Carro velho aumenta riscos de acidentes

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A frota de veículos no Estado é de 1.488.428, sendo 640.836 na Capital. Quase 36% têm mais de dez anos de uso

Apesar das facilidades para se comprar um veículo novo, há quem ainda opte por manter em circulação carros velhos. Só no Ceará, até dezembro de 2009, 35,8%, ou 534.158, da frota eram de veículos com uso acima de dez anos, conforme o Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE). Apenas na Capital, eram 229.568, também 38,5%. Os com mais de 15 anos, segundo o órgão, eram 19,8% (295.744) dos 1.488.428 veículos de todo o Estado. Com a chegada das chuvas, por sinal, os "antigões" tornam-se mais um complicador do já problemático trânsito.

Como lembra o motoboy Jucier Pedrosa, 39 anos, com as chuvas, carros e motos velhos tendem a apresentar mais problemas. Tanto que, como observa, não é difícil encontrar veículos parados nas vias, devido à má manutenção. "Principalmente no inverno, com a entrada de água, os carros e motos com manutenção inadequada acabam atrapalhando e causando mais congestionamento".

Segundo o engenheiro civil e mestre em Transportes, Creso de Franco Peixoto, professor da Fundação Educacional Inaciana (Fei), os carros antigos são aqueles que possuem entre dez e 20 anos de uso. Pelo tempo prolongado nas ruas, Peixoto alerta que os veículos provocam problemas ao fluxo do tráfego, ao meio ambiente e à saúde. Isso porque, como detalha, quanto mais velho o veículo, mais cara será sua manutenção.

Dessa forma, muitos deixam de fazê-la. "Os carros velhos manifestam mais problemas nas chuvas. Afinal, a suspensão é pior, há a falta de manutenção, de troca de amortecedores e de pneus. Eles dão problemas nas ruas e acabam congestionando o trânsito, além de também poder provocar acidentes de derrapagem, por exemplo, causando mortes", alerta.

Em relação ao meio ambiente e à saúde, Creso Peixoto afirma que existem características dos carros das décadas de 1970 e 1980, que trazem mais poluição ao ar.

O engenheiro civil destaca que os automóveis de até 1970 poluem 15 vezes mais do que os novos. Já os de até 1980, seis vezes mais. "Somente a partir de 1990 é que foi obrigatório o uso de catalizador. Ele gera processo de limpeza, porque as partículas se inserem rapidamente no ar, poluindo menos". Caso não haja o catalizador, como comenta Peixoto, os gases CO², CO e NOX podem causar mais sono, assim mais acidentes e doenças respiratórias.

Por outro lado, o mestre em Transportes também lembra que os vidros da frente dos carros velhos não são laminados, causando mais ferimentos; as partes do motor e do porta-malas dos modelos desde 1990 possuem as células de proteção, em que amassam com mais facilidade, absorvendo o impacto, energia e protegendo mais os motoristas e passageiros.

"Se trocássemos os carros velhos, seriam 60 milhões a menos de carros no Brasil inteiro".

No entanto, como esclarece o gerente de Fiscalização do Detran-CE, Pedro Forte, o Código do Trânsito não prevê uma data adequada para a circulação dos veículos. Segundo ele, no artigo 230/18, existe a possibilidade do condutor ser multado pelo mau estado de conservação do carro. A multa é grave, custando R$ 127,69, e gerando cinco pontos na carteira do proprietário. "Há problema maior com veículos velhos nos feriadões, quando eles apresentam falhas e param no meio da rua".

O procedimento adequado, como diz, é o motorista levar o carro para o acostamento. O chefe da fiscalização indica que, após uma vistoria, se o carro apresentar más condições de conservação pode ser, até mesmo, recolhido pelo Detran-CE.

Para Peixoto, portanto, os carros velhos devem ser retirados de circulação, a partir de um acerto com os proprietários. Ele defende investimento na melhoria do transporte público.

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Reclamações

"Os carros velhos atrapalham o trânsito, porque estão defasados. Eles causam prego e param no meio da rua"
Airton Queiroz
48 ANOS
Taxista

"Acredito que os carros velhos atrapalham mais, pelo fato de quebrarem com mais facilidade"
Henrique de Mesquita
36 ANOS
Funcionário público

JANINE MAIA
REPÓRTER