3 horas e conta com cuidados 24 horas, tanto da família como de uma técnica de enfermagem. Ela mora na casa da avó, em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adaptada em um dos quartos do apartamento em sistema Home Care, ligada em um gerador de energia para evitar o desligamento dos equipamentos.

Ele afirma a menina precisa de cuidados mensais de médicos neurologista, pediatra, oftalmologista, urologista, pneumologista. Muitas vezes, são necessárias mais de uma visita, que o plano de saúde não cobre e custam à família entre 500 e 300 reais por cada especialidade. Além disso, ela realiza diariamente 7 terapias diferentes, entre fisioterapias motoras e respiratórias, e terapias ocupacionais, que custam em torno de 280 reais diários. 

Ao todo, portanto, são pelo menos 12 profissionais que monitoram Laurinha. Além disso, os equipamentos de UTI doméstica aumentaram as contas de energia do lar, que passou de 170 para até 800 reais. "Se a gente somar a gente fica doido, porque a gente acha que não conseguiria pagar. Quando começa a somar, a gente perde a conta", disse Romeu. Para além dos gastos médicos, que, conforme Ádamo, a família se une e se desdobra para custear sem qualquer previsão de término dos tratamentos, há ainda o desgaste físico e emocional também por conta da demora nos trâmites processuais que ainda estão em fase probatória, e da dedicação em tempo integral, que atinge toda a família. 

Entretanto, a família tenta conviver da melhor maneira possível com a situação. Laurinha ainda dependem de aparelhos para respirar, e por isso, com locomoção que limita, além dos momentos em família, alguns tipos de terapias que poderiam possibilitar uma melhor recuperação dela. "Ela fica limitada. A gente senta ela e já começa a cair o padrão de respiração. Existe terapias em piscinas, tatames. Ela poderia estar reagindo muito mais se ela saísse desse aparelho respiratório", afirma o tio.

Campanha

O movimento "Acorda Laurinha", começou com um grupo no Facebook, e hoje conta com mais de 100 mil adeptos. Conforme a família, o grupo foi criado por um primo de Paula para que amigos e familiares pudessem conhecer a história e acompanhar mais de perto o que estava acontecendo. 

Depois, a causa foi se expandindo e ganhou maiores proporções, principalmente com a divulgação da imprensa local. A iniciativa, que tem alguns detalhes dos processos e do dia a dia dos envolvidos, ajuda também a família a passar pelos dias de dificuldade.