Dia da Mulher: funcionárias mais antigas de Ceará e Fortaleza contam como veem o Clássico-Rei
Equipes entram em campo neste domingo (8), a partir das 18h (de Brasília)
Ceará e Fortaleza entram em campo para disputar mais um título do Campeonato Cearense neste domingo (8), data em que também é celebrado o Dia da Mulher. Apesar de o meio futebolístico ainda ser bastante machista, elas ocupam cargos em diversas instâncias dos clubes e outros espaços fundamentais para que o espetáculo da bola aconteça.
Por isso, o Diário do Nordeste ouviu duas figuras importantes no Vovô e no Leão do Pici, como forma de homenagear todas as outras que constroem o futebol brasileiro. Antônia Porfório, auxiliar de nutrição, está há 55 anos no Fortaleza. Já Ângela Batista, chefe do departamento pessoal, trabalha no Ceará há duas décadas.
Elas são as funcionárias mais antigas desse Clássico-Rei e contam o que o jogo mais importante do nosso futebol representa para cada uma. Ninguém arriscou placar, mas a vitória é de quem respeita e enaltece a presença delas.
“Trabalhar no Fortaleza é uma vida”
Não tem como falar de Fortaleza sem citar Antônia Porfírio Lima, a Toinha. Nos 107 anos de clube, ela está no Tricolor em mais da metade deles. A história da torcedora se mistura a da funcionária com a ternura do tempo. No Pici, ela já passou por diversas funções e atualmente trabalha como auxiliar de nutrição.
Logo pela manhã ela recebe do primeiro ao último atleta que chega para o treino e vai ao refeitório em seguida. A nutrição é algo que está na rotina diária dos jogadores. Da alimentação à suplementação, Toinha também oferece sorrisos e um cuidado que só mãe pode dar. Torcedora-símbolo do clube, é tratada com carinho e respeito por todos.
“Trabalhar no Fortaleza, para mim, é uma vida. Criei meus filhos e netos aqui. Graças a Deus, estão todos criados e formados. E tenho muito orgulho de trabalhar aqui”, afirmou.
A clássica cena em que Toinha atravessa o gramado de joelhos, em 2017, é lembrada por muitos. Ela fazia parte da história do clube outra vez. Ali, o Leão do Pici superava o Tupi-MG para conseguir o sonhado acesso à Série B. Depois disso, veio o título nacional da Segundona, melhor campanha de um nordestino na Série A, participações em Libertadores, vice na Sula e o pentacampeonato Cearense diante do Ceará.
A torcedora-símbolo está prestes a viver mais uma decisão diante do maior rival do time do coração. O Fortaleza, que está há dois anos sem levar o título, passa por uma série de mudanças dentro e fora de campo e quer erguer a taça do estadual novamente. Ela ressalta o que esse duelo representa.
“Esse Clássico-Rei, principalmente, é muito importante para a gente porque é um grupo novo, inclusive desde a diretoria até os próprios jogadores. Gostaria de dizer para toda a Nação Tricolor que compareça para fazer uma corrente forte”, afirmou.
“O Ceará virou minha casa”
Há 20 anos Ângela Batista veste a camisa como funcionária do Ceará. Nos bastidores, ela começou na contabilidade e, atualmente, é responsável pelo departamento pessoal do Alvinegro. Nos telefonemas que atendia durante o expediente, começou a entender a dimensão de trabalhar no Vovô.
Ela explica que a rotina é não ter rotina. Os dias são preenchidos com reuniões, atendimento a funcionários, diretoria, planejamento e acompanhamento das atividades do setor.
“Sempre encarei o Ceará como uma empresa. Não acompanhava nada do futebol local, até que um dia atendi diversas ligações de torcedores… Foi aí que eu vi o grau de responsabilidade que o clube tinha em relação a expectativa de sua torcida. Aquilo era empolgante, a pele arrepiava e eu me emocionava a cada depoimento que eu escutava. A partir daí, fui criando um amor pelo clube e entendendo o peso de carregar o escudo do Ceará no peito”, destacou
“Não era uma empresa qualquer, era um depósito de energias que precisávamos mantê-las sempre no topo. O Ceará virou minha casa, e os funcionários se tornaram minha família”, completou.
Ângela viu diversas transformações no Alvinegro. Mudanças que fizeram o clube crescer dentro e fora de campo. Em 20 anos, de lá para cá, o Ceará conquistou três títulos da Copa do Nordeste, dois acessos à Série A e, em 2022, a melhor campanha da história da Sul-Americana no atual formato. Além disso, um tetracampeonato no Cearense. E, em 2024, impediu o hexa do tricolor no estadual. Desta vez, poderá presenciar o tri invicto do Vovô.
“Clássico é clássico. O coração só falta sair pela boca. Mas a expectativa é sempre de: Vai dar tudo certo. Antes de chegar ao estádio o nervosismo toma conta. Às vezes acompanho a entrada da multidão nos portões. Lá dentro, quando a bateria começa a tocar, é impossível ficar parada e calada. A impressão que fica é que o coração bate conforme a batida dos instrumentos. Busco manter a boa energia e rezar durante o jogo”, ressaltou.
É inegável que a mulher é parte fundamental da construção do que o futebol é hoje e do que poderá ser um dia. De lados opostos no campo, Ângela e Toinha deixam um recado objetivo de união e fortalecimento.
“Lugar de mulher é no estádio. Repassem para os seus filhos o amor e o respeito ao clube, independente de quem o faz. A instituição é maior”, destacou Ângela.
“Sou grata a todas as mulheres, principalmente as tricolores, e quero dizer para a gente ir e fazer uma festa muito bonita no domingo. Agradeço a todas com orgulho e alegria”, finalizou Toinha.
Ceará e Fortaleza entram em campo a partir das 18h (de Brasília). A Arena Castelão recebe o confronto decisivo na luta pelo título. O Diário do Nordeste, o Jogada e a Verdinha FM acompanham todos os detalhes ao vivo e em tempo real.