30% dos atendimentos remotos de saúde mental, da Sesa, apresentam sintomas de ansiedade

Dentre o público atendido, mais de 67% são mulheres

Em meio à pandemia que já contaminou mais de 188 mil pessoas no Ceará, um problema de saúde correlato vem preocupando: a ansiedade. Indicadores dos atendimentos remotos prestados por meio da Plataforma de Atendimento Inteligente (Plantão Coronavírus), da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa), mostram que mais 30% das pessoas apresentavam sintomas da doença.

Na categoria de saúde mental, 2.448 pacientes procuraram a plataforma digital de atendimento, até o fim da manhã desta segunda-feira (10). Desses atendimentos remotos, 30,13% apresentaram sintomas de ansiedade. Além disso 14,23% apresentaram choro fácil, e, na mesma faixa de 14% tiveram sintomas de tristeza. A plataforma também registrou que 11,72% relataram sintomas como sufocação, 10,88% coração acelerado, 9,62% pânico e 8,21% tremores.

De acordo com a professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Alessandra Xavier, a ansiedade é um mecanismo que faz parte dos recursos emocionais do ser humano, mas o real problema começa quando essa situação afeta sua dinâmica diária. 

“Tem situações em que essa ansiedade vai para níveis que começa a causar transtornos na vida, o que a gente chama de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). E aí quando tem essa ansiedade que ultrapassa dos níveis necessários pra vida, a pessoa não consegue dormir, tem pensamentos repetitivos, sempre pensa que vai acontecer o pior, pode ter alterações nos batimentos cardíacos, na respiração e em alguns casos derivam para quadros como Síndrome do Pânico”, pontua a psicóloga. 

Quadros de ansiedade também podem levar à má alimentação, seja aparecendo na forma de apetite em excesso ou na falta dele. Ela também pode ser somada a outros cenários preocupantes. “Às vezes leva a fumar demais, ingerir bebidas alcoólicas em exagero, como forma de tentar aquietar esses pensamentos”, aponta Alessandra. 

Público em destaque 

Dentre os atendimentos na categoria saúde mental, o destaque vai para o público feminino, que representa 67,25% dos acolhimentos. Segundo a psicóloga, esse público já se mantém em destaque, antes mesmo da pandemia, mas o cenário pandêmico evidenciou ainda mais o sofrimento mental das mulheres. 

“As mulheres tanto são mais afetadas pela ansiedade quanto pela depressão, e isso não tem a ver com questão biológica, que falam sobre a teoria ‘sexo frágil’, nada disso. O que acontece é que as mulheres sofrem níveis de pressão e de exigências muito grandes”, destaca a psicóloga. 

Nesse ambiente de pandemia, Alessandra Xavier explica que as mulheres acumularam tarefas, como trabalho remoto e cuidados domésticos. “Então fica cuidar dos filhos, do ambiente doméstico, do trabalho [remoto], tudo junto. E ainda passam muitas vezes pela questão da desvalorização no trabalho e em casa. Então a exigências são muito fortes”, destaca.  

Outro público que tem destaque é o de faixa etária de 18 a 29 anos, que corresponde a 35% dos atendimentos na área da saúde mental. De acordo com a professora de psicologia, esse já é um público bastante afetado por problemas psicologicos, principalmente por causa de cobranças externas e internas. "Esse cenário incerto, com uma série de desamparos, tanto de políticas públicas quanto de fragilidade dos vínculos, amplia isso”, enfatiza.

Cuidados

Existem as mais variadas formas de expressar a instabilidade mental e emocional, como choro fácil, tristeza, sufocação e entre outros. Para a psicóloga, em algumas situações mais sérias, é importante uma “articulação conjunta entre psicoterapia, medicação e mudanças na dinâmica da vida”.  

Além disso, para manter a saúde mental durante esse periodo de pandemia, sugere algumas dicas:

  1. Busque um sono regular, como: evite olhar o celular, tomar café e outros estimulantes perto da hora de dormir;  
  2. Alimente-se de forma adequada e evite açúcares e gorduras;
  3. Mantenha o contato com pessoas que tenham significados afetivos com você;
  4. Faça atividades físicas que sejam adequadas para a sua idade e condição física.

Serviço

O atendimento do Plantão Coronavírus pode ser feito via WhatsApp pelo número (85) 9 8439.0647. Basta mandar um “oi” para receber orientações e ser atendido por uma equipe de saúde do Governo.

A iniciativa é da Secretaria da Saúde (Sesa) junto com o Laboratório de Inovação e Dados do Governo do Ceará (Íris). O Plantão Coronavírus também atende 24 horas por meio do Telesaúde 0800.275.1475.

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Redação 20 de Setembro de 2020