Terra volta a tremer na zona norte do Ceará
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Populares sentiram o tremo no último dia 3, na segunda-feira, 4, e, na quarta-feira, 6. O mais forte foi no domingo
Sobral. Durante o feriado de Carnaval a terra voltou a tremer, pelo menos, outras seis vezes na zona norte do Ceará, mais precisamente nas Serras do Rosário (Jordão) e Meruoca. Por conta disso, no meio da população que, por sinal, não fala em outra coisa, o medo cresce envolto em lendas e predições apocalípticas.
Dessa vez, além de mais fortes, os abalos foram quase consecutivos. De acordo com informações de populares, somente no último dia 3, a terra teria tremido três vezes, na segunda-feira, duas, e, na quarta-feira, mais uma vez. Sendo o mais forte de todos registrado ao meio-dia de domingo.
“Eu tava deitada na rede e ela (a filha) almoçando. Quando dei fé foi o tamborete andando sozinho, a rede balançando, as telha tremendo e vindo aquele vulto por debaixo do chão. Olhe que tem tempo que moro aqui e nunca tinha visto um negócio daquele”, narra Francisca Nascimento Leandro, moradora da localidade de São José de Baixo, na Serra do Rosário. A vizinha dela, Silvana Souza, que mora com o marido e cinco filhos, também descreveu a experiência.
“Deu um estrondo tão forte que o jarro de planta se mexeu, parecia que o chão vinha andando e subindo com a gente. Caiu cascalho das telha e uns pedacinho de parede. O povo diz que tamo morando dentro de um vulcão. Se for verdade, deve tá perto de explodir, porque o tremor de domingo, meio-dia, foi forte demais”, descreve a dona-de-casa.
Infelizmente, a Estação Sismográfica de Sobral, que poderia precisar a magnitude dos terremotos percebidos pela população, está desativada há quase dois anos. Aliás, dos quatro aparelhos existentes no Estado, Beberibe, Santa Quitéria, Fortaleza e Sobral, apenas os dois primeiros estão funcionando. Mas, de acordo com o chefe do Laboratório de Sismologia da Defesa Civil do Estado, a medição da magnitude do terremoto será divulgada na próxima semana.
“Temos convênio com a Universidade de Brasília para montagem de equipamentos que possam nos dar respostas mais aprofundadas. Também fizemos contato com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e, semana que vem, reativaremos a Estação de Sobral”, disse Brandão. E continuou. “Até a Estação de Fortaleza, que tem equipamento novo, também está com problemas. Ainda não fomos a Itataia (Santa Quitéria), colher informações da magnitude dos tremores. Mas acreditamos que a liberação de energia tenha sido de 3.0 na Escala Richter”.
No último dia 28 de janeiro, há menos de oito dias dos recentes abalos sísmicos, o Diário do Nordeste noticiou outro tremor ocorrido na região serrana. Na ocasião, os técnicos da Defesa Civil estiveram no local e divulgaram que a intensidade do terremoto foi de 2.5 na mesma Escala.
Respostas
O Diário do Nordeste foi buscar respostas mais aprofundadas sobre o que, de fato, estaria acontecendo nas proximidades de Sobral. Conforme o geólogo, Joaquim Mariano Neto, a hipótese mais provável é de que os terremotos estejam sendo causados por acomodações de camadas, ou seja, pela reativação de falhas geológicas no interior da Terra. Ele enfatizou que é pouco provável que os tremores sejam gerados por causas externas, como extração de minérios, construção de barragens ou perfurações de poços profundos.
Natercia Rocha
Repórter
Enquete
População se assusta com forte tremor
Raquel Cavalcante
Moradora de Alcântaras
"Foi muito forte o tremor de domingo. Um estrondo que tirou do lugar até os quadros das paredes."
Joaquim Mariano Neto
Professor da UEVA e geólogo
"O normal é terremoto da magnitude de 2.5 na Escala Richter. Na década de 80, tivemos em Sobral um que chegou a 4.8."
Francisco das Chagas Melo
Chefe da Defesa Civil
"Ainda não se colheu a magnitude. Acreditamos que a liberação de energia tenha sido de 3.0 na Escala Richter."
José Lucas Nascimento
Morador da Serra da Meruoca
"Tô com 85 ano e nunca tinha sentido um terremoto desse jeito por aqui. Pra ter idéia, até a televisão ficou se tremendo."
TECTÔNICA DESENVOLVIDA
Região localiza-se sobre falhas geológicas
Sobral. “O Nordeste é a região no Brasil onde mais se sente tremores de terra, acredita-se que seja devido à proximidade com o Oceano Atlântico. Sobral é conhecida como região em que a tectônica foi bastante desenvolvida no passado, ou seja, ocorreram bastante falhamentos geológicos que causaram grandes terremotos”, explica o professor e geólogo Joaquim Mariano Neto.
