“Sonhei exatamente como ia ser”, diz filha de goiana morta por ex-companheiro em Fortaleza

Mulher morava sozinha no Ceará e estava envolvida em um relacionamento abusivo. Suspeito do crime ainda não foi preso

Escrito por Nícolas Paulino , nicolas.paulino@svm.com.br

Segurança
Legenda: Zeila Barbosa trabalhava como cuidadora de idosos.
Foto: Arquivo pessoal

Há uma semana, Priscila Cerqueira previu que perderia a mãe de uma forma brutal. Zeila Maria Barbosa, de 51 anos, foi morta pelo ex-companheiro no dia 23 de abril, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. A família já iniciou uma luta por Justiça dificultada pela distância, já que todos os parentes moram em Rondônia.

Zeila era goiana e passou parte da vida em Porto Velho, mas escolheu residência na Capital cearense há 17 anos, depois de conhecer a cidade em uma viagem. “O amor dela era Fortaleza, tanto que conseguiu ir embora”, revela a filha, que ainda morou nove anos com Zeila.

Vivendo sozinha, a mulher era formada em enfermagem e trabalhava como cuidadora de idosos. Com o dinheiro que ganhava, tirava o próprio sustento e pagava mimos para os netos, especialmente em aniversários e na Páscoa.

Priscila conta que Zeila convivia basicamente com as amizades, mas há cerca de cinco meses iniciou um relacionamento amoroso com um homem desconhecido pela vizinhança. A única informação que se tem dele, por exemplo, é que é pedreiro - e que não gosta de tirar fotos.

“Eles decidiram morar juntos, mas brigavam, separavam e voltavam. Era um relacionamento meio abusivo da parte dele, porque era agressivo, bravo. Ela, que nunca teve medo de nada, me pedia pra fazer silêncio quando a gente fazia videochamada e ele estava por perto”, lamenta.

Legenda: Goiana se mudou definitivamente para o Ceará há 17 anos.
Foto: Arquivo pessoal

Na sexta-feira, 22 de abril, o casal passou por mais uma briga e Zeila quase foi espancada, diz Priscila. Durante a madrugada, a filha crê ter recebido uma revelação: em sonho, diz ter visto a mãe ser assassinada com uma facada nas costas. O fato aconteceria quase 18 horas depois.

Ainda de madrugada, eu liguei pra ela e avisei, mas ela ficou falando que estava tudo bem. Deu 20h33, nossa última ligação, e me disse a mesma coisa. Vinte minutos depois, as pessoas me ligaram contando que ela estava morta.

Suspeito indiciado

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que o caso está a cargo da 2ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), unidade que “segue realizando diligências para localizar e prender o suspeito já qualificado”.

Um inquérito policial com o indiciamento do suspeito por feminicídio também já foi remetido ao Poder Judiciário neste sábado (30). A identidade do homem não foi divulgada.

Priscila pede que o caso não caia no esquecimento e que o suspeito possa responder pelo crime, como forma de honrar a memória de Zeila.

“Ela era uma mulher espetacular, muito humilde, que gostava muito de ajudar as pessoas. Não tinha momento ruim: se visse alguém triste ou passando necessidade, ela ajudava. Era uma pessoa muito amável”, recorda.