Boeing faz pouso forçado em Fortaleza

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Redação producaodiario@svm.com.br
Aeronave saiu da pista principal e atolou na lama. Foram necessários cabos de aço e tratores para retirá-la

Os 118 passageiros do vôo 1824 do boeing 737-300 (prefixo PRGLJ) da Gol , com destino Juazeiro-Fortaleza-Rio de Janeiro, passaram por um grande susto na manhã de ontem quando o avião aterrissava no Aeroporto Pinto Martins, por volta das 5h55. Como a altitude da aeronave já estava passando do ponto de pouso, o piloto teve de forçar a descida, derrapando na pista do aeroporto, à direita (na direção do Castelão), ultrapassando 15 metros do pavimento.

O avião, que ficou atolado em terreno com lama (provocada pelas fortes chuvas que caíram na manhã de ontem), só foi retirado às 10 horas pelos funcionários da Infraero.

Segundo Weber Nóbrega, gerente de segurança da Infraero, às 5h55 a equipe foi informada do pouso forçado do boing e se dirigiu ao local onde o avião havia aterrisado. ‘‘A maior preocupação era com a segurança dos passageiros’’, disse. Ele, acrescentou que o incidente não teve proporções mais graves, nem houve pânico entre os passageiros.

Ele contou que a aeronave estava fora da pista principal, atolada na lama. Foram necessários cabos de aço e tratores potentes para a retirada do avião do local, num trabalho que demorou cerca de quatro horas. Enquanto isso, a partir das 6h40, a pista de pouso e decolagem ficou interditada, atrasando dois vôos da Tam e um da Taf, programados para aquele período. Outros três vôos tiveram rotas alteradas para Teresina, São Luiz e Recife.

Todos os passageiros foram retirados sem problemas e encaminhados ao terminal do aeroporto para viajarem em outros vôos disponíveis, o que aconteceu a partir das 10h.

De acordo com Weber, a chuva não teria sido a causa principal do incidente, pois a torre de comando informa ao piloto as condições de pouso e este decide se desce ou não. ‘‘No caso, ele (o piloto da Gol) resolveu aterrissar’’, disse. Passageiros ouvidos pelos funcionários da Infraero disseram que o avião estava muito alto (altitude acima do limite de pouso), e o piloto desceu a aeronave do meio da pista em diante, ficando sem espaço para completar a aterrissagem, o que teria provocado o pouso forçado.

Um passageiro sugeriu que o boing da Gol , a partir das informações da torre de comando, poderia ter evitado pousar no Aeroporto Pinto Martins e alterado a rota como os outros aviões fizeram ao saber da interdição da pista de pouso.

Passageiro do boing da Gol vindo de Juazeiro, o empresário Luiz Otávio Freire avalia que não foram as condições climáticas que forçaram a descida. Com brevê de piloto e 430 horas de vôo, o empresário disse que o acidente não foi por questões de visibilidade, devido à chuva, mas foi falha da tripulação. ‘‘Lamentável essa falta de responsabilidade’’, disse.

O engenheiro Alessander Doná, que também vinha de um trabalho em Juazeiro do Norte e seguia para o Rio de Janeiro, disse que o avião pousou do meio da pista e ficou sem espaço para aterrissar, mas não houve pânico dentro do avião. ‘‘As pessoas só perceberam quando o avião parou’’, informou. Uma senhora que não quis se identificar disse que teve a impressão que o avião ia virar e todos morrer.

Segundo Weber, a Aeronáutica vai investigar o caso e, em 60 dias, dará o parecer sobre as causas do acidente. Enquanto isso, a Infraero, de acordo com ele, vai intensificar as recomendações de segurança para as companhias aéreas.