Segundo ele, a Serra da Meruoca, por exemplo, existe por causa de um grande terremoto. Devido a isso, surgiram várias falhas geológicas, de tamanhos razoáveis, nas bordas das Serra da Meruoca e Rosário. São as chamadas falhas Café-Ipueiras e, mais no centro de Sobral, o grande falhamento geológico chamado Sobral-Pedro II.
“O normal é que tenhamos terremotos da magnitude de 2.5 na Escala Richter. Mas, na década de 80, tivemos em Sobral um (terremoto) que chegou a atingir 4.8. Na época, visitei o epicentro com técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi detectado que se deu na região que vai de Forquilha à Groaíras. Na época, fomos à casa na Fazenda Belém, bem em cima da falha. As telhas foram jogadas longe, mas a casa não chegou a cair”.
De acordo com Joaquim Mariano, o terremoto aconteceu pela movimentação de placas tectônicas. “O perigo é que, a maioria ou quase todos os açudes do Ceará estão situados em cima de falhas geológicas. A reativação de uma falha, poderia, se o terremoto apresentar grande magnitude, rachar a parede e a pressão da água se encarrega do resto”, disse ele, complementando que “existe essa possibilidade, embora muito remota. O Castanhão, por exemplo, os responsáveis dizem que a estrutura foi construída com cimento armado e coisa e tal. Mas nada segura a natureza. Se o terremoto vier mesmo, leva tudo. Mas os tremores daqui são de pequena magnitude. Os moradores podem ficar tranqüilos”.
O professor alertou, também, que não há como prevenir terremotos, mas ensinou que um bom indício de que algo está para acontecer, é ficar atento ao comportamento dos animais. “Os bichos são mais sensíveis à vibrações. Quando tiver cachorro ou cavalo muito inquieto, eles podem estar sentindo as vibrações primeiro que nós, podem estar prevendo tremor. Alguns países se especializaram em prever terremoto pelo comportamento animal”.
Segundo ele, a recomendação em casos de tremores de terra, principalmente no Interior, é que os moradores desliguem fogão, saiam de dentro de casa e mantenham a calma. “Ir para campo aberto é mais prudente, não ficar esperando telhas caírem”.
Sobral. Durante o feriado de Carnaval a terra voltou a tremer, pelo menos, outras seis vezes na zona norte do Ceará, mais precisamente nas Serras do Rosário (Jordão) e Meruoca. Por conta disso, no meio da população que, por sinal, não fala em outra coisa, o medo cresce envolto em lendas e predições apocalípticas.
Dessa vez, além de mais fortes, os abalos foram quase consecutivos. De acordo com informações de populares, somente no último dia 3, a terra teria tremido três vezes, na segunda-feira, duas, e, na quarta-feira, mais uma vez. Sendo o mais forte de todos registrado ao meio-dia de domingo.
“Eu tava deitada na rede e ela (a filha) almoçando. Quando dei fé foi o tamborete andando sozinho, a rede balançando, as telha tremendo e vindo aquele vulto por debaixo do chão. Olhe que tem tempo que moro aqui e nunca tinha visto um negócio daquele”, narra Francisca Nascimento Leandro, moradora da localidade de São José de Baixo, na Serra do Rosário. A vizinha dela, Silvana Souza, que mora com o marido e cinco filhos, também descreveu a experiência.
“Deu um estrondo tão forte que o jarro de planta se mexeu, parecia que o chão vinha andando e subindo com a gente. Caiu cascalho das telha e uns pedacinho de parede. O povo diz que tamo morando dentro de um vulcão. Se for verdade, deve tá perto de explodir, porque o tremor de domingo, meio-dia, foi forte demais”, descreve a dona-de-casa.
Infelizmente, a Estação Sismográfica de Sobral, que poderia precisar a magnitude dos terremotos percebidos pela população, está desativada há quase dois anos. Aliás, dos quatro aparelhos existentes no Estado, Beberibe, Santa Quitéria, Fortaleza e Sobral, apenas os dois primeiros estão funcionando. Mas, de acordo com o chefe do Laboratório de Sismologia da Defesa Civil do Estado, a medição da magnitude do terremoto será divulgada na próxima semana.
