Ataques à Faixa de Gaza deixam mais de 50 mortos; entenda conflitos entre Israel e palestinos

Bombardeios israelenses à Gaza e foguetes lançados pelo Hamas deixam centenas de feridos

faixa de gaza
Legenda: Ataques israelitas à Faixa de Gaza nesta quarta-feira (12)
Foto: MAHMUD HAMS / AFP

Os confrontos mais recentes entre Israel e grupos palestinos já deixam pelo menos 50 mortos, segundo a AFP. Bombardeios israelenses na Faixa de Gaza e foguetes lançados por movimentos armados da Palestina causaram destruição e centenas de feridos na região. 

Até o momento, os confrontos deixaram pelo menos 48 palestinos mortos em Gaza — incluindo 14 menores de idade e três mulheres -, além de dois palestinos falecidos na Cisjordânia ocupada e cinco israelenses.

Na terça-feira (11), um ataque aéreo de Israel derrubou um prédio de 12 andares em Gaza. Edifícios próximos também foram afetados. Em resposta, o grupo palestino Hamas disparou 130 foguetes contra Tel Aviv, em Israel. 

O exército israelense afirmou que, desde segunda-feira (10), grupos palestinos lançaram mais de mil foguetes contra Israel. Quase 850 foram interceptados pelo sistema de defesa ou caíram em Israel, segundo o porta-voz israelense Jonathan Conricus.

Outros 200 caíram dentro da Faixa de Gaza - território palestino na fronteira entre Israel e Egito disputado pelos iraelitas. 

Os bombardeios israelenses em Gaza deixaram pelo menos doze crianças mortas e mais de 300 feridos, segundo balanço do ministério da Saúde do território palestino.

Escalada de violência 

Israel organizou centenas de ataques aéreos contra o território palestino de Gaza, controlado pelo Hamas, dirigidos contra o que exército descreve como 'áreas militares palestinas'. 

Além do crescente número de mortos, centenas de palestinos ficaram feridos e muitos foram retirados dos escombros de edifícios. Do lado israelense, mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Na terça-feira (11), o exército israelense afirmou que o ataque ao prédio de 12 andares tinha como alvos o 'chefe de inteligência militar' do Hamas, Hasan Kaogi, e o "diretor de contrainteligência" do movimento islamista armado, Wael Isa.

"Se (Israel) quer uma escalada, estamos preparados", declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, que pediu a retirada das forças de segurança da Esplanada das Mesquitas de Jerusalém Oriental, cenário nos últimos dias de confrontos entre a polícia israelense e manifestantes palestinos. 

"Ainda há muitos alvos. Isto é apenas o começo", advertiu o ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, que era o comandante do exército durante o conflito em Gaza de 2014. 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Hamas "será atacado de uma maneira que não espera". 

Causa dos conflitos

A violência em Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade ocupada, começou na semana passada. Na sexta-feira (7), milhares de fiéis se reuniram na Esplanada das Mesquitas para a última grande oração antes do fim do Ramadã - mês de jejum muçulmano. 

Os palestinos protestaram contra a proibição de acesso à Cidade Velha e a comemoração do 'Dia de Jerusalém', na segunda-feira (10), feriado nacional que celebra a ocupação do território palestino por Israel em 1967. 

Este ano, o 'Dia do Jerusalém' coincidiu com o fim do Ramadã. A Esplanada é o terceiro local mais sagrado do Irlá. Para os judeus, é chamado Monte dos Templos e o local mais sagrado. 

Em Jerusalém Oriental, os tumultos se intensificaram também após manifestação de apoio às famílias palestinas ameaçadas de expulsão. A polícia israelense reprimiu os manifestantes e afirmou que eles atiraram projéteis contra as forças de segurança. 

protesto em lod
Legenda: Enterro de Mousa Hassouna, palestino morto pela em protesto reprimido pela polícia de Israel em Lod
Foto: AFP

O tribunal distrital de Jerusalém decidiu que os palestinos do bairro Shaykh Jarrah devem ser despejados em favor das famílias judias que reivindicam os direitos de propriedade no bairro. 

A audiência de expulsão das famílias, marcada para segunda-feira (10), precisou ser adiada devido ao risco de mais confrontos. 

Os confrontos na esplanada deixaram centenas de feridos. Cerca de 520 palestinos e 32 policiais israelenses foram atingidos. 

A questão do status de Jerusalém é um dos principais pontos de discórdia entre Israel e os palestinos. Israel considera a cidade inteira como sua capital "indivisível", enquanto os palestinos querem fazer de Jerusalém Oriental a capital de seu futuro estado.

Possibilidade de guerra em grande escala

A comunidade internacional está alerta para o confronto e pede pelo apaziguamento dos conflitos. Os ataques aéreos israelenses são os mais intensos desde 2014, na guerra de Gaza. 

Na terça-feira (11), o enviado da ONU ao Oriente Médio, Tor Wennesland, afirmou que Israel e Hamas se encaminham para uma 'guerra em grande escala'. 

"Uma guerra em Gaza seria devastadora e as pessoas pagariam o preço", disse o diplomata. O Conselho de Segurança da ONU se reúne desde o início da semana para discutir os conflitos. 

Os presidentes de Rússia e Turquia, Vladimir Putin e Recep Tayyp Erdogan, pediram pela 'desescalada' dos conflitos e expressaram grande preocupação, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (12). 

Erdogan pediu uma posição da comunidade internacional e uma "lição firme em Israel". 

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