Policial é demitido 5 anos após facilitar entrada de celulares e drogas em presídio na RMF

A sanção da demissão contra o policial penal foi publicada em portaria da CGD. O documento traz detalhes de como o esquema criminoso acontecia dentro do Instituto Penal Francisco Hélio Viana de Araújo

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Legenda: A portaria da CGD foi publicada no Diário Oficial trazendo detalhes de como funcionava o esquema criminoso
Foto: Kléber A. Gonçalves

O policial penal Paulo Rodrigues da Silva foi demitido depois de cinco anos sendo investigado, a partir de um flagrante realizado durante vistoria no Instituto Penal Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ele perdeu o cargo público após se envolver em um esquema criminoso de facilitação da entrada de celulares e drogas na unidade prisional.

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Outros dois policiais que vinham sendo investigados no mesmo caso foram absolvidos por insuficiência de provas. A sanção da demissão de Paulo Rodrigues foi publicada no Diário Oficial do Ceará dessa sexta-feira (5) e assinada pelo Controlador Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário.

A portaria publicada no Diário Oficial traz detalhes de como funcionava o esquema criminoso. Familiares de Rodrigues chegaram a receber uma série de depósitos de R$ 5 a R$ 15 mil em troca dos benefícios ilícitos negociados com um preso identificado como Juniel Gomes Soares.

Consta na portaria que no dia 23 de fevereiro de 2016, foi apreendido um aparelho celular de propriedade de Juniel, na cela do interno. Teria sido o próprio preso a indicar o nome do policial penal Paulo Rodrigues da Silva como seu fornecedor.

Como funcionava

O interno delatou que no período noturno, quando Paulo realizava o monitoramento das celas e outros agentes da equipe dormiam, o policial deixava os objetos em um local determinado, dentro da prisão, onde os detentos que trabalhavam tinham acesso no início da manhã.

A apuração das autoridades identificou 10 registros de depósitos e transferências bancárias feitos ao pai e a namorada do servidor. O remetente eram mãe e irmão de Juniel. De acordo com a CGD, em uma das vezes Paulo pediu R$ 5 mil ao seu 'parceiro' alegando que precisava complementar a compra de uma motocicleta.

"Nesse sentido, comprovou-se demasiadamente, com base no irrefutável conjunto probatório ventilado nos autos, as graves irregularidades na conduta do acusado Paulo Rodrigues da Silva, de modo que a punição capital é medida que se impõe, pois além de trazer evidentes prejuízos à imagem da Secretaria da Administração Penitenciária do Ceará - SAP/CE e do sistema carcerário cearense perante a sociedade, que espera comportamento exemplar de um profissional voltado à segurança penitenciária, também serve de péssimo exemplo aos demais integrantes da instituição", disse o controlador ao assinar a sanção da demissão.

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