Casas próximas ao aeroporto
O aumento dos fluxos de passageiros e de aeronaves sugere a criação de uma pista auxiliar no aeroporto
O acidente com o airbus da TAM, em Congonhas, no dia 17 de julho, e os constantes atrasos nos vôos estão trazendo à tona as diversas fragilidades dos aeroportos e da aviação civil brasileira. Um levantamento feito pelo Sindicato das Empresas Aéreas, divulgado pelo Jornal Valor Econômico, na última quarta-feira, mostra as principais deficiências apontadas por pilotos comerciais e pelas empresas. A mais citada foi a falta de uma pista de taxiamento que possa ser utilizada como opção em casos de emergência na pista principal.
Em Fortaleza, a pista de taxiamento é uma necessidade e está prevista no Plano Diretor do Aeroporto Pinto Martins, em formulação desde o início do ano e previsto para ser concluído em 2008. A pista auxiliar deverá funcionar na antiga pista principal do aeroporto velho. Mas, ressalta o superintendente da Infraero no Ceará, Wellington Santos, para que esse trabalho seja feito é necessária a retirada da população, sobretudo da Lagoa do Opaia, que vive colada ao muro do aeroporto Pinto Martins.
O muro, explica ele, seria retirado para a expansão das áreas laterais. O Terminal de Aviação Geral (TAG) seria remanejado e outras modificações feitas para viabilizar o uso da pista auxiliar. A pista de taxiamento é uma alternativa para pousos de emergência, mas ela também facilita a manutenção da pista principal da unidade. No Pinto Martins, a pista principal tem 2.545 metros de comprimento e 45 metros de largura.
Essa extensão, por exemplo, é apontada por especialistas em aviação como um fator positivo. No caso de uma situação semelhante a ocorrida no Aeroporto de Congonhas, o piloto teria mais tempo para corrigir o problema, antes de se chocar com uma edificação ou qualquer outro obstáculo, por conta da extensão da pista e das áreas laterais.
Outra deficiência apontada em quase todos os aeroportos pelo levantamento do Sindicato das Empresas Aéreas foi a falta de espaço nas áreas de check-in e falta de equipamentos de raio-x, para inspeção de passageiros. A reforma no terminal de passageiros é uma necessidade urgente do Aeroporto de Fortaleza. Somente em julho deste ano, 356.908 passageiros embarcaram e desembarcaram no Pinto Martins, vindo de diversas partes do Brasil e do Exterior, um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
Diante desse aumento no fluxo de passageiros que vêm sendo observado nos últimos quatro anos, um estudo preliminar sobre a ampliação do terminal de passageiros já está pronto, à espera de verbas para a elaboração do projeto e posteriormente da obra.
De acordo com o estudo, o novo terminal teria 78 mil m² de área, mais que o dobro do terminal atual, que tem 38.500 m². A capacidade de passageiros anual do Pinto Martins hoje já superou o previsto para a estrutura atual.
No ano passado, mais de 3 milhões e 200 mil passageiros se locomoveram nas dependências do aeroporto. Com a reforma, 5 milhões e 400 mil pessoas poderiam andar despreocupadamente ao longo de um ano no Pinto Martins. Os balcões no saguão público passariam de 31 para 80 e as vagas de estacionamento, que hoje têm capacidade para 900 veículos, seria expandida para duas mil vagas. No entanto, as mudanças ainda estão no plano das idéias, pois tudo depende de recursos, que não têm previsão para serem liberados.
POTENCIAL - Terminal pode operar até a década de 30
A localização dos aeroportos é um dos fatores questionados pela opinião pública nos últimos meses. Em Fortaleza, o Aeroporto Internacional Pinto Martins está há um pouco menos de dez anos em funcionamento desde a ampliação e deve ter mais três décadas de atividades pela frente, desde que haja um efetivo controle urbano e melhoramentos para potencializar seu trabalho.
O superintendente da Infraero, Wellington Santos, é categórico ao afirmar que o Pinto Martins não precisa ser deslocado para uma aérea mais distante ou desativado. “Temos que preservar para potencializar a maior utilização do Aeroporto”. Ele destaca que a previsão é de que o terminal de Fortaleza possa operar com um fluxo de 17 milhões de passageiros anualmente, até os próximos 30 anos.
No entanto, o superintendente ressalta que essa perspectiva não invalida a busca por um local onde possa ser instalado um novo aeródromo. Já em caso de expansão da atual unidade, o deslocamento se daria para o lado leste, em direção à rodovia BR-116 e de todos os obstáculos, residências e estabelecimentos comerciais localizados nessa região.
Todas essas questões são idéias, discussões e planejamentos que serão contemplados, como acrescenta Wellington Santos, no Plano Diretor do Aeroporto que, por sua vez, deverá estar de acordo com o Plano Diretor da Cidade, também em fase de elaboração. “Tem que haver uma integração entre os dois planos”, conclui. Além de expansões e melhoramentos no terminal de Fortaleza, o plano versará sobre a inserção do equipamento em um centro urbano e pensará em alternativas para a convivência dentro desse espaço.
Por sua vez, o Plano Diretor do Município de Fortaleza trabalha nas perspectiva de crescimento do aeroporto e de incentivo do equipamento. De acordo com o arquiteto da Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento (Sepla), Marcelo Gondim, o Plano Diretor prevê a criação de Zonas Especiais de Interesses Sociais espalhadas por toda a cidade.
