Ana Sátila fica em último na final da canoagem slalom C1 e ouro vai para australiana

A brasileira entrou para história do esporte ao se tornar a primeira representante do país em uma decisão olímpica na modalidade

Ana Sátila fica em último na final da canoagem slalom C1 e ouro vai para australiana
Foto: Charly Triballeau/AFP

Ana Sátila terminou em último lugar entre as 10 finalistas da canoagem slalom C1, nesta quinta-feira, nos Jogos de Tóquio. A brasileira entrou para história do esporte ao se tornar a primeira representante do país em uma decisão olímpica na modalidade.

No Centro de Canoagem Slalom Kasai, a mineira de 25 anos cometeu dois erros que prejudicaram sua performance na final.

Na porta 7, ela foi punida com a perda de 2 segundos, por encostar em uma haste e, quase, no final não passou pela porta 22 (de um total de 25), o que aumentou em mais 50 segundos o seu tempo total, que ficou em 164.71, muito acima dos 114.27 obtidos na semifinal. Se não fosse punida, a número 3 do ranking mundial teria terminado os Jogos Olímpicos em quarto lugar.

A medalha de ouro foi conquistada pela australiana Jessica Fox, com um tempo de 105.04, seguida pela britânica Mallory Franklin (108.68), que ganhou a prata, enquanto a alemã Andrea Herzog (109.13) levou o bronze.

Talento precoce

Ana Sátila é um desses casos raros de talento precoce no esporte Ela praticava natação em Primavera do Leste (MT) sob os cuidados do pai, um grande incentivador da atividade física. Mas aos poucos foi tomando gosto pela canoagem slalom e seu talento chamou a atenção de especialistas na modalidade.

Então ela foi convidada para ir para Foz do Iguaçu (PR), onde a Confederação Brasileira de Canoagem tinha um programa específico.

Como tinha apenas 9 anos, mas já adorava aquele esporte de paixão, mudou-se para outro Estado e levou sua mãe junto, que começou a trabalhar como governanta na Casa dos Atletas.

"A canoagem slalom era um esporte que sempre quis fazer", disse a atleta, que sabia que o pai não permitiria que ela fosse sozinha para Foz do Iguaçu.

Jogos

Quando tinha 16 anos, ela representou o Brasil nos Jogos de Londres-2012 - era a atleta mais jovem da delegação nacional - e ficou na 16ª posição no K1.

Em 2016, nos Jogos do Rio, tinha tudo para brilhar, mas acabou errando e encerrou sua participação na Olimpíada no 17º lugar na mesma prova.

Se ela era boa no caiaque, na canoa era melhor ainda e vibrou quando o C1 foi colocado no programa olímpico nos Jogos de Tóquio.

Ela assim poderia disputar uma Olimpíada na prova que se dá melhor - na canoa a atleta usa apenas o remo com uma pá e fica ajoelhada enquanto no caiaque desce o canal sentada e usa remo de pás duplas.

Foco na preparação

Aliás, o foco na preparação sempre foi uma dar armas de Ana Sátila, que é reconhecida no meio da canoagem por sua dedicação aos treinamentos.

"Acho que nas outras edições olímpicas eu fiquei um pouco deslumbrada e acabei perdendo cedo. Então treinei muito para ir bem", comentou.

Currículo

No currículo, Ana Sátila tem três pódios em Campeonatos Mundiais, dois títulos mundiais Sub-23, três medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Pan-Americanos e muitos ótimos resultados em etapas da Copa do Mundo de canoagem slalom, incluindo dois primeiros lugares no ano passado no C1.

Além disso, ela é especialista no caiaque extremo, modalidade que será olímpica nos Jogos de Paris-2024 e ela tem tudo para chegar ao pódio.

Por ser bem jovem, é possível que represente o Brasil nas próximas edições. "Meu objetivo é inspirar outras mulheres a praticarem a canoagem slalom, pois são poucas meninas que praticam no Brasil", disse.

Quero receber conteúdos exclusivos de esporte

Assuntos Relacionados