Vacinação contra Covid-19 de povos indígenas deve ser concluída até o fim de abril no Ceará

O trabalho é feito por 24 equipes de Saúde e a meta é de 20.427 indígenas

Vacinação de indígenas
Legenda: De acordo com a Sesa, 18.759 (91,96%) indígenas já receberam a primeira dose do imunizante e 16.745 (82%), a segunda imunização
Foto: Theyse Viana

A vacinação contra a Covid-19 entre os povos indígenas no Ceará deve ser concluída até o fim de abril próximo. A estimativa é do Distrito Sanitário Especial Indígena Ceará (DSEI). Há, entretanto, pequena divergência do percentual aplicado de doses, segundo dados disponibilizados pela Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) e o DSEI. A meta é vacinar 20.427 indígenas acima de 18 anos, em 17 municípios cearenses.

De acordo com dados fornecidos pela Sesa, 18.759 (91,96%) indígenas já receberam a primeira dose do imunizante e 16.745 (82%), a segunda imunização.   

Já o DSEI apresenta números um pouco diferentes, indicando que 18.288 (90,1%) da população acima de 18 anos recebeu a primeira aplicação da vacina e 15.971 (80,3%), a segunda.

Nenhuma das 17 cidades que têm povos indígenas aplicou 100% das duas doses. Na primeira imunização, apenas Aquiraz, Crateús e Pacatuba concluíram a imunização total do público alvo prioritário. Para a segunda dose, Aquiraz é quem está mais próximo, com índice de cobertura de 96,6%.

Para o presidente do DSEI, Neto Pitaguari, que é técnico em enfermagem e integra uma das 24 equipes de saúde que acompanha os povos indígenas em nove polos no Estado, “a divergência entre os percentuais são resultantes de indígenas assintomáticos, aquelas com suspeita de gravidez e daqueles que se recusaram a receber o imunizante”.  

Resistência à vacina

Neto Pitaguari frisou que “não há falta de vacina, mas há dificuldades decorrentes de influências religiosas, políticas negacionistas e divulgação de fake news contra os imunizantes”.

A resistência de alguns indígenas, no começo da imunização, a partir de 20 de janeiro passado no Ceará, trouxe dificuldades para as equipes de saúde, que precisaram dedicar tempo para ações de educação em saúde e em esclarecimentos à população.

Adriana Castro, líder indígena da localidade Barra do Mundaú, em Itapipoca, disse que a comunidade conta com 130 famílias e 600 indígenas. “A primeira dose já está 100% concluída e nesta semana devemos terminar a segunda dose”, afirmou.

A líder comunitária também lamentou a existência de desinformações entre as comunidades indígenas de Itapipoca, Acaraú e Itarema. “Isso trouxe impacto inicial, resistência e medo”.

Sem novos casos

Na primeira onda, em Itapipoca, houve registro apenas de casos leves entre os povos tradicionais e, nesta segunda crise sanitária da pandemia, não há nenhum diagnóstico positivo.  

Vacinação de indígenas
Legenda: Na primeira onda, em Itapipoca, houve registro apenas de casos leves entre os povos tradicionais e, nesta segunda crise sanitária da pandemia, não há nenhum diagnóstico positivo.
Foto: Divulgação

Adriana Castro foi a primeira a ser vacinada no lançamento da campanha em Itapipoca. “Dei o exemplo e não precisa ter nenhum tipo de medo”, disse. “Tomei a primeira dose e não senti nada e estou protegida”.  Ela frisou que não houve relato de nenhuma reação adversa nas comunidades.

Madson Vieira é indígena pitaguari, em Maracanaú, e já foi imunizado com duas doses. “Não tive medo e foi uma sensação de alívio”, pontuou. “Estava esperando com ansiedade e deu tudo certo”.

Articulação

A enfermeira Patrícia Viana trabalha em uma equipe multidisciplinar de saúde indígena no município de Itapipoca, atendendo povos da etnia Tremembé da Barra do Mundaú que moram em quatro aldeias - Buriti de Baixo, Buriti do Meio, Munguba e São José. “Já estamos finalizando a vacinação contra a Covid-19”, disse. “Todos receberam a primeira dose e a segunda já alcançamos 98%”.

De acordo com Patrícia Viana, a imunização somente não foi concluída porque é necessário “respeitar o intervalo de 28 dias entre as doses”. Ela explicou que houve uma “articulação com as lideranças indígenas, conselho local, educação e, com o diálogo, conseguimos avançar na vacinação dentro do nosso território”.

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