Protesto no Roblox vira meme após novas regras no chat
Mudanças para segurança infantil geram revolta virtual e viralizam fora do jogo.
A tentativa do Roblox de tornar o ambiente mais seguro para crianças e adolescentes acabou provocando um efeito inesperado: uma onda de protestos dentro do próprio jogo, que rapidamente se transformou em meme em outras redes sociais, como X, antigo Twitter, e TikTok. Avatares com cartazes improvisados e mensagens de indignação passaram a circular em vídeos e imagens que viralizaram fora da plataforma.
A reação acontece após a implementação de regras mais rígidas para o uso do chat de texto e voz. Desde o início do ano, usuários precisam passar por verificação de idade, com envio de documentos ou estimativa facial por vídeo, para poder conversar dentro do jogo. Até os 13 anos, a checagem facial é obrigatória e ainda depende de autorização dos pais ou responsáveis. Após a confirmação, o contato fica limitado a jogadores da mesma faixa etária.
As mudanças atingiram funções populares, como chat sem filtros, Voz da Turma, conteúdo restrito e interações dentro das chamadas “Experiências”, o que gerou frustração entre parte da comunidade. Segundo a empresa, novas funcionalidades devem ser adicionadas futuramente para se adequar ao novo modelo de segurança.
Dentro do Roblox, os protestos chamam atenção pelo tom infantil: muitos “cartazes” exibidos pelos avatares trazem erros de ortografia comuns no início da alfabetização, como “justissa” e “infiliz”, o que reforça a percepção de que parte significativa dos manifestantes é formada por crianças. Ainda assim, não é possível afirmar que apenas menores participam das mobilizações virtuais.
Lei Felca
No meio da confusão, o influenciador Felca passou a ser citado como um “inimigo” simbólico nas manifestações. Ele ganhou notoriedade nacional em 2025 ao publicar vídeos que discutiam a adultização de crianças no ambiente digital. Desde então, Felca afirma ter recebido ameaças relacionadas ao fim do chat no Roblox, medida que muitos usuários passaram a associar diretamente ao seu nome.
O debate extrapolou o universo dos games e chegou ao Congresso. A chamada “Lei Felca”, aprovada pela Câmara dos Deputados, obriga serviços de tecnologia voltados ao público adulto, como jogos, sites e redes sociais, a criarem mecanismos para impedir o acesso de crianças e adolescentes, fortalecendo a proteção digital de menores.