Lúcia Pequena transforma o barro em arte

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Foto: Melquíades Júnior

Se Deus não fez o homem do barro, lá está Lúcia Pequena, em Limoeiro do Norte, para criar o sertanejo, a louça e a arte através da terra trabalhada. Da cerâmica rude, as bem acabadas peças de artesanato em barro vão sendo criadas com a delicadeza e talento da mulher que faz parte de uma família que há mais de um século se destaca no Vale do Jaguaribe por fazer as mais belas louças e artesanatos em barro.

Lúcia Pequena e suas irmãs Maria e Raimunda, moradoras da comunidade de Córrego de Areia, em Limoeiro do Norte, herdaram do pai, Zé Pequeno, o dom de transformar arte em barro. Trabalhando desde os 10 anos no chão, na lida com a cerâmica, só hoje, aos 44 anos, a louceira Lúcia teve o talento devidamente reconhecido: foi contemplada pelo Governo do Estado com o título de Mestre da Cultura Tradicional Popular, juntamente com outros 11 artistas do Estado. O reconhecimento lhe deu direito a um salário mensal vitalício que lhe ajudará na manutenção dos escassos recursos da vida doméstica, já que é muito pobre, trabalhando e vivendo em condições extremamente precárias. Sentada no chão sujo o dia inteiro, a artesã esbanja disposição, apesar das fortes dores nas costas. Mas já não trabalha à noite, devido a problemas na vista.

As peças das artesãs do Córrego de Areia variam do artesanato funcional (louças domésticas) de Maria e Raimunda, às bem trabalhadas peças de arte de Lúcia Pequena, retratando os diversos personagens do sertão semi-árido nordestino: do boi ao boiadeiro, passando pelo índio e o cangaceiro. As peças são vendidas a preços baixos para o Centro de Artesanato Luíza Távora (Ceart), em Fortaleza) e para grupos vindos até de outros estados para conhecer, comprar e revender no País e no exterior a arte em barro das famosas louceiras do Córrego de Areia.

Melquíades Júnior
colaborador