Idosa resgatada com vida em Alcântaras comeu plantas e extraiu água de folhas durante 7 dias

A mulher de 72 anos caiu em uma região de mata fechada e não conseguiu retornar sozinha para casa, sendo encontrada 1 semana depois

mata Alcântaras
Foto: Corpo de Bombeiros

Após sete dias desaparecida, uma idosa foi resgatada na última segunda-feira (22) pelo Corpo de Bombeiros do Ceará em uma área de mata fechada a 650 metros do Sítio Pau Ferrado, em Alcântaras, na Serra da Meruoca, onde morava sozinha.

Longe de casa, Rita de Cássia Paulino, 72, teve o quadro de saúde debilitado, mas encontrou na vegetação artifícios para sobreviver. Plantas e água extraída de folhas foram utilizados por ela na tentativa de cessar a fome e a sede.

Rita sumiu no dia 16 de março, por volta de 13h, depois que saiu de casa para ir a uma mercearia comprar cigarro. O desfecho, porém, acabou distante dali. A idosa contou aos bombeiros que se perdeu no caminho e não mais conseguiu se locomover para retornar. 

“Ela disse que acabou se perturbando e se perdendo no mato. Pelo problema de locomoção e nas articulações, acabou caindo e não conseguiu mais se levantar. Ela se rastejava em busca de pedir auxílio, porque chovia na região e fazia muito frio", detalha o comandante da Companhia de Busca, Resgate e Salvamento com Cães do Corpo de Bombeiros, Tenente Eliomar Alves. 

resgate idosa
Legenda: Guarnição teve o apoio de voluntários durante o resgate
Foto: Corpo de Bombeiros

Cronologia do resgate

As buscas começaram no mesmo dia em que os vizinhos notaram que a idosa não havia voltado para casa. Inicialmente, às 16h, bateram na porta e ninguém respondeu. Decidiram, então, ligar para os familiares. No dia seguinte, destelharam o imóvel, entraram em contato com amigas que pudessem tê-la acolhido, mas sem sucesso. 

Já na quinta-feira (18) à tarde, os parentes seguiram para o matagal e encontraram um par de sandálias da idosa. O Corpo de Bombeiros de Sobral foi acionado para atender a ocorrência. À noite, a guarnição reconheceu o caminho e optou por chamar os cães farejadores, que chegaram na tarde de sexta-feira. 

"Montamos várias estratégias aproveitando todos os voluntários, amigos, familiares, brigadistas e até um rapaz com drone. Dividimos as áreas deixando sempre as menos perigosas para os voluntários e a equipe de cães avançando para aumentar o raio de buscas", explica o tenente.

Quadro de saúde

O trabalho se estendeu pelo fim de semana, tendo um desfecho na manhã de segunda-feira (22). Um familiar ouviu a voz da própria idosa, em "tom de gemido", sinalizando que estaria ali e, sobretudo, viva.

“Ela estava muito debilitada, deitada no chão, não conseguia se levantar, solicitava muito por água, estava com muita fome e muita sede. Porém, ela manteve um certo grau de lucidez porque reconheceu a família e os amigos, sabia o que tinha acontecido, por que tinha saído de casa e por que caiu", lembra Eliomar.

A paciente recebeu os primeiros atendimentos de uma equipe médica da Prefeitura de Alcântaras, que acompanhou o resgate. Os profissionais de saúde identificaram que a mulher estava com pico de hipoglicemia e pressão estável.

A idosa foi socorrida para o Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral e ficou em observação durante 24 horas. 

Renascimento

Segundo a neta Leidiane Alves, a  avó é "milagre de Deus", já que conseguiu resistir à falta de alimentação e hidratação adequados, tendo ainda diabetes, hipertensão e colesterol alto.

"Minha avó foi muita desenrolada. Ela nos disse que estava comendo capim, aparando água da chuva na mão para beber e quando não chovia quebrava galhos ou mastigava as folhinhas para chupar a água", revela.

Passado o susto, Rita mudou-se para a casa de um filho na zona urbana de Alcântaras, atendendo a um pedido insistente e antigo da família. "Ela é daquelas senhoras teimosas. Meus tios viviam pedindo para que ela fosse morar com algum deles, mas ela nunca aceitava. Agora, graças a Deus, tem a companhia deles”. 

 

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