Traficante que morava em prédio de luxo na Beira-Mar tem júri marcado após quase 12 anos

Chefe do tráfico de drogas nos bairros Tancredo Neves, Conjunto Tasso Jereissati e Lagamar e dois comparsas vão ao banco dos réus por um homicídio

A 3ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza marcou o julgamento para o dia 15 de março de 2021, às 10h
Legenda: A 3ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza marcou o julgamento para o dia 15 de março de 2021, às 10h
Foto: Natinho Rodrigues

Após quase 12 anos de um crime de homicídio, os três acusados devem ir ao banco dos réus no mês de março deste ano, por decisão da Justiça Estadual. Entre eles está Renan Rodrigues Pereira, apontado como chefe do tráfico de drogas nos bairros Tancredo Neves, Conjunto Tasso Jereissati e Lagamar e proprietário de dois imóveis na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza.

A 3ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza marcou o julgamento para o dia 15 de março de 2021, às 10h. O júri estava programado para 23 de outubro de 2019, mas foi adiado em razão de adoecimento do promotor de Justiça responsável pelo caso.

O júri acontecerá por videoconferência. Renan Pereira e Silas Ferreira de Aquino estão detidos no Sistema Penitenciário Federal de Segurança Máxima, nas unidades de Catanduvas (PR) e Porto Velho (RO), respectivamente. Enquanto apenas Junio Pereira da Silva segue detido no Ceará.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), oferecida em junho de 2012, os três homens assassinaram a tiros José Arialdo Patrício Barroso, o 'Jecila', na tarde de 26 de abril de 2009, na Rua Nereu Barreira, bairro Jardim das Oliveiras, na Capital.

A motivação do crime seria a richa que Silas Aquino tinha com o irmão de 'Jecila', que seria um rival dele no tráfico de drogas e ainda teria tocado nas partes íntimas da esposa de Silas em uma festa. O acusado já havia tentado matar o inimigo duas vezes, mas, como não conseguiu, decidiu tirar a vida do irmão do mesmo, segundo o MPCE.

Procuradas, as defesas dos outros réus não foram localizadas ou não responderam aos questionamentos, mas, durante o processo, os acusados negaram participação no homicídio.

Extensas fichas criminais

Renan Pereira responde, na Justiça do Ceará, a crimes do Sistema Nacional de Armas, pelo menos três homicídios e dois roubos. Silas responde por quadrilha, organização criminosa, crimes do Sistema Nacional de Armas, cinco homicídios, tráfico de drogas, três roubos e extorsão. Enquanto Junio da Silva responde por um homicídio e um roubo.

A prisão de Renan foi "cinematográfica". Ele comemorava o aniversária da mãe, em uma casa de veraneio, na Prainha, em Aquiraz, quando foi surpreendido por agentes da Coordenadoria Integrada de Inteligência (Coin), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em abril de 2013.

Outros dois suspeitos de integrarem a organização criminosa de Renan também foram presos na ocasião. Na residência, a Polícia apreendeu quatro veículos de luxo importados, duas motocicletas, dinheiro e duas pistolas - sendo uma de uso restrito das Forças Armadas.

Renan era apontado pela Polícia como o chefe do tráfico de drogas nos bairros Tancredo Neves, Conjunto Tasso Jereissati e Lagamar e como mandante de diversos assassinatos de desafetos. Em dois anos, ele enriqueceu, ao ponto de levar uma vida luxuosa, morando na Avenida Beira-Mar, com carro importado e segurança pessoal.

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