Caixas que apareceram na orla de Salvador são fardos de navio nazista, diz pesquisador

Oceanógrafo do Labomar (UFC) afirma que material de borracha deve ser o mesmo que em 2018 começou a aparecer na orla brasileira

Fardos de borracha
Legenda: Oito caixas foram encontradas em praia de Salvador, na segunda-feira (2) e foram retiradas da faixa de areia com o auxílio de guindastes
Foto: Divulgação prefeitura de Salvador

As oito caixas encontradas na Praia do Flamengo, em Salvador, na Bahia, nesta segunda-feira (2), são fardos de borracha provenientes de um navio nazista afundado há 80 anos na costa brasileira. A informação é do pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Teixeira. 

"Esses fardos eram matéria-prima de borracha. Era a forma como a matéria-prima de borracha era transportada, e estavam sendo transportados por um navio de carga alemão durante a Segunda Guerra", diz Teixeira, que é oceanógrafo.

Segundo o pesquisador, a embarcação alemã SS Rio Grande está naufragada a cerca de mil quilômetros de Recife, a 5.700 metros de profundidade. O pesquisador esclareceu que uma inscrição encontrada em um fardo encontrado em uma praia do Ceará há dois anos indicou a ligação com a embarcação nazista. No fardo estava escrito: "Produzido na Indochina Francesa", região que, na época, era dominada pelo Japão, país aliado aos alemães.  

"A gente acredita que sejam os mesmos fardos e que seja a mesma coisa. Aqui no Ceará se você resgatar a história, desde 2018, em várias ocasiões, eles voltam a aparecer. E por quê? Porque quando a gente tem marés muito altas associadas com muita onda a gente tem erosão da praia, e esses fardos que estavam enterrados pela areia são levados de novo para o mar", detalha o pesquisador.

Porém, conforme Teixeira, os fardos que apareceram na orla baiana não devem ter saído agora do navio. "Pela característica dos fardos, bem destruídos e bem diferentes das que apareceram antes, eu acredito que eles estavam enterrados e não ainda provenientes do navio", analisa.

A empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) informou que as caixas encontradas foram retiradas da faixa de areia com o auxílio de guindastes.   

Na ocasião, Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba) afirmou, em caráter preliminar, que o material não acusava presença de petróleo. 

Primeiras aparições

Os pacotes começaram a ser vistos no litoral nordestino em outubro de 2018. No Ceará, cerca de 200 caixas foram encontradas em pelo menos 13 cidades, como Camocim, Aracati e Caucaia. 

Um mês depois, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) informou que as caixas se tratavam de fardos de borrachas sintéticas, derivadas de petróleo.

Já em outubro de 2019, pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram que os grandes fardos de borracha pertenciam à carga de um navio alemão afundado em 1944 por forças aéreas dos Estados Unidos.