Pós-Covid: pacientes necessitam de fisioterapia respiratória

Iguatu oferece atendimento domiciliar mas, em outras cidades como Quixadá e Sobral, serviço de fisioterapia respiratória e também motora é prestado em unidades especializadas

Legenda: Fisioterapia para paciente com Covid-19 no Hospital Santo Antônio, em Barbalha
Foto: Wandenberg Belém

Pacientes com Covid-19 após alta hospitalar e que apresentam disfunções de locomoção e respiratória devem receber em suas cidades atendimento de fisioterapia em unidades especializadas ou em domicílio, por serviço ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) defende a ampliação da oferta do trabalho e observa que a demanda nesse período de pandemia triplicou.

A prática dos exercícios consegue em mais de 90% dos casos resultados significativos, devolvendo a curto prazo - cinco semanas em média, a capacidade anterior de movimentação física, condições respiratória e pulmonar, segundo observações do Centro de Reabilitação de Fisioterapia de Iguatu (Crefi), na região Centro-Sul cearense. E ocorre em Iguatu a oferta desde maio do ano passado do atendimento de fisioterapia aos pacientes pós-Covid-19 por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), na modalidade domiciliar. É um projeto pioneiro no Ceará.

"O trabalho é feito exclusivamente na casa dos pacientes para reduzir risco e facilitar o atendimento", diz a coordenadora do Crefi, Dhébora Ricarte Barbosa.

A fisioterapeuta Súria Monteiro Viana, 36 anos, viu sua saúde mudar, ficar debilitada e passar de profissional prestadora de serviço a paciente, após contrair Covid-19 e necessitar de sessões fisioterápicas para melhoria da capacidade respiratória. "Fiquei me sentido muito cansada, com falta de ar, o meu pulmão não era mais o mesmo e a cada dia achava que ia melhorar, mas piorava e precisei de fisioterapia", contou.

"Essa doença é muito séria e passei por uma experiência muito desagradável", disse Súria. O aposentado, João Fernandes, 90 anos, venceu a doença, após dias internado em um leito de UTI em Iguatu.

Agora em casa, recebe duas vezes por semana a visita de um fisioterapeuta e disse estar se sentindo bem melhor. "Foi horrível, triste, a idade e essa doença acabam com a gente, mas sou feliz porque confio e recebi as graças de Deus", disse. "Sou vencedor e esses exercícios estão me fazendo melhorar", afirmou Fernandes.

Melhora

Para Thiago Alves, que é um dos sete fisioterapeutas que atende os pacientes com a chamada síndrome pós-Covid em Iguatu, frisa que "depois de dez sessões, em média, os pacientes têm uma melhora substancial".

Em agosto de 2020, Iguatu viu o número de pacientes saltar de dez para 30 que apresentaram disfunções e necessitavam de continuidade de atendimento fisioterapêutico, após alta hospitalar. "Hoje está reduzido, caiu para a metade", frisou Dhébora Barbosa. "O número de profissionais passou de três para sete no pico da pandemia, e estamos mantendo o serviço ativo".

Na cidade de Quixadá, no Sertão-Central, o trabalho é feito em uma unidade especializada de fisioterapia, quando os pacientes são encaminhados por meios da atenção básica em Saúde. O mesmo ocorreu na cidade de Sobral, polo urbano da região Norte do Estado.

Juazeiro do Norte, cidade polo do Cariri cearense ainda não oferta o serviço. A atual gestão municipal que assumiu o serviço em 1º de janeiro passado, disse que "vai avaliar a demanda e necessidade e espera a contratação de profissionais aprovados em concurso público para a Saúde".

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