Região Norte: dia e noite com risco iminente de tragédia

Deslizamentos de encostas, casas submersas, famílias, desabrigadas, aulas suspensas e comunidades inteiras ilhadas, devido a destruição de rodovias

Legenda: Nível da água do Rio Coreaú chegou a atingir os telhados de algumas casas da zona rural de Granja, no Norte do Estado
Foto: Maristela Gláucia

A chuva não dá trégua. O cenário se repete e se agrava. As águas que tanto foram pedidas pelo sertanejo até vieram. No entanto, elas evidenciaram o quão as cidades cearenses não estão preparadas para uma quadra chuvosa que ainda nem se apresenta acima da média histórica. Diversos municípios estão enfrentando graves problemas. Deslizamentos de encostas, casas submersas, famílias desabrigadas, aulas suspensas e comunidades inteiras ilhadas, devido à destruição de rodovias. Em comum a todos esses problemas que acontecem de Norte a Sul do Estado: o desesperos dos moradores atingidos.

A região Norte é a mais impactada. Técnicos da Defesa Civil do Ceará realizaram, durante toda esta quinta-feira, ações de monitoramento nas comunidades mais atingidas. Em Santana do Acaraú, o açude Pilões, que possuía risco de romper, segue recebendo aporte hídrico. No entanto, a Defesa Civil descartou um possível rompimento. O órgão desaconselhou que familías deixem suas casas. "Não há necessidade", explica Wilson Maranhão, técnico da Defesa Civil.

Em Granja, o nível do Rio Coreaú subiu meio metro em apenas um dia. Ele atingiu 3,60 metros acima do normal e, de acordo com a Defesa Civil do Município, caso alcance a marca de 4m, parte da cidade será inundada. Embora esta marca ainda não tenha sido superada, diversos bairros já foram afetados.

A parede da barragem possui diversas fissuras, de onde é possível a água do afluente avançar por ruas e bairros. Na Zona Rural, diversas casas já estão submersas. Devido aos problemas causados pelo avanço das águas, o sistema de abastecimento da cidade foi desligado e pelo menos quatro bairros estão sem água encanada.

Parte dos problemas enfrentados no interior cearense advém das precárias estruturas das barragens particulares, isto é, que não são monitoradas pela Cogerh. No Ceará, estima-se que existam mais de 30 mil barragens. Somente 155 são monitoradas. A Agência Nacional de Águas (ANA), órgão que monitora a segurança destas barragens, informou que o órgão não foi acionado para atuar no Estado. A Defesa Civil do Estado não informou quantos homens foram deslocados para atuar na região Norte.