Toinha, símbolo da história do Fortaleza, a mãe tricolor
O Diário do Nordeste fez uma entrevista exclusiva com a Toinha voltada para o Dia das Mães
O Dia das Mães é cercado de sentimentos puros e verdadeiros, com ênfase na palavra amor. Em todos os espaços, há uma figura feminina considerada a mãe, aquela mulher com palavras de apoio, sabe reclamar quando necessário e se torna um ponto de força e confiança. O símbolo de mãe é dado a quem tem o instinto protetor e não é à toa que Antônia Porfírio Lima é chamada carinhosamente de Mãe Tricolor. Toinha, como é conhecida por todos, tem 81 anos, destes, 54 dedicados com muito trabalho e amor ao Fortaleza Esporte Clube. O Diário do Nordeste fez uma entrevista exclusiva com a Toinha para essa data tão especial.
Natural de Iguatu, cidade na região Centro-Sul do Estado, que fica a 364,5 km de Fortaleza, ela saiu do interior cearense em 1967. Ainda não sabia, mas iria conhecer um clube que se tornaria um pedaço de sua vida. Ao chegar na cidade do Sol, foi morar no bairro Montese e no caminho para o trabalho, ela visualizava as bandeiras dos dois principais clubes do Estado - Ceará e Fortaleza - que ficavam expostas no Estádio Presidente Vargas (PV), já que na época, ainda não existia a Arena Castelão. As cores vermelho, azul e branco ganharam o coração para a eternidade.
A chegada ao Tricolor de Aço foi mediada pelo jornalista Silvio Caldas, por quem tem muito apreço. Ele foi presidente do Fortaleza entre os anos de 1982 e 1987. Toinha ia para as chamadas “tertúlias”, festas promovidas pelo clube. Depois, começou a ajudar na arrecadação de dinheiro nas urnas do clube e aí foi passando por vários setores do clube. Neste mais de meio século dedicado ao clube das cores vermelho, azul e branco, ela foi cozinha, lavadeira, telefonista e, atualmente, é auxiliar de nutrição.
Toinha já moveu céus e terras pelos filhos do Tricolor, até com surpresas. Em 2017, quando o Fortaleza conseguiu o acesso para a Série B contra o Tupi/MG, Toinha se aventurou pelas estradas brasileiras em um ônibus por três dias, para surpreender o elenco. Ela foi a 12ª segunda jogadora, servindo de suporte em um momento crucial, que virou a chave na vida do Leão do Pici.
Passou pela gestão de muitos presidentes do clube, que atualmente é SAF e tem à frente Marcelo Paz como CEO, alguém muito respeitado pela Toinha e que espera trabalhar por muito tempo.
,“Confio em Deus, Nossa Senhora, que ele vai passar mais tempo aqui. Tudo bem se ele cansar, que ele bote uma pessoa que faça pelo menos a metade do que ele faz aqui. Porque tempo ele não tem não. Eu não sei como consegue, disse com muita admiração ao trabalho do Paz.”
PRESENÇA FEMININA NO FUTEBOL HÁ DÉCADAS
De personalidade forte, na época em que ela se inseriu no meio esportivo, o machismo era bem mais predominante, considerado exclusivamente para homens. Isso nunca intimidou ou fez com que a Mãe Tricolor pensasse em desistir, o que carrega até hoje e perpassa por gerações.
“Tem que ter moral e vergonha e não ter medo. Não tem medo, eu não tenho medo de nada, só de Deus, os castigos de Deus. Nunca tive medo de nada, tenho medo de nenhum macho desse aqui não. Se vier tem”, afirmou firmemente.
Toinha é símbolo da força da presença feminina no esporte. Respeitada por todos os funcionários do clube, elenco, comissão técnica, imprensa, torcida e a quem tem acesso à história da matriarca, ela dá um conselho para as mulheres que desejam acompanhar o futebol das formas que são possíveis.
”Minhas amigas, que vocês quiserem trabalhar no futebol, você se prepara e faz uma coisa. Não deixe ninguém pegar na sua munheca (sic). Seja uma pessoa de respeito para poder você ser respeitada. [...] Coragem, sabendo que a mulher pode estar onde ela quiser. Lugar de mulher não é só na cozinha, que nem o homem diz não, lugar de mulher em todo canto que ela quiser”, enfatizou.
Como uma boa mãe, experiente, com orgulho em ter criado os filhos, netos e passado esse amor pelo Fortaleza por gerações, ela deixa uma mensagem especial para o Dia das Mães.
.“Peço por todas as mães brasileiras, as mães tricolores, as mães cearenses, que estejam uma paz muito grande nesse Dia das Mães. Quem não tem mãe como eu, reze. Peço a todo dia a Deus, que ela reza sempre por mim lá”