“Temos convênio com a Universidade de Brasília para montagem de equipamentos que possam nos dar respostas mais aprofundadas. Também fizemos contato com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e, semana que vem, reativaremos a Estação de Sobral”, disse Brandão. E continuou. “Até a Estação de Fortaleza, que tem equipamento novo, também está com problemas. Ainda não fomos a Itataia (Santa Quitéria), colher informações da magnitude dos tremores. Mas acreditamos que a liberação de energia tenha sido de 3.0 na Escala Richter”.
No último dia 28 de janeiro, há menos de oito dias dos recentes abalos sísmicos, o Diário do Nordeste noticiou outro tremor ocorrido na região serrana. Na ocasião, os técnicos da Defesa Civil estiveram no local e divulgaram que a intensidade do terremoto foi de 2.5 na mesma Escala.
Respostas
O Diário do Nordeste foi buscar respostas mais aprofundadas sobre o que, de fato, estaria acontecendo nas proximidades de Sobral. Conforme o geólogo, Joaquim Mariano Neto, a hipótese mais provável é de que os terremotos estejam sendo causados por acomodações de camadas, ou seja, pela reativação de falhas geológicas no interior da Terra. Ele enfatizou que é pouco provável que os tremores sejam gerados por causas externas, como extração de minérios, construção de barragens ou perfurações de poços profundos.
Natercia Rocha
Repórter
Enquete
População se assusta com forte tremor
Raquel Cavalcante
Moradora de Alcântaras
"Foi muito forte o tremor de domingo. Um estrondo que tirou do lugar até os quadros das paredes."
Joaquim Mariano Neto
Professor da UEVA e geólogo
"O normal é terremoto da magnitude de 2.5 na Escala Richter. Na década de 80, tivemos em Sobral um que chegou a 4.8."
Francisco das Chagas Melo
Chefe da Defesa Civil
"Ainda não se colheu a magnitude. Acreditamos que a liberação de energia tenha sido de 3.0 na Escala Richter."
José Lucas Nascimento
Morador da Serra da Meruoca
"Tô com 85 ano e nunca tinha sentido um terremoto desse jeito por aqui. Pra ter idéia, até a televisão ficou se tremendo."
TECTÔNICA DESENVOLVIDA
Região localiza-se sobre falhas geológicas
Sobral. “O Nordeste é a região no Brasil onde mais se sente tremores de terra, acredita-se que seja devido à proximidade com o Oceano Atlântico. Sobral é conhecida como região em que a tectônica foi bastante desenvolvida no passado, ou seja, ocorreram bastante falhamentos geológicos que causaram grandes terremotos”, explica o professor e geólogo Joaquim Mariano Neto.
Segundo ele, a Serra da Meruoca, por exemplo, existe por causa de um grande terremoto. Devido a isso, surgiram várias falhas geológicas, de tamanhos razoáveis, nas bordas das Serra da Meruoca e Rosário. São as chamadas falhas Café-Ipueiras e, mais no centro de Sobral, o grande falhamento geológico chamado Sobral-Pedro II.
“O normal é que tenhamos terremotos da magnitude de 2.5 na Escala Richter. Mas, na década de 80, tivemos em Sobral um (terremoto) que chegou a atingir 4.8. Na época, visitei o epicentro com técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi detectado que se deu na região que vai de Forquilha à Groaíras. Na época, fomos à casa na Fazenda Belém, bem em cima da falha. As telhas foram jogadas longe, mas a casa não chegou a cair”.
De acordo com Joaquim Mariano, o terremoto aconteceu pela movimentação de placas tectônicas. “O perigo é que, a maioria ou quase todos os açudes do Ceará estão situados em cima de falhas geológicas. A reativação de uma falha, poderia, se o terremoto apresentar grande magnitude, rachar a parede e a pressão da água se encarrega do resto”, disse ele, complementando que “existe essa possibilidade, embora muito remota. O Castanhão, por exemplo, os responsáveis dizem que a estrutura foi construída com cimento armado e coisa e tal. Mas nada segura a natureza. Se o terremoto vier mesmo, leva tudo. Mas os tremores daqui são de pequena magnitude. Os moradores podem ficar tranqüilos”.
O professor alertou, também, que não há como prevenir terremotos, mas ensinou que um bom indício de que algo está para acontecer, é ficar atento ao comportamento dos animais. “Os bichos são mais sensíveis à vibrações. Quando tiver cachorro ou cavalo muito inquieto, eles podem estar sentindo as vibrações primeiro que nós, podem estar prevendo tremor. Alguns países se especializaram em prever terremoto pelo comportamento animal”.
Segundo ele, a recomendação em casos de tremores de terra, principalmente no Interior, é que os moradores desliguem fogão, saiam de dentro de casa e mantenham a calma. “Ir para campo aberto é mais prudente, não ficar esperando telhas caírem”.