Nessas áreas, serão feitas regularizações fundiárias de várias ocupações. Bairros como Serrinha, Vila União e Dias Macêdo, que fazem fronteira com o Aeroporto, serão contemplado com o trabalho destinado às áreas de interesse social.
FIQUE POR DENTRO - Transporte funciona há quase 50 anos
A Capital cearense conta com o serviço de transporte aéreo desde a década de 60, quando a pista de pousos e decolagens do Alto da Balança foi ampliada de 1.500 metros de comprimento para os atuais 2.545 metros. A esse mudança foram acrescentados o primeiro terminal de passageiros e o pátio de aeronaves.
A administração da estrutura passou ao comando da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em 1974. Mais de duas décadas depois, o Aeroporto Pinto Martins passou por um longo processo de melhoramento e qualificação a partir de uma parceria entre os governos Estadual e Federal.
A inauguração da nova estrutura, tal qual a conhecemos hoje, aconteceu em 1998, depois do aeródromo ter conseguido a certificação para operar com vôos internacionais também.
O antigo aeroporto hoje corresponde ao Terminal de Aviação Geral (TAG), onde opera a aviação de pequeno porte, aeronaves particulares e de táxi aéreo.
Atualmente, o terminal de cargas do Aeroporto Internacional Pinto Martins está passando por uma reforma. Cerca de 80% dos trabalhos já estão concluídos . Foram investidos 34, 5 milhões na obra, que deverá ser finalizada até o fim deste ano.
O novo terminal permitirá a expansão do transporte de cargas para até cinco mil toneladas e terá uma área de aproximadamente 9 mil m².
Atualmente, oito companhias áreas operam dentro do Pinto Martins com vôos domésticos e internacionais. Até julho deste ano, foram realizados 27.619 pousos e decolagens na pista do Aeroporto Internacional, enquanto no ano passado, essa movimentação de aeronaves foi de 46.563 chegadas e partidas ao longo de todo o ano. A crise do apagão aéreo atingiu também o Pinto Martins, que registrou filas.
NAIANA RODRIGUES
Repórter
OPINIÃO DO ESPECIALISTA - DANIELA ALCÂNTARA
Professora da disciplina de projeto arquitetônico da Unifor
daniela@unifor.br
Aeroportos causam impactos
Todo aeroporto tem que ter um plano diretor quando vai ser criado e esse plano tem que estar compatível com o plano diretor da cidade. Se o equipamento será instalado em zona urbana ele tem que atender ao planejamento urbano da cidade. Se a cidade não tem hectares que prevejam a instalação do equipamento, a construção dele fica descartada.
No caso de Fortaleza, foi feita uma análise para saber se era preferível um novo ou a ampliação do existente. Antes da construção de um aeroporto devem ser observados o impacto ambiental, se ele estará em uma área compatível com a altura das edificações e também um plano de zona de ruídos. Quando é feito o plano diretor do aeroporto, é obrigatório fazer um plano de zona de proteção, com rotas de pouso e decolagens, onde não pode haver edificações e também da zona de ruído.
Algumas atividades urbanas são incompatíveis com o ruído gerado pelas aterrissagens e decolagens das aeronaves, como escolas e hospitais, por exemplo. Essas zonas são importantes para determinar o que será instalado no entorno do aeroporto. O melhor seria que não houvesse outras atividades no entorno imediato do aeroporto, mas apenas aquelas relacionadas diretamente à atividade aeroportuária, como as áreas comerciais de apoio que se estabelecem notadamente próximas aos terminais de carga e de passageiros. No entanto, o risco de acidentes sempre existe, até mesmo em áreas não muito próximas ao aeroporto.
Há ainda a preocupação com o espaço de navegação aérea. As edificações também podem atrapalhar a freqüência das ondas de rádios, através do qual se comunicam os controladores. Até mesmo o relevo da cidade interfere na navegação, daí a observação de elevações naturais existentes na cidade também ser importante antes da construção de um aeroporto, pois é uma forma de garantir a segurança da navegação. Para os aviões, uma interferência é um problema que envolve risco.
Ainda em relação à ocupação dos arredores do aeroporto, quando esse está instalado em áreas centrais da cidade, a área limite com o equipamento tende a ser desvalorizada por conta da falta de conexão urbana, ocasionando ocupações irregulares e de baixo padrão, como acontece nas proximidades do antigo terminal de passageiros de Fortaleza. O ideal seria que os aeroportos fossem instalados em áreas de baixa densidade urbana, e que essa baixa densidade fosse assegurada por mecanismos de planejamento e controle urbano eficientes.
Por outro lado, se o terminal se afastar muito do centro da cidade, a locomoção dos passageiros será dificultada, o que pode gerar perdas econômicas para a região, como o turismo, por exemplo. É uma decisão a ser tomada levando em consideração a segurança, o planejamento regional e o controle urbano.
NOVO TERMINAL DE PASSAGEIROS
- 78.000 m² é a extensão da área construída
- 5,4 mi é a capacidade de passageiros ao ano
- 8.000 m² é o tamanho da sala de embarque doméstico
- 2.118 m² é a área da sala de embarque internacional
- 3.164 m² é a extensão do desembarque doméstico
- 1.249 m² é a área do desembarque internacional