Iguatu registra surto de calazar

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Veterinários particulares e a Assessoria Técnica da Zoonose de Iguatu apontam surto endêmico


Iguatu. O Centro de Controle de Zoonoses do Município, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), está realizando exame de calazar em todos os cães da cidade. A coleta deve ser concluída até o próximo mês de novembro. O inquérito sorológico canino tem por objetivo detectar se o animal está acometido de calazar (leishmaniose tegumentar). A medida é motivada pelo crescimento do número de cachorros contaminados com a doença e do registro de quatro casos em humanos, neste ano.

De acordo com o diretor do Centro de Controle de Zoonoses de Iguatu (CCZI), José Valderi Leite Nobre, o quadro está sob controle e não pode ser classificado como surto. Entretanto, veterinários que atendem em clínicas particulares e até mesmo o assessor técnico do CCZI, João Francisco do Amaral Neto, considera a situação preocupante e afirma que há sim um surto endêmico nesta cidade.

O calazar neste ano, no Ceará, matou mais do que a dengue. Até a semana passada, foram registradas 13 vítimas, enquanto os óbitos por dengue chegam a sete, segundo números divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado.

Segundo dados do setor de Epidemiologia da 18ª Célula Regional de Saúde, de janeiro a agosto deste ano, foram confirmados, em Iguatu, quatro casos de leishamaniose visceral (calazar) em humanos. Em 2006, foram dois casos. A doença vem crescendo em todo o Estado do Ceará e a região Nordeste responde por 92% de todas as ocorrências no Brasil.

Valderi Nobre explicou que o crescimento do registro dos casos de calazar foi detectado de forma espontânea no CCZI, num trabalho de rotina. “As pessoas trazem os cães para vacinar e fizemos coleta de sangue por amostragem”, disse. “Os exames revelaram um índice positivo para calazar em torno de 30%”, completou.

Com a confirmação de casos em humanos, as autoridades sanitárias resolveram coletar sangue em todos os cães da sede urbana. Esse trabalho há 10 anos não era feito em Iguatu.

Os primeiros exames realizados em animais dos bairros Cocobó, Esplanada e Santo Antônio revelaram um índice elevado, em torno de 20%.

“Estamos aguardando o resultado da coleta feita em cães de outras áreas da cidade”, explicou Valderi Nobre. Três equipes, com um total de 10 técnicos da Funasa e do Centro de Zoonose, visitam casa por casa para a coleta de sangue que é feita na orelha do cachorro.

O veterinário João Francisco do Amaral Neto chama a atenção para o elevado número de animais portadores da doença mas que não apresentam sintomas característicos. “Isso confunde os donos que, por questão de afetividade, não querem sacrificá-los e dificultam o trabalho dos técnicos”, disse.

“O calazar é uma doença tipicamente rural, mas que está se urbanizando por causa do desmatamento e do deslocamento das famílias dos sítios para as cidades com os animais”, afirma o médico.

Para o diretor do CCZI, Valderi Nobre, a situação é preocupante e as providências foram adotadas. “Vamos aguardar os próximos resultados e esperamos que a situação fique controlada”, aposta ele.

Quadro epidemiológico

O veterinário Joaquim Marques, que atende numa clínica particular, classifica o quadro como epidemiológico. “Os números de casos positivos vem crescendo em toda a cidade”, observa.

“O aspecto afetivo por parte dos donos dos cães prejudica a identificação porque muitos escondem os animais ou não querem permitir o sacrifício, particularmente, nos casos assintomáticos da doença”, afirma.

Outros veterinários observam que o crescimento do número de casos de calazar ocorria de forma “silenciosa”, sem registros oficiais.

Em 2005 e 2006, os exames realizados em cães de áreas monitoradas, por amostragem, revelaram um índice em torno de apenas 0,1%. No ano passado, houve apenas dois casos em seres humanos.

SAIBA MAIS

O que é

A leishmaniose é uma enfermidade crônica causada por protozoários que atinge cães, raposas, gambás e de forma secundária o homem. Apresenta duas formas clínicas: visceral e tegumentar.

Transmissão

A leishmaniose visceral, popularmente conhecida por calazar, é uma doença rural que vem migrando para os centros urbanos. O mosquito responsável pela transmissão da doença, ao picar o animal contaminado e posteriormente o homem, é o flebótomo, que se reproduz em ambientes úmidos, com matéria orgânica.

Sintomas

Queda de pêlos, ulcerações nas orelhas, focinho e cauda, crescimento das unhas, conjuntivite, coriza e diarréia.

Mais informações:
Centro de Controle de Zoonoses de Iguatu
Funciona no período de 7 às 13 horas e das 13 às 17 horas
(88) 3582.5229

Honório barbosa
Repórter