Motorista de APP é condenado a 29 anos por assassinar namorada grávida

O júri teve início nesta quinta-feira (12), por volta das 9h e com fim às 19h. Wando foi condenado pelo homicídio, aborto e ocultação do cadáver.

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
efigenia vitima
Legenda: Wando Vasconcelos não aceitava a gravidez de Efigênia Maria e decidiu matá-la. Ele chegou a forjar um sequestro, mas a Polícia descobriu a execução.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O motorista de aplicativos Wando Cordeiro de Vasconcelos foi condenado a 29 anos de prisão. O réu foi a júri nesta quinta-feira (12) acusado do feminicídio da namorada dele, a universitária Efigênia Maria Santana Soares. Por maioria de votos, os jurados decidiram que Wando é culpado pelo crime.

O júri teve início por volta das 9h e contou com a participação da família da vítima. Jacqueline Santana, mãe de Efigênia, disse que o dia foi de expectativa e que desde a prisão em flagrante do acusado ela tinha certeza que a Justiça seria feita.

Às 17h30, jurados se reuniram para a votação. Wando foi condenado pelo homicídio, aborto e ocultação do cadáver. Ao todo, as penas somam 29 anos de reclusão. Ele não poderá recorrer em liberdade.

A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a sentença na íntegra. Conforme documento, o conselho reconheceu por maioria dos votos a materialidade e autoria delitiva, imputada ao réu que "cometeu  o crime por motivo torpe,utilizando meio cruel, recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e com violência doméstica ou familiar contra a mulher".

"Mantenho a prisão preventiva do réu, por permanecerem hígidos os motivos que a decretaram, notadamente a gravidade do delito pelo qual restou condenado – consistente em homicídio qualificado pelo motivo torpe, em razão da vítima desejar que o acusado assumisse a paternidade do filho – mediante meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e contra a mulher num contexto de violência doméstica e familiar, vez que, consoantes e depreendem dos autos, ele, supostamente, seria o autor da empreitada criminosa, da qual a vítima teria sido asfixiada, após o casal manter relação sexual e ela pedir para que ele assumisse a paternidade"
Valência Maria Alves de Sousa Aquino
Juíza

O crime ocorreu em 13 de janeiro do ano passado. De acordo com as investigações da Polícia Civil do Ceará (PC-CE), Wando Vasconcelos não aceitava a gravidez de Efigênia Maria e decidiu matá-la. Ele chegou a forjar um sequestro, mas a Polícia descobriu a execução. 

Wando foi denunciado pela morte da estudante, em janeiro de 2021. Consta na acusação que o motorista carbonizou e abandonou o corpo da vítima no Município de Chorozinho, às margens da BR-116.

A estudante de fisioterapia saiu de casa, no bairro José Walter, em Fortaleza, na noite de 13 de janeiro, dizendo à família que ia a um supermercado. Com a demora para o retorno, os familiares começaram a se preocupar.

A Divisão Antissequestro (DAS), da PC-CE, foi acionada quando o pai da vítima recebeu uma mensagem no WhatsApp, do número da própria filha, com um pedido de R$ 20 mil em troca da liberação da jovem.

Quando uma amiga da universitária contou à mãe dela sobre a gravidez de 6 semanas, a linha investigativa mudou. A Polícia rastreou a localização e chegou ao namorado dela, que confessou o crime com detalhes. Segundo a investigação, o casal teve uma discussão antes de Efigênia ser assassinada.

Para a Polícia ficou evidenciado que toda "a empreitada criminosa foi previamente arquitetada". A mãe da universitária considera que a prisão em flagrante foi essencial para dar celeridade ao processo. "Para mim, a Justiça começou quando ele foi preso. Agora, Deus providenciará o restante", ressalta Jacqueline.

De acordo com o Inquérito Policial, "após matá-la, Wando teria jogado um tapete por cima do corpo que se encontrava no banco traseiro do carro e se dirigido a um posto de combustível no bairro José Walter onde teria abastecido o galão de cinco litros que trazia no porta-malas de seu carro". Nos autos, a defesa sustenta a negativa de autoria.